A proposta do petista é principalmente estabelecer o patrulhamento de corredores logísticos como uma estrutura permanente de combate ao roubo de cargas. Segundo o programa, a prioridade é combater furtos nas zonas rurais — de gado, maquinário, produtos e insumos —, além da receptação que financia os crimes.
“Me preocupa a possibilidade de fortalecimento de milícias em São Paulo a partir desse tipo de crime. Porque a milícia começa a partir de algum tipo de crime. Se o governo não atacar o foco no nascedouro, isso daqui a pouco fica incontrolável, porque do surgimento da semente da coisa para uma disseminação de um procedimento de extorsão no Estado, não é uma coisa tão difícil de acontecer, a não ser que o Estado demonstre autoridade no nascedouro e impeça esse tipo de prática”, avaliou Haddad.
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do Metrópoles SP
No geral, o projeto inclui temáticas como violência de gênero, racial e infantil. Haddad também se comprometeu a aumentar índices de esclarecimento de crimes e a reduzir letalidade policial.
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Para estruturar o projeto de segurança, Haddad foi guiado por aliados e especialistas, como o próprio vice na chapa, Márcio França (PSB), ex-ministro do Empreendedorismo e ex-governador; o deputado estadual Emídio de Souza (PT), coordenador do programa de governo; e a deputada federal Tabata Amaral (PSB).
Segundo a equipe de Haddad, o plano completo de governo deve ser revelado apenas depois do dia 16 de agosto, quando começam oficialmente as campanhas eleitorais deste ano, conforme determina o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Agência antifacção e inteligência artificial
O programa de Haddad prevê a implementação da Agência Estadual Antifacção, uma estrutura permanente de inteligência e investigação sob a direção estratégica do governador, com atuação integrada do Ministério Público de São Paulo (MPSP), polícias, Receita Federal estadual e órgãos de controle.
Segundo Haddad, o o objetivo é desarticular as grupos do crime organizado com bloqueios de patrimônio, retirada de mecanismos criminosos que operam na economia formal e destinação social de bens confiscados.
“Lavagem de dinheiro, por exemplo, é crime federal. E nós temos que ter uma conexão com o que acontece com os crimes tributários, de sonegação, com o que acontece no mercado oculto, em que tudo isso está integrado”, afirmou Haddad.
Além disso, o plano indica a criação do Placar da Segurança, com dados auditados e transparentes de resolução de crimes como roubo, furto, homicídio e feminicídio, publicados a cada três meses. Outra promessa é a possibilidade de a população registrar boletins de ocorrência na Polícia Civil via WhatsApp.
Como o Metrópoles adiantou, uma das grandes apostas do plano de segurança de Haddad é a inteligência artificial. No âmbito da violência doméstica, uma plataforma com a tecnologia deve cruzar dados e alertas de diversas áreas para classificar o risco de crimes.
A proposta é proporcionar às polícias e guardas municipais mais uso da tecnologia, com, segundo ele, rotina de transparência e checagem de dados. De acordo com o plano, a IA vai proporcionar robustez de provas, assim como cruzar as imagens das câmeras, os dados de ocorrência e as chamadas ao 190 para montar mapas de calor que mostram onde e quando os crimes ocorrem.
“Vamos fazer as informações se encontrarem e dar efetividade às câmeras que estão instaladas e não têm atrás de si um instrumentos de processamento de dados”, afirmou Haddad.
Resistência no interior
Fundado em 1980, o PT nunca elegeu um governador em São Paulo devido à combinação de fatores históricos, políticos e sociais. A resistência do eleitorado ocorre, principalmente, no interior.
Segundo especialistas, a explicação está na herança conservadora do estado, marcada pela força de oligarquias, como a cafeeira, a financeira e a industrial, além do impacto da ditadura militar, que desarticulou a esquerda.
Em meio ao gesto ao interior, a campanha de Haddad tem como estratégia estreitar relações com o agronegócio, setor que tem conhecida afinidade com a direita.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Rebeca Ligabue.

