Hytalo Santos e Euro completam 1 ano presos enquanto recorrem da condenação. Saiba detalhes!
Hytalo foi condenado a 11 anos e quatro meses de prisão, em regime inicialmente fechado. Euro recebeu pena de oito anos, 10 meses e 20 dias, também em regime inicialmente fechado
Hytalo Santos e Euro durante audiência (Foto: Reprodução)
Hytalo Santos e Israel Natã Vicente, conhecido como Euro, completam neste mês de agosto um ano atrás das grades. Presos desde agosto de 2025, os dois foram condenados em primeira instância em fevereiro deste ano por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes e, mesmo seis meses após a sentença, continuam custodiados na Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, o Presídio do Róger, em João Pessoa, unidade destinada a presos provisórios.
A permanência dos dois no Róger chama atenção porque, com a condenação em primeira instância e a definição do regime inicialmente fechado, a expectativa, segundo apuração do portal LeoDias, era de que Hytalo e Euro fossem encaminhados para uma penitenciária destinada ao cumprimento de pena, como a Penitenciária Desembargador Sílvio Porto, também em João Pessoa.
Veja as fotos
Hytalo SantosFoto: Reprodução/TV Globo Hytalo SantosReprodução redes sociais Hytalo SantosFoto: Reprodução/YouTube Hytalo Santos e Israel Nata Vicente durante depoimento de Felca na audiência de custódiaReprodução: Portal LeoDias Hytalo Santos e Israel Nata Vicente, o EuroReprodução: Globo Hytalo SantosReprodução: Globo Hytalo Santos presta depoimento após prisãoFoto/Instagram/Globo Hytalo Santos e EuroReprodução: Instagram/@hytalosantos
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Permanência no presídio provisório
De acordo com informações obtidas pelo portal LeoDias, o fato de a defesa ter recorrido da sentença não impediria, por si só, uma eventual transferência para uma unidade compatível com a nova situação processual dos condenados. A avaliação feita à reportagem é de que, em situações semelhantes envolvendo outros presos, a pessoa pode permanecer provisoriamente na unidade onde já está enquanto são adotadas as providências necessárias para a transferência, mas esse período não costuma se estender por tantos meses.
Segundo informações obtidas pelo repórter Rafael Araújo, correspondente do portal LeoDias, a transferência de presos condenados costuma ocorrer em um intervalo muito menor, podendo ser realizada em cerca de uma semana após a sentença, dependendo dos procedimentos administrativos e judiciais.
No caso de Hytalo e Euro, porém, já se passaram aproximadamente seis meses desde a condenação e os dois permanecem no mesmo endereço prisional em que foram colocados após a prisão.
A apuração também aponta que a manutenção na unidade poderia ser justificada, em determinadas situações, pela necessidade de preservar funções exercidas pelo detento dentro do presídio, como trabalhos de cozinha, serralheria ou outras atividades internas, até que outro preso seja designado para substituí-lo. Mas segundo informações obtidas pela reportagem, essa não seria a situação de Hytalo e Euro.
A avaliação é de que a permanência prolongada dos dois na Penitenciária do Róger seria uma situação fora do padrão esperado e que o caso estaria recebendo tratamento diferente daquele observado em situações envolvendo presos sem a mesma exposição pública.
A Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, conhecida como Presídio do Róger, é uma unidade localizada em João Pessoa e destinada a presos provisórios. Já a Penitenciária Desembargador Sílvio Porto é uma das unidades prisionais da capital paraibana.
Procurada pelo portal LeoDias, a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária da Paraíba informou que até o presente momento não receberam a Guia de Execução Penal para realizar a transferência.
“Gostaria de informar que aguardamos o recebimento da Guia de Execução Penal para viabilizar a transferência dele. Conforme o procedimento padrão do Estado, a transferência de presos provisórios é condicionada à chegada desse documento. Portanto, embora ele já tenha sido sentenciado, a transferência depende exclusivamente do recebimento da referida guia”, disse a secretaria em nota enviada ao portal LeoDias.
Ao portal LeoDias, o advogado de Hytalo Santos e Euro, Felipe Cassimiro informou que os influenciadores permanecem na unidade prisional provisória, porque estão em prisão preventiva, determinada em agosto do ano passado para evitar possíveis interferência nas investigações.
“Eles se encontram em cumprimento provisório da pena em razão da prisão preventiva. Atualmente, temos recursos em andamento e se discute em paralelo a revogação das prisões preventivas. Não persiste esse argumento de potencial interferência em investigações. Hytalo e Euro preenchem todos os requisitos para que aguardem o julgamento dos recursos em liberdade, é rigorosamente o que estamos brigando. O STJ ainda não examinou o mérito das prisões, seguimos confiantes. Não necessariamente. Há possibilidade de soltura enquanto eles se encontram no Roger”, explicou o advogado.
Um ano desde a prisão
Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em 15 de agosto de 2025, em uma casa alugada em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Eles deixaram a Paraíba depois que o caso ganhou repercussão nacional e foram localizados pelas autoridades paulistas.
Em 28 de agosto daquele ano, os dois foram transferidos para João Pessoa. Após desembarcarem na Paraíba e passarem por exames de corpo de delito, foram encaminhados ao Presídio do Róger, onde permanecem desde então.
Com isso, neste mês de agosto de 2026, o casal completa um ano de prisão. O período inclui tanto a fase em que respondiam ao processo criminal como presos preventivos quanto os meses posteriores à condenação em primeira instância.
Condenação em fevereiro
A sentença criminal foi proferida pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux, e tornou-se pública em 22 de fevereiro deste ano.
Hytalo foi condenado a 11 anos e quatro meses de prisão, em regime inicialmente fechado. Euro recebeu pena de oito anos, 10 meses e 20 dias, também em regime inicialmente fechado. A decisão ainda determinou o pagamento de indenização de R$ 500 mil por danos morais e de 360 dias-multa para cada réu.
Segundo a sentença, os adolescentes envolvidos nas produções eram inseridos em um ambiente descrito pelo magistrado como semelhante a um “reality show”, marcado por exposição a situações consideradas inadequadas e de risco. A decisão também apontou exploração da vulnerabilidade dos adolescentes para obtenção de audiência e lucro com conteúdos publicados nas redes sociais.
Apesar da condenação, a prisão preventiva foi mantida. A defesa informou que recorreria da decisão.
Habeas corpus foi negado
Dois dias após a divulgação da sentença, em 24 de fevereiro, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba analisou outro pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.
O colegiado decidiu, por unanimidade, manter a prisão preventiva de Hytalo e Israel. O pedido havia começado a ser analisado antes da sentença e discutia a manutenção da custódia. O relator, desembargador João Benedito da Silva, chegou inicialmente a votar pela substituição da prisão por medidas cautelares, mas o entendimento não prevaleceu.
Desde então, os dois continuam presos enquanto a defesa busca reverter a condenação por meio dos recursos cabíveis.
Como o caso começou
As primeiras apurações envolvendo Hytalo Santos começaram ainda em 2024. O Ministério Público da Paraíba passou a investigar denúncias relacionadas a festas realizadas em um condomínio de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, com participação de adolescentes, consumo de bebidas alcoólicas e situações consideradas inadequadas para menores.
A investigação envolveu diferentes frentes do Ministério Público. Paralelamente, o Ministério Público do Trabalho abriu procedimento após uma denúncia anônima recebida em dezembro de 2024. O objetivo era apurar possíveis irregularidades envolvendo adolescentes que participavam das produções digitais.
O caso ganhou repercussão nacional em agosto de 2025, após o youtuber Felipe Bressanim, conhecido como Felca, publicar um vídeo denunciando a exposição de adolescentes nas produções de Hytalo. A publicação, que tratava do fenômeno conhecido como “adultização”, ultrapassou a marca de 50 milhões de visualizações e ampliou a pressão sobre as autoridades.
Poucos dias depois, as redes sociais de Hytalo foram retiradas do ar. A Justiça também determinou o bloqueio dos perfis, a proibição de contato com adolescentes citados na investigação e a desmonetização dos conteúdos.
Buscas e prisão em São Paulo
Em 13 de agosto de 2025, a residência de Hytalo, em um condomínio de luxo no bairro Portal do Sol, em João Pessoa, foi alvo de um mandado de busca e apreensão. O influenciador não estava no imóvel quando os policiais chegaram.
No dia seguinte, novas buscas foram autorizadas em endereços relacionados ao casal. Israel Vicente passou a ser investigado no mesmo contexto.
Em 15 de agosto, os dois foram localizados e presos em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Desde então, a prisão preventiva foi questionada pela defesa em diferentes ocasiões.
Os pedidos de liberdade, porém, foram rejeitados. Em fevereiro de 2026, o próprio Tribunal de Justiça da Paraíba voltou a manter a custódia dos dois.
Outras investigações
Além da ação criminal que resultou na condenação em primeira instância, Hytalo e Euro também são alvo de processos em outras esferas.
Na Justiça do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho apura acusações relacionadas a tráfico de pessoas, exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão. O casal também foi alvo, em julho deste ano, de uma operação que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
A existência de outros procedimentos, contudo, não altera o fato de que a condenação criminal de fevereiro ainda está sujeita a recursos.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Karol Gomes.

