A investigação sobre uma suposta atuação coordenada de perfis nas redes sociais contra Mailza Assis e em favor de Alan Rick chegou a 85 contas citadas na Justiça Eleitoral. A atualização consta de nova documentação apresentada pela campanha da candidata no processo nº 0601041-09.2026.6.01.0000.
O levantamento inicial havia identificado 47 contas. Com a ampliação da análise, a campanha afirma ter encontrado 38 novos usuários relacionados ao conjunto de publicações. A representação também menciona outros perfis que, segundo a defesa, podem fazer parte do mesmo fluxo de produção e distribuição de conteúdo.
Um dos principais elementos apresentados está relacionado à repetição das mensagens. Conforme a documentação, 81 das 85 contas reproduziram 13 fórmulas de comentários, com pequenas alterações de palavras, grafia, pontuação e emojis.
As mensagens foram concentradas em uma mesma publicação e, de acordo com a representação, misturavam críticas a Mailza com manifestações favoráveis a Alan Rick. Entre os exemplos citados estão comentários equivalentes a “Alan Rick nunca faria um negócio desse” e “essa aí já acabou com o Acre”.
A campanha sustenta que esse padrão justifica a realização de diligências para identificar quem administra os perfis e verificar se existe algum tipo de coordenação entre as contas. A confirmação dessa hipótese, porém, depende da análise dos dados técnicos das plataformas.
Outro ponto apresentado à Justiça é o desaparecimento de conteúdos utilizados no levantamento. A documentação cita publicações do perfil Acre em Pauta que não estavam mais disponíveis no Instagram no momento da consulta.
Diante da indisponibilidade dos materiais, a campanha pediu que a Justiça Eleitoral determine à Meta a preservação dos registros por 180 dias. A solicitação inclui identificadores das contas, dados cadastrais, histórico de nomes utilizados, informações de recuperação, registros de acesso e possíveis vínculos de administração.
Perfil é relacionado a servidor de Cruzeiro do Sul
Entre os novos nomes incluídos na apuração está William da Silva Pereira. Segundo documento do Portal da Transparência citado na representação, ele ocupa um cargo comissionado CAS-4 na Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Cruzeiro do Sul, com admissão registrada em fevereiro de 2025.
O perfil @williamsilvaac2025 foi apontado pela campanha como possivelmente relacionado ao servidor. A representação pede que a Meta informe se William é titular ou administrador da conta.
Caso sejam identificados acessos ao perfil durante o horário de expediente, a campanha também solicita que a Prefeitura de Cruzeiro do Sul apresente registros de frequência e informações sobre eventual utilização de equipamentos ou conexões institucionais.
A possível ligação entre o servidor e o perfil ainda não é apresentada como fato comprovado e depende da confirmação por meio dos dados solicitados à plataforma.
Cinco contas são relacionadas a Paulo de Sá
A documentação apresentada à Justiça também aponta uma possível ligação entre cinco perfis e Paulo de Sá: @bolsonaroacre, @acreonline2026, @acre_fatos, @onuticioso e @acreempauta2026.
Para verificar a hipótese, a campanha pediu que a Meta compare os dados dessas contas com o perfil pessoal @paulode.sa. A solicitação inclui possíveis coincidências de telefones, e-mails, dispositivos, registros de acesso e estruturas utilizadas para administrar os perfis.
A representação cita ainda uma publicação jornalística de maio que identifica Paulo de Sá como assessor de imprensa da Prefeitura de Cruzeiro do Sul e pede que o município informe se o vínculo funcional permanece ativo.
Campanha também quer esclarecimentos de Alan Rick
A coligação Avança Acre solicita ainda que Alan Rick seja intimado a informar se houve administração, contratação, financiamento ou fornecimento organizado de conteúdo aos perfis mencionados na investigação.
A própria documentação ressalta que mensagens favoráveis ao candidato não comprovam, isoladamente, que ele ou sua campanha tenham comandado a atuação das contas. O objetivo dos pedidos é obter informações técnicas que possam confirmar ou afastar essa possibilidade.
A representação também menciona um episódio ocorrido em outro processo eleitoral, no qual algumas contas foram desativadas depois do acesso aos autos por advogados que representam Alan Rick. A documentação, contudo, não afirma que exista relação causal entre os fatos.
A sequência é apresentada pela campanha como justificativa para que os dados digitais sejam preservados antes que outros conteúdos ou perfis deixem de estar disponíveis.
A investigação segue na Justiça Eleitoral. Até o momento, as possíveis conexões entre os perfis, pessoas citadas e eventuais estruturas de campanha ainda dependem da obtenção e análise dos dados técnicos solicitados à Meta.
