O candidato ao Senado Jorge Viana (PT) participou de uma sabatina promovida pelo ac24horas na noite deste domingo (30), em Rio Branco, e apresentou propostas para diferentes áreas da administração pública. Jorge Viana apresenta propostas para o Senado no Acre ao mesmo tempo em que criticou o cenário político e econômico do estado, falou sobre sua rejeição nas pesquisas e defendeu uma Frente Ampla pelo Acre.
Durante mais de uma hora de entrevista, o ex-governador e ex-senador abordou temas como economia, meio ambiente, produção rural, programas sociais, infraestrutura, polarização política e sua trajetória à frente do Governo do Acre e da Prefeitura de Rio Branco.
Logo no início da sabatina, Viana afirmou considerar que o Acre atravessa “um dos piores momentos na política, na gestão”. Como argumento, citou o número de acreanos que deixaram o estado em busca de oportunidades em outras regiões do país.
O candidato afirmou que sua experiência em diferentes cargos públicos pode contribuir para enfrentar os problemas que, segundo ele, atingem atualmente o estado.
“Eu tenho muito amor pelo Acre. Meu amor pelo Acre é minha paixão por essa história linda que eu aprendi com o meu pai”, declarou.
Viana defende fim da polarização política
Um dos principais pontos da entrevista foi a defesa de uma política menos marcada pelo confronto entre grupos ideológicos.
Viana afirmou que o Brasil vive um ambiente de “enfrentamento” e disse que não pretende alimentar a polarização entre lulismo e bolsonarismo.
“Eu não posso, com a minha vivência, com a minha experiência, ser candidato a alimentar, jogar gasolina nessa fogueira. Não contem comigo para isso”, afirmou.
O candidato também relembrou derrotas eleitorais anteriores, incluindo a eleição de 2018 e a disputa pelo Governo do Acre em 2022, quando não chegou ao segundo turno.
Candidato rebate críticas sobre vínculo com o PT
Questionado sobre sua trajetória partidária, Jorge Viana negou que esteja tentando esconder sua ligação com o Partido dos Trabalhadores.
“Eu fui filiado a um partido por 40 anos, eu fui filiado a único partido. Isso eu não escondo de ninguém”, afirmou.
Viana também criticou o atual modelo de financiamento e organização partidária e defendeu mudanças na remuneração de dirigentes de legendas.
Segundo ele, é necessário discutir um novo modelo de funcionamento dos partidos políticos no país.
Frente Ampla pelo Acre
Durante a sabatina, Viana voltou a defender a formação de uma Frente Ampla pelo Acre, proposta que pretende reunir diferentes grupos políticos em torno de uma agenda estadual.
O candidato afirmou que a iniciativa busca romper a divisão entre os campos políticos ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao bolsonarismo.
Ao analisar o cenário eleitoral, Viana afirmou acreditar que o campo lulista deverá continuar tendo força nas eleições presidenciais.
“Eu acho que o lulismo, por mais que alguém não goste, vai ficar para vida toda.”
Jorge Viana fala sobre rejeição nas pesquisas
A rejeição eleitoral também foi abordada durante a entrevista.
Viana relativizou os índices apresentados por pesquisas e argumentou que os números precisam ser analisados em conjunto com o percentual de eleitores que não rejeitam seu nome.
“Se é um Estado bolsonarista, para ser bolsonarista eu tenho que ter mais de 51% das pessoas votando no Bolsonaro. E por que eu só tenho 25% de rejeição? E os 75% que não me rejeitam?”, questionou.
Apesar das dificuldades apontadas pelas pesquisas, o candidato declarou confiança na disputa pelas duas vagas ao Senado.
“Eu estou muito seguro que nós vamos ganhar essa eleição. Nós vamos ganhar, inclusive, disputando o primeiro lugar.”
Café e produção rural entram no debate
A atividade rural de Jorge Viana e o cultivo de café também foram discutidos durante a sabatina.
O candidato negou contradição entre sua trajetória política e o investimento na produção agrícola. Segundo ele, avanços tecnológicos tornaram possível ampliar a produção de café no Acre.
Viana citou pesquisas e tecnologias desenvolvidas pela Embrapa de Rondônia, especialmente relacionadas ao café clonal.
Ele também mencionou sua participação na elaboração do Código Florestal, aprovado por meio da Lei nº 12.651, de 2012.
Segundo Viana, o mecanismo permite considerar determinadas áreas já desmatadas dentro de sistemas agroflorestais para fins de reserva legal.
O candidato afirmou que, caso retorne ao Senado, pretende atuar para ampliar a utilização dessas áreas e enfrentar o problema de propriedades rurais embargadas.
“É o maior problema do Acre hoje, são as propriedades embargadas.”
Candidato critica radicalismo na fiscalização ambiental
Viana também criticou o que classificou como radicalismo na fiscalização ambiental.
Ele afirmou ser contrário a ações que envolvam agressões ou retirada de produtores de suas propriedades.
O candidato defendeu ainda a utilização econômica de áreas já desmatadas em municípios como Rio Branco, Capixaba, Acrelândia, Senador Guiomard e Plácido de Castro.
Segundo ele, há áreas que poderiam receber atividades produtivas como soja, milho e café.
“Eu estou focado em fazer uso dessa terra e ganhar dinheiro com a floresta.”
Legado dos governos é usado como argumento eleitoral
Ao responder às críticas relacionadas ao conceito de “florestania”, utilizado durante seus governos, Jorge Viana defendeu o legado de suas administrações.
O candidato citou obras de infraestrutura, pavimentação de rodovias e construção de pontes realizadas durante os períodos em que esteve à frente do Governo do Acre.
Viana afirmou ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) do estado cresceu durante suas gestões.
“Eu peguei um PIB do Acre de 1 bilhão e meio, e deixei com 6,7 bilhões de reais.”
Crédito para pequenos produtores
Na área econômica, Viana defendeu mudanças nas regras de acesso ao crédito para pequenos produtores rurais.
Segundo ele, os critérios atuais dos bancos públicos dificultam o acesso de quem possui menor capacidade financeira.
“O manual do banco está errado. Ele é feito para dar dinheiro para quem já tem.”
O candidato afirmou que, caso seja eleito senador, pretende discutir mudanças nos mecanismos de financiamento da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco da Amazônia.
Também defendeu a participação de cooperativas de crédito e outras instituições na operação de recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte.
Programas sociais e dependência econômica
Viana também comentou a quantidade de famílias acreanas atendidas por programas de transferência de renda.
O candidato reconheceu a vulnerabilidade social do estado, mas defendeu que os programas sociais sejam acompanhados de mecanismos capazes de ampliar a autonomia das famílias.
Para ele, educação e qualificação podem funcionar como caminhos para reduzir a dependência de benefícios.
“Qual é uma porta de saída que pode ter? Estudar.”
Infraestrutura e migração preocupam candidato
A saída de acreanos para outros estados também foi citada durante a entrevista.
Viana mencionou dados sobre a migração de moradores do Acre para destinos como Santa Catarina e João Pessoa e associou o fenômeno à falta de oportunidades de trabalho e investimentos estruturantes.
O candidato também criticou a política habitacional e afirmou que seus governos construíram conjuntos habitacionais em municípios do interior.
Entre os exemplos citados estão Cruzeiro do Sul, Sena Madureira, Feijó, Jordão e Santa Rosa do Purus.
Jorge Viana apoia escala 5×2
Questionado sobre a proposta de mudança na escala de trabalho, Jorge Viana declarou apoio ao modelo 5×2.
A proposta prevê cinco dias de trabalho para dois dias de descanso e estava prevista para avançar no Senado em setembro.
“Eu acho que o Senado vai votar todo ele a favor. Chegou a hora, nós temos que fazer isso e cuidar, obviamente, ajudar quem gera emprego, mas não tem dúvida”, afirmou.
Candidato fala sobre eleição presidencial
Ao abordar a eleição presidencial, Viana avaliou como pouco provável uma vitória de Flávio Bolsonaro contra Lula e defendeu a manutenção do diálogo institucional com o futuro governo federal.
O candidato afirmou que pretende atuar como interlocutor do Acre em Brasília, independentemente do cenário político.
Também foi questionado sobre a possibilidade de influenciar uma eventual disputa de segundo turno pelo Governo do Acre.
Viana evitou antecipar uma posição, mas reconheceu que uma eventual eleição para o Senado poderia colocá-lo em posição estratégica.
“É muito delicado que fique claro, muito provavelmente a gente vai estar ajudando a decidir o segundo turno, se eu for eleito.”
A sabatina terminou com o candidato reforçando a defesa de uma agenda voltada à produção, infraestrutura, meio ambiente e redução da polarização política no Acre.

