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Justiça Eleitoral do Acre mantém propaganda de Alan Rick e rejeita pedido de Mailza

Justiça Eleitoral do Acre mantém propaganda de Alan Rick sobre crise na educação

Justiça Eleitoral rejeitou pedido de Mailza Assis para suspender propaganda de Alan Rick sobre educação e supostos desvios de recursos.

A Justiça Eleitoral do Acre mantém propaganda de Alan Rick que associa a crise na educação estadual a casos de corrupção investigados pelas autoridades. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (4) pela desembargadora Denise Bonfim, juíza auxiliar da propaganda eleitoral, que negou o pedido de tutela de urgência apresentado pela candidata ao governo Mailza Assis Cameli e sua coligação.

A ação questionava uma peça exibida no horário eleitoral gratuito na última quarta-feira (2), nos blocos da tarde e da noite. A campanha de Alan Rick Miranda afirma no vídeo que o Acre ficou em penúltimo lugar em um ranking de educação e relaciona o resultado a supostos desvios de recursos públicos que são alvo de investigação.

Na decisão preliminar, a magistrada entendeu que não estavam presentes os requisitos necessários para determinar imediatamente a retirada da propaganda ou conceder o direito de resposta solicitado pela coligação Avança Acre.

Propaganda cita R$ 51 milhões investigados

A peça eleitoral começa fazendo referência ao desempenho do Acre no ranking de Educação do Centro de Liderança Pública. Segundo a propaganda, o indicador reúne sete índices nacionais, entre eles o Ideb.

Na sequência, o locutor afirma que o governo estadual teria levado a educação acreana ao penúltimo lugar entre os estados brasileiros e associa o resultado a casos de corrupção.

O vídeo cita especificamente o valor de R$ 51 milhões, apresentado como recursos da educação que teriam sido desviados e que estariam sendo investigados pela Polícia Federal.

A propaganda também utiliza a expressão “rouba das nossas crianças” ao criticar quem desvia dinheiro destinado à educação.

Em outro trecho, o material menciona possíveis desvios envolvendo recursos do Fundeb, transporte escolar e merenda, antes de apresentar propostas da candidatura de Alan Rick para o setor educacional.

Mailza questionou conteúdo da propaganda

Na representação apresentada à Justiça Eleitoral, Mailza Assis e a coligação Avança Acre argumentaram que a propaganda teria apresentado como fato consumado uma situação que ainda está sob investigação.

Segundo a ação, a campanha adversária teria utilizado uma apuração envolvendo contratos superiores a R$ 51 milhões custeados com recursos da educação estadual para afirmar categoricamente que houve desvios.

A coligação também questionou o uso de expressões como “corrupção” e “roubo das nossas crianças” e pediu tanto a suspensão da propaganda quanto o direito de resposta.

Justiça Eleitoral considera investigação já divulgada

Ao analisar o pedido de urgência, a desembargadora Denise Bonfim destacou que uma tutela provisória depende da demonstração da probabilidade do direito alegado e do perigo de demora.

A magistrada considerou que a propaganda se baseia em um fato que já havia sido amplamente divulgado: o cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados a contratos superiores a R$ 51 milhões na área da educação estadual.

Um dos pontos considerados pela Justiça foi justamente o fato de a própria propaganda mencionar que os valores são objeto de investigação.

Na avaliação preliminar da desembargadora, essa circunstância impede, neste momento processual, uma conclusão imediata de que a propaganda tenha apresentado como verdadeiro um fato completamente inexistente.

A decisão ressalta, entretanto, que a discussão ainda poderá ser aprofundada no julgamento do mérito da representação.

Decisão cita liberdade de crítica durante a eleição

Outro fundamento utilizado pela magistrada foi a necessidade de preservar a livre circulação de pensamentos, opiniões e críticas durante o período eleitoral.

A desembargadora citou entendimento do Tribunal Superior Eleitoral segundo o qual o ambiente de disputa política deve garantir espaço para manifestações críticas, especialmente quando relacionadas a fatos de interesse público.

A análise realizada nesta etapa, porém, é preliminar e não representa uma decisão definitiva sobre o conteúdo da propaganda.

Vídeo não cita Mailza nominalmente

A Justiça Eleitoral também avaliou o argumento de que a propaganda teria atingido diretamente a candidata Mailza Assis.

Embora o vídeo faça referência ao “atual governo do Acre”, a magistrada entendeu que, em uma análise inicial, a expressão genérica não seria suficiente para caracterizar de maneira inequívoca uma ofensa pessoal contra a candidata.

Esse entendimento contribuiu para a negativa do pedido de retirada imediata da propaganda e do direito de resposta.

Processo ainda terá defesa e parecer eleitoral

Apesar da decisão favorável à manutenção da propaganda neste momento, o processo ainda não foi encerrado.

Alan Rick e a coligação Trabalho da Esperança foram citados para apresentar defesa no prazo de um dia.

Depois da manifestação dos representados, a Procuradoria Regional Eleitoral deverá emitir parecer, também no prazo de um dia. Somente após essas etapas o processo seguirá para nova análise.

Dessa forma, a decisão desta sexta-feira (4) não significa que a Justiça Eleitoral tenha declarado definitivamente que todas as afirmações feitas na propaganda são verdadeiras.

O que foi decidido, neste momento, é que não havia elementos suficientes para determinar, em caráter urgente, a retirada do material ou conceder o direito de resposta solicitado pela campanha de Mailza.

O caso continua em tramitação e poderá receber nova análise após a apresentação das defesas e do parecer da Procuradoria Regional Eleitoral.

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