Maceió (AL) e Brasília — O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (24/9) que o governo de Jair Bolsonaro (PL) criou um “banqueiro ladrão”, em referência a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e protagonista do maior escândalo financeiro do país.
“Eles criaram um banqueiro ladrão, e eu transformei esse banqueiro em um prisioneiro, porque é o que ele é”, disse Lula.
A declaração foi dada durante ato de campanha em Maceió (AL), ao lado de Renan Filho (MDB), candidato ao governo de Alagoas, do senador Renan Calheiros (MDB), que concorre à reeleição, e do candidato ao Senado Dr. Wanderley (MDB). A primeira-dama Janja Lula da Silva também esteve presente.
O petista pontuou ainda que a “escolha” da população pelo candidato à Presidência da República “não é difícil”.
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“Você tem que escolher entre alguém que montou uma quadrilha no INSS, ou alguém que prendeu a quadrilha, que fomos nós. Eles criaram a quadrilha em 2019, nós descobrimos a quadrilha. Prendemos todos. Todos. Pagamos R$ 3,5 bilhões para 5 milhões de aposentados. Todos receberam”, declarou, em referência ao escândalo de descontos associativos irregulares e não autorizados em aposentadorias e pensões.
Bets
Durante o comício em Alagoas, o presidente também voltou a dizer que irá “acabar com as bets”. Como mostrou o Metrópoles, Lula vai assinar, nesta sexta-feira (25/9), uma medida provisória (MP) para endurecer as regras sobre o funcionamento das casas de aposta on-line no país. O documento será assinado em um ato previsto em São Paulo (SP), no final da tarde.
Na reta final do 1º turno, a restrição a essas plataformas se tornou uma bandeira de campanha do petista.
“Amanhã eu vou ter alguns anúncios importantes. Não vou poder dizer todos aqui, mas é importante. […] Então eu quero dizer para vocês: eu vou acabar com as bets. Eu vou acabar com as bets antes que elas acabem com o Brasil e levem as pessoas a doença”, adiantou.
O petista sinalizou algumas das possíveis medidas que devem ser anunciadas. Ele citou a preocupação com o endividamento das famílias brasileiras.
“Estou muito preocupado porque a pessoa que faz uma dívida e aumentou o patrimônio dele, é importante essa dívida. O cara fez uma dívida porque comprou carro novo, fez um quarto na casa, comprou coisa para o filho, tudo isso é importante. O que não dá é a gente ficar devendo pelo vício”, afirmou.
Lula classificou ainda o cartão de crédito como “uma desgraça”, porque as pessoas gastam dinheiro sem vê-lo.
“Agora não precisa pedir cartão de crédito, os bancos mandam para você. E você vai gastando. Então nós vamos tomar medida com relação a isso. E também é preciso a gente fiscalizar um pouco como eles manuseiam o Pix. Porque fica fácil gastar. Você não põe a mão no bolso, você não pega dinheiro. É só ir pagando, é só ir no crédito, no cartão de crédito. Tudo isso a gente vai dar uma mudada, porque eu quero que vocês façam dívida para coisas para melhorar a vida de vocês”, completou o presidente.
Ato em Maceió
Como mostrou o Metrópoles, a visita de Lula a Alagoas tem dois objetivos principais: reforçar a candidatura de Renan Filho e pedir votos para a reeleição de Renan Calheiros, aliado de Lula há décadas. Os dois enfrentam disputas apertadas no estado.
Na corrida pelo governo, Renan Filho tenta reduzir a vantagem de JHC (PSDB). Pesquisa do Instituto Paraná divulgada na segunda-feira (21/9) mostrou o ex-prefeito de Maceió com 48,6% das intenções de voto, contra 41,6% do ex-ministro dos Transportes de Lula.
Nos bastidores, porém, integrantes da campanha de Renan Filho afirmam que trackings internos mais recentes já apontam crescimento do emedebista e um cenário de empate técnico. A aposta do grupo é que a presença de Lula ajude o ex-ministro a avançar sobre JHC nos últimos dias antes do primeiro turno.
Além disso, assim como em todos as outras Unidades da Federação, os eleitores de Alagoas escolherão dois senadores em outubro, e as pesquisas mostram uma disputa embolada pelas vagas.
Levantamento Real Time Big Data divulgado em 15 de setembro apontou Renan Calheiros com 22%, Marina JHC (PSDB) com 21% e Arthur Lira (PP) com 19%. Os três estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alice Groth.
