O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a vir ao Brasil para apoiar seu principal adversário nas eleições, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e afirmou que “derrotará todos” os que tentarem interferir na disputa presidencial.
A declaração foi dada nesta segunda-feira (20/7), durante a convenção nacional do PDT, em Brasília. No evento, o partido oficializou apoio à campanha de reeleição do petista.
“Eu estou convidando quem quiser do mundo para vir ver as eleições aqui no Brasil. Quem quiser pode vir acompanhar. Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir apoiar meu adversário, que venha. Que monte o comitê. Pois a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia no Brasil”, declarou Lula.
Embora não tenha citado o nome do rival, Lula se referia a Flávio. O senador e integrantes da família Bolsonaro mantêm interlocução com autoridades do governo de Donald Trump.
A provocação também responde a declarações de Rubio sobre as eleições brasileiras. Em junho, o chefe da diplomacia norte-americana afirmou que pleitos na América Latina, como os do Brasil e da Colômbia, poderiam resultar na mudança dos respectivos governos e ampliar a cooperação militar com os Estados Unidos.
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Lula e Rubio elevaram o tom das críticas nas últimas semanas. O secretário de Estado responsabilizou nominalmente o presidente brasileiro pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos do país e acusou o governo de não negociar de “boa-fé”.
“Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu Rubio em publicação no X. As novas alíquotas entram em vigor nesta quarta-feira (22/7).
Como mostrou o Metrópoles, a manifestação de Rubio reforçou a avaliação do Palácio do Planalto de que o tarifaço possui motivação política e busca pressionar o cenário eleitoral brasileiro. O tom adotado pelo secretário também divergiu da justificativa técnica apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Durante a convenção do PDT, Lula defendeu a soberania nacional e classificou a eleição de outubro como uma disputa pela manutenção da democracia. O partido decidiu apoiar o petista já no primeiro turno e abriu mão de lançar uma candidatura própria à Presidência.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Maria Laura Giuliani.

