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Lula diz que Lulinha “vai ser punido” se tiver cometido crime e critica entorno de Trump

Lula diz que Lulinha “vai ser punido” se tiver cometido crime e critica entorno de Trump
Ricardo Stuckert

Lula declarou que trata com “muita seriedade” as investigações que envolvem tanto o filho quanto o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e afirmou que “ninguém está impune, se cometeu erro”. O presidente disse ainda que orienta Lulinha a se defender das acusações e apresentar sua versão dos fatos.

“Meu filho sabe que, se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele”, declarou Lula. “Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado”, disse. “Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está impune, se cometeu erro”, acrescentou.

O presidente afirmou que não cabe a ele atuar como juiz, procurador ou delegado, mas garantir que as instituições possam trabalhar e que todos ajam corretamente. Ele também ressaltou que não interfere no andamento das investigações.

“Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem o direito de provar se é inocente. Se isso acontecer, eles serão perdoados. Mas, se alguém cometeu erro e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar”, pontuou o titular do Planalto.

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A PF suspeita que a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, tenha comprado joias, oferecido presentes e pago despesas de Marcola para ampliar acesso e preservar sua influência no núcleo do governo Lula. Segundo as investigações, ela teria sido contratada por empresários interessados em obter acesso e influência no governo, inclusive por meio de Lulinha. Entre os empresários investigados está Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

Marcola era considerado um homem de confiança de Lula e tinha acesso direto ao gabinete presidencial. Ele foi exonerado do cargo no Palácio do Planalto em julho. À época, a justificativa oficial era de que Marcola deixaria o governo para integrar o núcleo de coordenação da campanha de Lula à reeleição. No início de agosto, porém, após a imprensa revelar os pagamentos feitos por Roberta, Marcola também deixou a campanha.

As declarações foram dadas durante entrevista à Record. Na ocasião, o petista também falou sobre a reaproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o telefonema entre os dois na sexta-feira (21/8), quando trataram do tarifaço norte-americano imposto a produtos brasileiros exportados. Lula criticou o entorno do republicano.

Segundo Lula, a relação direta com Trump é positiva, mas ações tomadas por integrantes do governo dos EUA acabam dificultando a relação bilateral entre os dois países.

“Eu não sei se é o governo americano, se é o Trump ou se é a assessoria do Trump. Eu, às vezes, tenho a impressão que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria. Eu disse para ele: ‘Não é possível. Nós conversamos, tudo vai bem’. A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. Aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil”, disse Lula.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto avalia que a ala mais radical do governo Trump está no Departamento de Estado dos EUA. Nomes como o do secretário de Estado, Marco Rubio, seriam, de acordo com o governo brasileiro, responsáveis por inflar ações consideradas ideológicas e políticas contra o Brasil.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alice Groth.

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