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Lula registra vitórias, mas é pressionado por crises a um mês do 1º turno

Lula registra vitórias, mas é pressionado por crises a um mês do 1º turno
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A um mês do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem como trunfo o avanço de bandeiras eleitorais e mantém a liderança nas pesquisas de intenção de voto, mesmo que apresente estagnação. No entanto, a crise que se abateu sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), e a investigação contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do petista, assombram a campanha e podem trazer prejuízos para a corrida à reeleição.

Nos últimos dias, o clima na Suprema Corte se acirrou após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Aliados de Lula defendem que ele mantenha distância do caso para evitar contaminação da campanha.

Embora o presidente não esteja envolvido no imbróglio, a avaliação é que há uma tendência de associação entre ele e Moraes que pode atrapalhar a corrida eleitoral. Além disso, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, Vorcaro atribuiu ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, indicado por Lula, a culpa pela falta de avanço da delação premiada.

Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Manoela Alcântara, o empresário afirmou que Andrei apareceria em sua delação e citou episódios de ameaças durante a prisão. Ele também fez referências a viagens e despesas que teriam sido pagas em favor do chefe da PF, mas não apresentou provas.

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do Metrópoles

Na noite dessa quinta-feira (3/9), Lula publicou um vídeo sobre a crise no Supremo. Trata-se da primeira manifestação do titular do Planalto sobre o assunto. O presidente não cita nominalmente nenhum ministro da Suprema Corte no vídeo, mas discorre explicitamente sobre a crise no Poder Judiciário e o escândalo envolvendo o Banco Master.

Na gravação, o titular do Planalto afirma que o Brasil “não pode ficar refém de vazamentos seletivos” e defende a adoção de um código de ética para o Judiciário e para o Ministério Público, tema que é bandeira de petistas.

O presidente declarou ainda que a democracia “precisa de instituições fortes e respeitadas” e classificou ser “fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa quem doer”. “Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisam de reformas profundas”, ponderou.

Entre terça-feira (1º/9) e quarta-feira (2/9), Lula manteve conversas, separadamente, com o presidente do STF, Edson Fachin, os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça, e Andrei Rodrigues. Nas conversas individuais, segundo a coluna de Andreza Matais, Lula teria afirmado que não é de seu interesse alimentar a crise e que seu objetivo é ajudar a pacificar o ambiente.

Corrida acirrada

Os desdobramentos do caso Master vieram à tona no momento em que a disputa ao Palácio do Planalto se mostra acirrada. Segundo levantamentos divulgados recentemente, Lula lidera nos cenários de 1º turno, mas aparece empatado com seu principal adversário, o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), no 2º turno.

Na nova rodada da pesquisa Datafolha divulgada, nessa quinta-feira (3/9), o presidente aparece com 38% das intenções de voto no 1º turno contra 33% do bolsonarista. O levantamento também confirma a ascensão do escritor Augusto Cury, que marcou 8%.

No cenário de 2º turno, Lula tem 46% das intenções de voto e Flávio marca 44%. A vantagem de Lula é de dois pontos percentuais sobre Flávio, justamente a margem de erro da pesquisa.

No último levantamento realizado pelo mesmo instituto e divulgado no dia 21 de agosto, Lula liderava com 47% das intenções de voto para o 2º turno; seguido por Flávio Bolsonaro que tinha 43% — a diferença era de 4 pontos percentuais.

Já a pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (2/9), aponta que o petista tem 37% das intenções de voto contra 30% do senador no 1º turno. O escritor Augusto Cury (Avante) registrou 10%, ficando em terceiro lugar na disputa. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento indica ainda um empate técnico entre Lula e Flávio no 2º turno, com o chefe do Planalto numericamente à frente. Ele teve 42% das intenções de voto em eventual disputa direta entre os dois, contra 41% do candidato do PL.

A mesma tendência foi registrada na sondagem feita pela Real Time Big Data e divulgada na terça. Segundo o levantamento, Lula tem 38% das intenções de voto; Flávio Bolsonaro (PL), 30%, e Augusto Cury (Avante), soma 11% em um cenário sem Pablo Marçal (PRTB). Já no 2º turno, Lula e Flávio empatam numericamente — ambos com 44% das intenções de voto.

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Abertura do ano do Judiciário. Presidente Lula e presidente do STF, ministro Edson Fachin

BRENO ESAKI/ METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto2 de 8

Presidente Lula e Alexandre de Moraes (STF)

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Gilmar Mendes e Edson Fachin

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Presidente Lula e Alexandre de Moraes (STF)

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Moraes, Janja e Lula

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Abertura do ano do Judiciário. Presidente Lula e presidente do STF, ministro Edson Fachin

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Lula e Moraes

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Ministros Alexandre de Moraes e Edson Fachin

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Casos Lulinha e Marcola

Vitórias no Congresso

O presidente viu avançar cinco pautas prioritárias do governo federal no Congresso no decorrer da última semana de esforço concentrado antes das eleições gerais de outubro. O avanço das propostas foi acertado na semana passada, durante reunião entre Lula e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

No último mês, o titular do Planalto retomou o diálogo com Alcolumbre, o que resultou na aprovação de pautas-chave para a campanha de de Lula à reeleição. Os presidentes do Executivo e do Legislativo tinham rompido relação desde abril, quando o advogad0-geral da União, Jorge Messias, teve indicação rejeitada pelo Senado para ocupar vaga no STF. Segundo governistas, a derrota foi arquitetada por Alcolumbre.

O projeto de lei que cria incentivos fiscais para a instalação de data centers no Brasil, por meio do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), foi aprovado pelo Senado na terça-feira (1º/9), sem alterações no texto.

Já nessa quinta-feira (3/9), o Senado aprovou o projeto de lei de conversão da medida provisória que derruba a chamada “taxa das blusinhas”, imposto federal cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50, feitas, por exemplo, em plataformas como Shein e Shopee. O texto segue para sanção de Lula.

Outra pauta prioritária aprovada pelo Senado, na quarta-feira (2/9), foi o projeto que cria política nacional para minerais críticos e estratégicos e prevê incentivos para ampliar o processamento desses recursos no Brasil. A proposta segue agora para sanção presidencial.

No mesmo dia, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou as duas principais pautas do governo no Congresso desde o ano passado: as propostas de emenda à Constituição (PECs) da Segurança Pública e do fim da escala de trabalho 6×1.

As duas PECs seguem agora para o plenário do Senado. A expectativa de governistas era de que a propostas fossem discutidas ainda na quarta, mas o presidente Davi Alcolumbre, não as incluiu na pauta da sessão. Líderes do governo admitiram que não tinham votos suficientes para aprovar o texto que altera a jornada de trabalho. Na quinta, o chefe da Casa Alta afirmou que a PEC do fim da escala 6×1 será votada no plenário depois das eleições.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniela Santos.

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