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Mãe enfrenta dificuldades na amamentação e se torna doadora de leite

Mãe enfrenta dificuldades na amamentação e se torna doadora de leite
Arquivo pessoal

“Eu estava desesperada e com medo de não conseguir alimentar minha filha.” Foi assim que a empreendedora brasiliense Gislaine Ferreira Leite, de 36 anos, viveu os primeiros dias após o nascimento de Liz. Ela imaginava que a amamentação aconteceria de forma natural, mas encontrou dificuldades, insegurança e chegou a pensar em desistir.

Diante da situação, a mãe de Gislaine decidiu procurar ajuda. Após receber a orientação de uma médica amiga, a família chegou ao Banco de Leite Humano do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. No local, Gislaine passou a receber acompanhamento para entender o que estava dificultando a amamentação e como poderia superar os problemas.

“Com acolhimento e orientação, fomos superando as dificuldades. O que começou com insegurança e vontade de desistir se transformou em uma das experiências mais bonitas da minha maternidade”, conta.

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Dificuldades não significam que a mãe não conseguirá amamentar

No Banco de Leite, Gislaine foi acompanhada pelo fonoaudiólogo Jardes Souza, do serviço de apoio à lactação do hospital. O atendimento busca identificar dificuldades enfrentadas pela mãe e pelo bebê e encontrar alternativas adequadas para cada situação.

Problemas relacionados à pega, ao posicionamento e à adaptação entre mãe e bebê podem interferir na amamentação. O Ministério da Saúde orienta que mulheres procurem profissionais de saúde diante de situações que dificultem o aleitamento.

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O atendimento pode ser encontrado, entre outros locais, em unidades de saúde, ambulatórios, bancos de leite humano e postos de coleta. “Muitas mães chegam inseguras, carregando muitos mitos e cobranças sobre o aleitamento e acreditando que não vão conseguir”, relata Jardes.

Segundo o profissional, o primeiro passo é compreender o que está acontecendo, sem cobranças, e oferecer orientações adequadas à realidade daquela família.

A pediatra e neonatologista Mariana Palhares Temer, reforça que as experiências podem variar entre mães e bebês. “O acompanhamento profissional ajuda a esclarecer dúvidas, identificar dificuldades e evitar que informações inadequadas aumentem a insegurança. O acolhimento às diferentes realidades também faz parte desse cuidado”, afirma.

A recomendação está alinhada às orientações do Ministério da Saúde, que chama atenção para conteúdos sobre amamentação divulgados na internet e nas redes sociais sem respaldo científico, já que informações equivocadas ou desatualizadas podem aumentar as dúvidas das famílias.

Da vontade de desistir à doação de leite

Com o acompanhamento, Gislaine conseguiu manter a amamentação. A mudança foi tão significativa que, atualmente, ela produz leite suficiente para alimentar Liz e doar o excedente ao Banco de Leite Humano.

“Quando penso em tudo o que vivi no início, sinto uma gratidão enorme. Hoje consigo alimentar minha filha e ainda compartilhar meu leite com outros bebês. Para mim, não existe prova maior de que pedir ajuda pode transformar uma história”, relata.

Após enfrentar dificuldades nos primeiros dias de amamentação de Liz, Gislaine Ferreira Leite procurou apoio especializado e hoje doa o leite excedente para ajudar outros bebês

O leite humano doado é destinado principalmente a bebês internados que não podem ser amamentados pelas próprias mães, especialmente prematuros e recém-nascidos de baixo peso. Antes de chegar às crianças, o material passa por análise, pasteurização e controle de qualidade.

Segundo o Ministério da Saúde, os bancos de leite também têm entre suas funções orientar e apoiar mulheres durante a amamentação, além de coletar, processar e distribuir leite humano com qualidade certificada.

A trajetória de Gislaine, que começou com o medo de não conseguir alimentar a própria filha e terminou com leite suficiente para ajudar outras crianças, mostra como a busca por orientação especializada pode mudar os rumos da amamentação.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Isabella França.

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