Os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chamam atenção. Nas Eleições de 2026, o Brasil alcançou o maior número de eleitores com deficiência da história: são quase 2 milhões de pessoas aptas a votar. O Acre, por sua vez, liderou o crescimento nacional no número de eleitores que se autodeclararam pessoas com deficiência, registrando aumento de 77% em relação ao último levantamento.
Esses números representam um avanço importante. Demonstram que mais pessoas estão sendo identificadas pelo sistema eleitoral e que a Justiça Eleitoral tem ampliado as políticas de acessibilidade, investindo em seções adaptadas, transporte, recursos tecnológicos e melhores condições para garantir o direito ao voto.
No entanto, esse avanço levanta uma reflexão necessária.
Onde estão as candidaturas das pessoas com deficiência?
Temos mais eleitores com deficiência do que nunca. Porém, quando observamos as chapas apresentadas pelos partidos políticos, percebemos uma realidade bastante diferente.
Quantas pessoas com deficiência disputam os principais cargos eletivos?
Quantas concorrem aos governos estaduais?
Quantas disputam vagas no Senado Federal?
Quantas buscam uma cadeira na Câmara dos Deputados?
Quantas concorrem às Assembleias Legislativas?
Em muitas disputas, a presença de candidatos com deficiência continua sendo reduzida ou inexistente, evidenciando um desafio para a ampliação da representatividade política desse segmento.
Inclusão também significa ocupar espaços de decisão
Durante muitos anos, pessoas com deficiência participaram da política principalmente como eleitoras, apoiadoras de campanhas ou integrantes de movimentos sociais.
Entretanto, a inclusão plena também passa pela oportunidade de disputar eleições e participar diretamente da elaboração de leis, políticas públicas e decisões que afetam milhões de brasileiros.
A acessibilidade não se resume à construção de rampas, à adaptação de prédios públicos ou às garantias oferecidas no dia da votação.
Ela também envolve assegurar condições para que pessoas com deficiência possam exercer plenamente seus direitos políticos, inclusive o de serem eleitas.
A experiência de vida fortalece o debate público
Quem convive diariamente com desafios relacionados à acessibilidade, mobilidade urbana, educação, saúde, mercado de trabalho e proteção social possui conhecimento prático sobre essas políticas públicas.
Essa vivência pode contribuir para ampliar o debate legislativo e enriquecer a formulação de propostas voltadas à inclusão e à igualdade de oportunidades.
Ao mesmo tempo, pessoas com deficiência, assim como quaisquer outras candidatas ou candidatos, precisam conquistar a confiança do eleitorado por meio de suas propostas, trajetórias e capacidade de representação.
O desafio para os partidos políticos
O crescimento expressivo do eleitorado com deficiência também representa um sinal para os partidos políticos.
Além de dialogar com esse segmento durante as campanhas eleitorais, cresce a expectativa de que as legendas ampliem oportunidades para candidaturas de pessoas com deficiência e promovam maior diversidade na composição de suas chapas.
Fortalecer a participação política desse público pode contribuir para que os espaços de poder reflitam, de forma mais ampla, a diversidade presente na sociedade brasileira.
Democracia também é garantir o direito de representar
A democracia se fortalece quando todos os cidadãos têm condições não apenas de exercer o direito ao voto, mas também de disputar cargos públicos em igualdade de oportunidades.
O aumento do número de eleitores com deficiência representa uma conquista importante para a cidadania brasileira.
O próximo passo é ampliar, cada vez mais, a participação desse segmento nos espaços de representação política, permitindo que diferentes experiências de vida contribuam para a construção de políticas públicas mais inclusivas e para o fortalecimento da democracia.
Por Samoel Andrade

