Marina Ruy Barbosa explica recusa em raspar o cabelo em “Amor à Vida” e revela conversa com Walcyr
Mais de uma década depois, Marina explicou que a decisão não teve relação apenas com uma questão estética
Marina Ruy Barbosa (Foto: Reprodução/Youtube GloboNews | Pod I)
Marina Ruy Barbosa abriu o jogo sobre uma das maiores polêmicas de sua trajetória na televisão. Em entrevista ao podcast “Pod I”, da GloboNews, comandado pela jornalista Andréia Sadi, a atriz relembrou a repercussão em torno de sua decisão de não raspar o cabelo para interpretar Nicole Assis em “Amor à Vida”, novela exibida pela Globo em 2013. Aos 17 anos na época, ela contou que chegou a temer que a escolha prejudicasse sua carreira e afirmou que a decisão foi tomada após conversas com a emissora.
Na trama de Walcyr Carrasco, Nicole era uma jovem órfã diagnosticada com leucemia em estágio terminal. Inicialmente, a personagem teria uma trajetória marcada pelo tratamento contra a doença e pela perda dos cabelos, consequência da quimioterapia. A possibilidade de Marina raspar a cabeça, porém, acabou se tornando um dos assuntos mais comentados da novela. A atriz optou por não realizar a mudança radical no visual. Na época, a decisão provocou forte repercussão e chegou a alimentar críticas de que Marina não estaria suficientemente comprometida com a personagem. Como consequência na história, Nicole morreu pouco tempo depois e passou a aparecer como uma espécie de fantasma ao longo da novela, sem falas.
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Marina Ruy Barbosa e Andréia SadiFoto: Reprodução/Youtube GloboNews | Pod I Marina Ruy BarbosaFoto: Reprodução/Youtube GloboNews | Pod I Marina Ruy BarbosaFoto: Reprodução/Youtube GloboNews | Pod I Marina Ruy BarbosaFoto: Reprodução/Youtube GloboNews | Pod I
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Mais de uma década depois, Marina explicou que a decisão não teve relação apenas com uma questão estética. Segundo ela, o que pesou foi a forma como a proposta havia mudado desde o momento em que aceitou o papel e a falta de um propósito que justificasse, para ela, uma transformação tão grande.
“Eu sempre tive uma personalidade muito forte, mas que não significa difícil. Mas, assim, eu sempre tive uma personalidade muito forte de coisas que eu não abro mão, que não têm negociação. Tipo… passar por situações onde eu não me sinto, por exemplo, dizer não para alguma coisa que não faz sentido. Eu vou contar uma história antiga, mas que me perseguiu durante muito tempo, que é a história da novela do Walcyr Carrasco, que tinha a questão de raspar ou não a cabeça. Eu tinha 17 anos e, quando a gente está numa obra dessa, a gente sabe que tudo pode mudar. Mas, quando me chamaram para fazer a novela, ia ser uma coisa, me explicaram outra coisa, de repente as coisas foram mudando e indo para um outro caminho”, iniciou Marina.
“Naquele momento, se fosse algo que realmente tivesse uma importância, que, além do entretenimento, tivesse uma mensagem de trazer informação sobre prevenção, que tivesse uma campanha social envolvida, eu acho que faria todo o sentido e tudo bem. Só que as coisas foram indo para um outro lugar e aí, ao meu redor, virou uma coisa assim: ‘Marina não é atriz de verdade, porque ela não raspou a cabeça para o personagem, não raspou o cabelo’. Só que, assim, tudo depende, tudo é muito relativo, sabe?”, continuou.
“E, naquele momento, eu não tinha acesso. Hoje, ainda bem, as coisas mudaram muito também. Hoje em dia é muito mais fácil você ter uma conversa com o autor com quem você está trabalhando. Antigamente era assim [difícil]. Eu tinha 17 anos, era um dos meus primeiros papéis mais adultos, apesar de ser menor de idade”, completou.
A atriz também afirmou que avaliou cuidadosamente as possíveis consequências profissionais antes de tomar a decisão. Marina contou que chegou a questionar se a recusa poderia fazer com que ela perdesse oportunidades ou ficasse marcada negativamente no mercado.
“Eu penso muito antes de tomar uma decisão. Eu penso, penso, penso e, quando eu tomo a decisão, quando eu tenho certeza dos argumentos e acredito neles, o meu não é poderoso, é embasado. Porque eu sou muito comprometida com o meu trabalho, sempre fui, desde pequena, até um pouco demais nesse sentido de querer dar o meu melhor, de ter autocrítica comigo mesma. Então, era um momento que eu tive muito medo de: ‘Será que isso vai definir a minha carreira?’, ‘Será que eu não vou ter mais oportunidades?’, ‘Será que eu vou ficar estigmatizada por isso?’. Na época, eu realmente fiquei com essa dúvida. Mas, conversando também com a própria Globo, a gente viu que não fazia sentido, que seria uma coisa muito pontual e que não ia ter embasamento suficiente de tudo isso que era previsto de ação social, de conscientização, e que ia ficar mais só pelo entretenimento. Então, em uma conversa muito franca com a Globo, a gente chegou nessa conclusão de que realmente não precisava”, revelou.
Conversa com Walcyr Carrasco
Anos depois do episódio, Marina decidiu tomar a iniciativa de procurar Walcyr Carrasco para esclarecer o que havia acontecido nos bastidores. Segundo a atriz, o assunto continuava sendo lembrado e ela percebeu que os dois nunca haviam conversado diretamente sobre a situação.
“Anos depois, chegou um momento que eu falei assim: ‘Isso ainda fica rodeando e eu nunca mais conversei com o Walcyr, que era o autor da novela, e às vezes ele nem sabe como foi passado para mim, como estava sendo tratado, como eu estava sendo tratada. O Walcyr é supertalentoso, eu já tinha feito outros trabalhos com ele… Então teve um dia que eu falei assim: ‘Eu vou pegar o telefone do Walcyr e ligar para ele’. E aí eu pedi o telefone para alguém e pensei: se bobear, ele não vai nem atender, porque é um número desconhecido”, contou.
“Aí eu peguei o telefone e falei: ‘Oi, Walcyr! Tudo bem? Aqui é a Marina Ruy Barbosa’. E aí ele: ‘Oi’, sem saber o que vinha pela frente. E eu: ‘Já passou tanto tempo e a gente nunca conversou, né? Eu queria muito conversar com você sobre tudo que aconteceu e por que eu tomei essa decisão. Foi por isso, isso, isso, isso que estava acontecendo nos bastidores, o que foi me passado inicialmente’.Não foi uma questão fútil, foi uma questão também de dramaturgia e, ao mesmo tempo, claro, eu iria abdicar ali, numa fase até difícil, de 17 anos, em que você não é totalmente adulta. E você abdica de uma certa vaidade pelo amor que você tem pelo trabalho, mas isso tem que fazer sentido e ter um propósito”, completou.
Segundo Marina, a conversa com o autor foi positiva e serviu para esclarecer os acontecimentos de anos atrás.
“E foi uma conversa muito boa com o Walcyr, porque a gente esclareceu tudo. E ele falou: ‘Marina, eu adoro seu trabalho, que bom que você me ligou e eu espero que a gente ainda trabalhe juntos’. Então, eu acho que foi muito bom.”
O reencontro por telefone, segundo a atriz, teve um resultado positivo. Walcyr teria afirmado que admirava seu trabalho e manifestado o desejo de voltar a trabalhar com ela.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Karol Gomes.

