Ícone do site YacoNews

Motta próximo a Lula não evita distanciamento nacional do Republicanos

Após derrota no Senado, governo cede para barrar nova pauta-bomba
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mesmo depois do Republicanos optar por não se alinhar a nenhum candidato ao Palácio do Planalto.

A posição do deputado contrasta com a decisão nacional da legenda, embora o partido tenha liberado seus filiados para fazer alianças de acordo com os interesses nos estados.

Motta declarou apoio a Lula na segunda-feira (10/8), seis dias depois da convenção nacional do Republicanos. Na reunião, 17 integrantes do diretório votaram pela neutralidade, nove defenderam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e apenas um votou por uma aliança formal com Lula.

Apoio dividido

Ao anunciar sua posição, Motta disse que havia esperado a definição do partido antes de se manifestar. Segundo o presidente da Câmara, o apoio ao petista acompanha a posição do Republicanos na Paraíba e converge com o que o grupo considera “o melhor para o país”.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles

Dividido entre grupos próximos de Lula e de Flávio, o Republicanos preferiu não fechar uma aliança presidencial e deixou os diretórios estaduais livres para definir seus palanques.

Um exemplo do acordo é que, enquanto Motta se aproximava do Planalto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manteve apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também candidato à Presidência.

Em São Paulo, Tarcísio recebeu Flávio na convenção que confirmou sua candidatura à reeleição. Na Paraíba, Motta integra um grupo político aliado a Lula e tenta fortalecer a candidatura do pai, Nabor Wanderley, ao Senado. O presidente, porém, gravou um vídeo de apoio eleitoral ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), adversário de Nabor na disputa.

A estratégia também tem sido adotada por outras siglas do Centrão nesta eleição. A União Progressista, por exemplo, decidiu ficar neutra para presidente, mas montou alianças com o PL em diversos estados e também integrou palanques ligados ao PT.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todasVer todas as newsletters
3 imagens1 de 3

Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB)

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto2 de 3

Lula tenta ampliar a base de apoio à reeleição e mantém alianças distintas nos estados

Ricardo Stuckert3 de 3

O presidente da Câmara, Hugo Motta, ao lado do presidente Lula

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Relação com o governo

O apoio de Motta também é uma mudança na relação do presidente da Câmara com o governo. Em 2025, o deputado teve episódios de tensão com o Planalto. Um dos principais se deu na discussão sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Depois de negociações com a equipe econômica, Motta pautou a urgência para derrubar o aumento das alíquotas e, posteriormente, a Câmara aprovou a suspensão da medida.

A relação voltou a se desgastar no fim daquele ano, principalmente durante a tramitação do PL Antifacção. A escolha de Guilherme Derrite (PP-SP) para relatar a proposta apresentada pelo governo provocou reação do PT. O líder da bancada, Lindbergh Farias (PT-RJ), chegou a romper politicamente com Motta e disse que o Congresso não era um “grupo de amigos”.

Em 2026, Motta passou a atuar de forma mais próxima da equipe econômica e ajudou o Planalto a evitar derrotas na Câmara. No primeiro semestre, segurou propostas com impacto relevante nas contas públicas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Maria Laura Giuliani.

Sair da versão mobile