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MPF e Receita miram grupo que movimentou R$ 5 bilhões com bets

MPF e Receita miram grupo que movimentou R$ 5 bilhões com bets
José Cruz/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal deflagraram, nesta sexta-feira (28/8), a Operação Jogo de Sombras para apurar suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro na exploração de apostas de quota fixa, as chamadas bets.

A investigação tem como alvo um grupo empresarial responsável por uma plataforma de apostas esportivas que teria movimentado mais de R$ 5 bilhões somente em 2025.

As possíveis irregularidades teriam ocorrido antes e depois da regulamentação do setor no Brasil.

Por determinação judicial, são cumpridos seis mandados de busca e apreensão em João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP). A Justiça também autorizou a apreensão de bens e valores dos investigados.

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da Coluna Manoela Alcântara

Segundo o MPF, o grupo teria criado uma empresa de fachada em Curaçao para simular que a plataforma era operada fora do Brasil antes da regulamentação do mercado.

As atividades no país, no entanto, seriam conduzidas por empresas nacionais ligadas aos investigados.

As apurações também identificaram indícios do uso de instituições de pagamento e de operações financeiras estruturadas para movimentar recursos entre o Brasil e o exterior.

Parte do dinheiro teria retornado ao país como pagamento pela suposta prestação de serviços, em uma possível tentativa de justificar a repatriação dos valores.

Os investigadores suspeitam ainda da utilização de contas bolsão mantidas em fintechs. Esse mecanismo teria dificultado o rastreamento do dinheiro e a identificação dos beneficiários finais das operações.

Embora o grupo tenha obtido autorização para atuar no mercado de apostas em 2025, o MPF e a Receita apontam indícios de que a plataforma já operava anteriormente no Brasil, sem permissão e sem recolher os tributos devidos.

A investigação procura esclarecer também se o dinheiro usado para pagar a outorga exigida para a entrada no mercado regulamentado veio de atividades desenvolvidas no período de atuação irregular.

Após a regulamentação, parte da estrutura montada anteriormente teria sido adaptada para manter mecanismos de sonegação. Uma das suspeitas é de que o grupo declarou ao Fisco despesas fictícias para reduzir indevidamente os tributos devidos a partir de 2025.

Até a última atualização desta reportagem, os investigadores não haviam divulgado o nome da casa de apostas investigada.

Investigação

Esta é a segunda operação de grande porte realizada pelos dois órgãos contra irregularidades no mercado de apostas. Em 13 de agosto, a Operação Arena cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados e teve autorização judicial para bloquear até R$ 1 bilhão em bens e valores.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Pablo Giovanni.

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