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MPF: Mauro Mendes era dono de garimpo que contrabandeou mercúrio

MPF: Mauro Mendes era dono de garimpo que contrabandeou mercúrio
Reprodução/Redes Sociais

A Justiça Federal de Campinas (SP) enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta sexta-feira (14) uma investigação sobre o contrabando de mais de 300 quilos de mercúrio por um garimpo no Mato Grosso depois de o Ministério Público Federal (MPF) encontrar fortes indícios de que o local pertencia ao então governador Mauro Mendes (União) – o político diz que o garimpo tinha o filho como sócio, não mais ele.

Ao pedir o declínio do caso para o STJ, em maio, após uma investigação que estava na 1ª Vara Federal de Campinas (SP), a procuradoria da República escreveu que o pedido decorrida “do envolvimento de autoridade que cometeu os crimes enquanto detinha prerrogativa de foro perante o STJ, o então governador Mauro Mendes”.

De acordo com a investigação, entre os anos de 2022 e 2023, as empresas Mineração Aricá e Kin Mineração adquiriram ao menos 314 kg de mercúrio sem as autorizações necessárias do Ibama, o que tornou a mercadoria ilícita e tipificou o delito de contrabando. O mercúrio contrabandeado era utilizado para produzir ouro, um risco para a saúde e para o meio ambiente.

O contrabando de mercúrio foi investigado pela Operação Hermes HG, deflagrada em duas fases, em dezembro de 2022 e novembro de 2023. Dela partiu uma denúncia do MPF à Vara Federal de Campinas, que recentemente tornou 14 pessoas réus e, nesta sexta, declinou a competência para o SJT para investigar Mauro Mendes, que era governador à época dos fatos e tinha foro privilegiado.

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do Metrópoles

De acordo com o MPF, as mineradoras Kin e Aricá fazem parte do mesmo conglomerado e compravam mercúrio de Arnoldo Veggi, que já era réu por delitos ambientais e agora responde também por formação de organização criminosa e contrabando.

Conversas de Whatsapp anexadas à denúncia mostram que a compra era intermediada por Rafael Pequi e, nas notas fiscais, o mercúrio contrabandeado aparecia como “bola de ferro”. Em um desses diálogos, Pequi entrou em contato com Arnoldo para perguntar quanto ele cobrava para emitir nota fiscal falsa para ser utilizada apenas para uma eventual fiscalização para atender “o cara da Aricá”.

Em outro diálogo pelo Whatsapp, Arnoldo informou ao tio e sócio Alberto Veggi ter feito “nota fiscal de bola lá pro Aricá”. Questionado sobre o que é essa Aricá, respondeu “Garimpo do Mauro Mendes”.

O nome do governador voltou a aparecer em diálogo entre Arnoldo e Rafael Pequi: “Aí ó Dodo, é pra emitir nessa daí, cara. Você pode colocar bola nesse negócio aí e aí ele vai ficar com uma fechada. Tá porra! É do Mauro, cara! Ele é amigo do meu pai, cara.”

O MPF também relata que um funcionário da Aricá, Bruno Kenzo Deitos, disse em depoimento que tinha a impressão que Luis Antônio (Taveira Mendes) era o dono da linha de mineração e que, nas mesmas visitas que Luis Antônio esteve presente, com ele estava Mauro Mendes. Luis Antônio é filho do governador – a coluna Tácio Lorran já havia noticiado a relação dele com as investigações.

A Aricá teve entre suas donas, de 2011 a 2020, a empresa Maney Participações, de Mauro Mendes . Virgínia Mendes, esposa do agora ex-governador, e Luis Antônio, o filho dele, também foram sócios da Aricá.

“Há, portanto, indicativos importantes de que a Mineração Aricá é uma empresa que pertence também a Mauro Mendes, pessoa que detinha, na época dos fatos, a função de governador, e concomitantemente visitava o garimpo referido, demonstrando possível cometimento dos delitos no exercício do cargo eletivo”, apontou o MPF.

Procurado pela coluna, Mauro Mendes, que é candidato ao Senado, disse: “Absurdo dizer que quer investigar por um funcionário disse que me viu visitando a empresa. A empresa do meu filho foi sócio minoritário até 2024. Mais uma sacanagem ou armação. Essa operação Hermes tem três anos e agora vem com essa história a 45 dias da eleição”.

Questionado se ele segue candidato, respondeu: “Por que não seguiria? Armações não me tiram do propósito”. Já se de fato visitou a mineradora: “Visitei centenas de empresas como governador. Se algumas forem investigadas, eu serei pois as visitei?”. Segundo o ex-governador, ele foi sócio da mineradora “há quase 10 anos atrás”.

Mauro Mendes foi alvo de operação da Polícia Federal na semana passada, acusado de se beneficiar de um esquema que moveu dinheiro do caixa do Estado para empresas dele e do deputado federal e seu ex-chefe da Casa Civil Fábio Garcia (União), que depois retirou sua candidatura a vice-governador.

De acordo com a PF, o estado de Mato Grosso, na gestão Mendes, desistiu de uma disputa judicial contra a Oi, em que já tinha sentença transitado em julgado a seu favor, e firmou um acordo para pagar a telefônica com um advogado que havia comprado a dívida da empresa. O dinheiro rapidamente passou a dois fundos administrados pela Master Corretora e, de lá, investido em fundos e empresas ligados aos dois políticos do União Brasil. O advogado, Ricardo Almeida, foi nomeado desembargador, depois, por Mendes.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Demétrio Vecchioli.

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