Mais de seis anos após o assassinato de Mariane Félix do Nascimento, de 14 anos, a Justiça do Acre condenou Ludimila Michele da Silva Monteiro a 27 anos, 4 meses e 15 dias de prisão pelo crime.
A decisão foi proferida pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco. Ludimila foi condenada por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, meio cruel e envolvimento com facções criminosas.
A decisão ainda cabe recurso. Em nota, a defesa afirmou que discorda do resultado e pretende recorrer ao Tribunal de Justiça do Acre (TJAC).
Investigação apontou Ludimila como mandante
Segundo a investigação, Mariane havia deixado o Bonde dos Treze para integrar o Comando Vermelho. Meses depois, ao tentar retornar ao B13, ela teria sido assassinada por integrantes da facção.
A polícia apontou Ludimila como responsável por ordenar o crime. Conforme a investigação, a morte teria sido determinada como represália à tentativa de retorno da adolescente e também para servir de exemplo a outras pessoas que quisessem deixar a organização criminosa.
À época, Ludimila negou ter cometido o homicídio, mas confirmou que havia integrado o Bonde dos Treze até ser presa, em agosto de 2019.
Após deixar o presídio, segundo informações do processo, ela se afastou da facção e passou a morar em Guarulhos (SP).
Quando foi presa preventivamente, Ludimila teria declarado que assumiu ter matado Mariane porque acreditava que isso faria com que ela subisse na hierarquia da facção.
Ludimila foi pronunciada pela Justiça em dezembro de 2025, juntamente com Alexandre da Silva Cunha, apontado como responsável por fazer o encontro da adolescente com os criminosos.
No entanto, ainda em dezembro do ano passado, a Justiça do Acre impronunciou Alexandre. A decisão significa que não foram reconhecidos indícios suficientes de autoria para que ele fosse levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Relembre o assassinato
Mariane foi assassinada em junho de 2019, no Ramal da Zezé, no bairro Belo Jardim II, no Segundo Distrito de Rio Branco.
A adolescente foi atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça e também sofreu perfurações de faca na região do pescoço.
Segundo o relato de um vizinho à Polícia Militar, Mariane estava acompanhada de outras pessoas no quintal da residência. O homem pediu que o grupo deixasse o local porque iria dormir.
Depois de entrar em casa, ele ouviu os disparos, mas não saiu para verificar o que havia acontecido por medo.
O corpo da adolescente só foi encontrado na manhã seguinte. O vizinho e outra pessoa acionaram o Centro Integrado de Operações e Segurança Pública (Ciosp), que solicitou a remoção ao Instituto Médico Legal (IML).
Após o julgamento, os advogados Jair de Medeiros e Carlos Roberto Lima de Medeiros afirmaram que respeitam a decisão dos jurados, mas consideram que o resultado foi contrário às provas apresentadas no processo.
A defesa informou que vai recorrer ao Tribunal de Justiça do Acre e buscar a reforma da decisão.
Com informações do G1 Acre.

