Mulher perde movimentos após sofrer com impacto de montanha russa em SP
Júlia Rimoli, de 28 anos, sofreu traumatismo cranioencefálico após andar na Montezum, em abril; família afirma que ela ainda tem dificuldades de fala e não movimenta o lado esquerdo do corpo
(Montezum, montanha russa do Hopi Hari, está no centro de caso envolvendo mulher que perdeu movimentos aos 28 anos após ida ao brinquedo / Foto: Divulgação)
Uma jovem de 28 anos perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo após sofrer um traumatismo cranioencefálico durante um passeio na montanha-russa Montezum, do Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo. O caso, ocorrido em abril, foi detalhado pelo “Fantástico”, da TV Globo, neste domingo (20/09). Júlia Rimoli estava no parque com o companheiro, João Pedro Bossoni, durante uma viagem do Paraná para São Paulo, quando passou mal durante o trajeto da atração.
Segundo a reportagem, imagens registradas pelas câmeras do parque mostram Júlia consciente durante a subida da montanha-russa. Não há imagens do restante do percurso. Cerca de dois minutos depois, o carrinho retornou à plataforma e a jovem estava desacordada e apresentava convulsões. Funcionários do parque prestaram atendimento e, posteriormente, ela foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo, onde foi levada diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Veja as fotos
Montezum, montanha russa do Hopi Hari, está no centro de caso envolvendo mulher que perdeu movimentos aos 28 anos após ida ao brinquedo / Foto: Divulgação Montezum, montanha russa do Hopi Hari, está no centro de caso envolvendo mulher que perdeu movimentos aos 28 anos após ida ao brinquedo / Foto: Divulgação Montezum, montanha russa do Hopi Hari, está no centro de caso envolvendo mulher que perdeu movimentos aos 28 anos após ida ao brinquedo / Foto: Divulgação Montezum, montanha russa do Hopi Hari, está no centro de caso envolvendo mulher que perdeu movimentos aos 28 anos após ida ao brinquedo / Foto: Divulgação Montezum, montanha russa do Hopi Hari, está no centro de caso envolvendo mulher que perdeu movimentos aos 28 anos após ida ao brinquedo / Foto: Divulgação
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Os exames identificaram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral. Diante da gravidade do quadro, Júlia precisou passar por uma craniectomia descompressiva, procedimento que consiste na retirada temporária de parte do crânio para permitir a expansão do cérebro provocada pelo inchaço. Ela permaneceu internada durante 57 dias e recebeu o diagnóstico de traumatismo cranioencefálico.
De acordo com o neurocirurgião Victor Batistela, ouvido pelo programa, o trauma teria ocorrido por um mecanismo de contragolpe provocado pelos movimentos de aceleração, desaceleração e rotação da cabeça durante o percurso. Segundo o especialista, esse tipo de movimento pode provocar a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais e resultar em hemorragia intracraniana e edema.
A família afirma que Júlia passou por sete cirurgias e continua em processo de reabilitação. Segundo João Pedro, ela perdeu completamente os movimentos do braço e da perna esquerdos, além de apresentar dificuldades de fala e alterações de memória. A mãe e o companheiro se revezam nos cuidados, enquanto a jovem realiza sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.
O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que solicitou uma perícia na montanha-russa para apurar as circunstâncias do episódio. A família também recorreu à Justiça para buscar uma perícia que esclareça as causas do trauma sofrido pela jovem. A investigação ainda está em andamento.
A reportagem também apresentou relatos de outras pessoas que afirmam ter sofrido lesões após andar na Montezum. Em 2018, Nathalia Assenjo Motta sofreu um deslocamento de vértebras cervicais durante o passeio e precisou passar por cirurgia. Ela recuperou os movimentos do corpo, mas ficou com limitações permanentes na mobilidade do pescoço. Em outro caso, ocorrido em 2014, o motoboy Márcio ficou tetraplégico após um acidente relacionado à atração e morreu em 2023 por complicações decorrentes de uma infecção urinária, segundo a reportagem.
O Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional e passa por inspeções anuais, além de seguir a norma brasileira para parques de diversões. O parque também informou que mantém avisos sobre as características e restrições da atração e que Júlia recebeu atendimento imediato após o episódio. Segundo a administração, as despesas relacionadas à internação da jovem foram custeadas pelo parque e um seguro foi disponibilizado à família.
Em relação à investigação, o parque citou ainda um parecer do Ministério Público emitido em agosto de 2026 que, segundo a empresa, não identificou risco coletivo, defeito no projeto ou negligência na operação da Montezum. O procedimento relacionado ao caso de Júlia, entretanto, permanece em andamento.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por João Victor.
