A Anvisa aprovou nesta terça-feira (8) um novo medicamento para prevenção de enxaqueca em adultos com crises frequentes. O Aquipta, à base de atogepanto hidratado, é indicado para casos de enxaqueca episódica ou crônica.
O medicamento será comercializado pela AbbVie Farmacêutica e atua de forma preventiva ao bloquear o CGRP, substância envolvida nos mecanismos de transmissão da dor e das crises de enxaqueca. A indicação é para adultos com pelo menos quatro episódios por mês.
A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União, por meio da Resolução nº 3.458. Foram autorizadas apresentações de 10 mg e 60 mg, ambas com 28 unidades.
Apesar da aprovação, o Aquipta ainda não tem previsão de chegar às farmácias brasileiras. A empresa informou que o produto passará pela análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável pela definição dos preços. O remédio já é comercializado nos Estados Unidos e em países europeus.
A decisão da Anvisa considerou estudos clínicos que avaliaram a eficácia, a segurança e a tolerabilidade do tratamento. No estudo Advance, com cerca de 910 participantes, o uso de 60 mg de atogepanto reduziu em média 4,1 dias de enxaqueca por mês, contra 2,5 dias no grupo placebo. Além disso, 59% dos pacientes tiveram redução de pelo menos 50% nas crises, ante 29% no grupo placebo.
Já o estudo Progress acompanhou aproximadamente 778 adultos com enxaqueca crônica durante 12 semanas. A redução média foi de 6,9 dias de enxaqueca por mês entre os pacientes tratados, contra 5,1 dias no grupo placebo.
O atogepanto age bloqueando a ligação do CGRP ao seu receptor. A substância participa de processos relacionados à dor e às crises de enxaqueca, por isso o medicamento foi desenvolvido para reduzir a frequência dos episódios.
O Aquipta é o segundo medicamento dessa linha aprovado pela Anvisa neste ano. Em maio, a agência autorizou o Nurtec ODT, à base de rimegepanto, que também atua sobre a via do CGRP.
A enxaqueca é uma doença neurológica marcada por crises recorrentes de dor de cabeça, que podem durar de quatro a 72 horas e vir acompanhadas de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 15% da população mundial é afetada pela doença, que pode comprometer trabalho, estudos, rotina familiar e qualidade de vida.

