Sem que inspire expectativa de poder, candidato algum se elege, a não ser comprando votos. Há muitas formas de se comprar votos, mesmo na era das urnas eletrônicas. Deputados federais e senadores contam com 60 bilhões de reais do Orçamento da União para fazer com eles o que quiserem. É o dinheiro das chamadas “emendas parlamentares”, destinado à construção de pequenas obras nos seus redutos eleitorais. Parte dele compra apoios, parte volta para o bolso dos seus donos.
Em dezembro do ano passado, quando seu pai o lançou candidato a presidente — uma vez que fora condenado pela Justiça a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado —, o senador Flávio Bolsonaro, a princípio, inspirou expectativa de poder. O voto dos bolsonaristas raiz aderiu a ele de imediato. O da direita não bolsonarista não tardou a se aproximar dele, assim como o voto de uma parcela dos que se dizem independentes.
Foi em fevereiro que Flávio apareceu pela primeira vez à frente de Lula num levantamento do Instituto Paraná. Quando perguntados em quem votariam para presidente, a maioria dos entrevistados, espontaneamente, respondeu Flávio em simulação de primeiro turno. Quando confrontados com os nomes dos candidatos, 39,6% disseram que votariam em Lula e 35,3% em Flávio, configurando um empate técnico no limite da margem de erro.
O Instituto Gerp, em 24 de junho, deu a Flávio 42% das intenções de voto e a Lula 40% em simulação de segundo turno. E em 22 deste mês, também em segundo turno, 46% para Flávio e 45% para Lula. Ressalte-se que cada instituto dispõe de metodologia própria para a aplicação de suas pesquisas, daí a variação dos percentuais dos candidatos. Comparáveis são apenas os resultados de pesquisas feitas por um mesmo instituto em determinado período.
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do Metrópoles
Divulgada na quarta-feira (15) da semana passada, a pesquisa Quaest, uma das que mais repercutem entre os políticos e os formadores de opinião, mostrou que Lula, no segundo turno, venceria Flávio por 45% a 37%. O detalhamento da pesquisa permite ver em quais grupos de eleitores houve movimentos importantes nas intenções de voto, a saber:
Há empate técnico no Sudeste, mas Lula agora aparece numericamente à frente (40% a 37%) na região onde Flávio chegou a ter 12 pontos de vantagem em abril. A região concentra a maioria dos eleitores do Brasil, com colégios eleitorais populosos como São Paulo (34,1 milhões), Minas Gerais (16,4 milhões) e Rio de Janeiro (12,9 milhões).
O Nordeste segue sendo a região em que Lula tem a maior vantagem (26 pontos), enquanto Flávio continua à frente no Sul (13 pontos).
Lula mantém vantagem entre as mulheres (47% a 34%) e agora aparece numericamente à frente também entre os homens (44% a 40%).
Os dois candidatos estão bem próximos no eleitorado mais jovem (Lula tem 42%, contra 40% de Flávio), e o presidente abriu distância no grupo de 60 anos ou mais (17 pontos).
No recorte por renda, Lula continua com vantagem folgada entre os mais pobres (54% a 29%) e equilibrou o jogo entre os mais ricos (a diferença de 19 pontos a favor de Flávio Bolsonaro em março agora é de apenas um ponto).
Entre os evangélicos, Flávio chegou a ter 37 pontos de vantagem em maio. Ele continua à frente, mas a diferença agora é de 22 pontos.
Amanhã, o Datafolha apresentará os resultados de sua nova rodada de pesquisas. O coração de Flávio bate em ritmo acelerado; o de Lula, nem tanto.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ricardo Noblat.

