O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) têm um inimigo em comum nas eleições deste ano. Para vencer a disputa pela Presidência e subir a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2027, os dois candidatos terão que enfrentar a rejeição altíssima entre os eleitores.
A batalha de rejeições nesta campanha é o tema do quinto vídeo da série de vídeos “Na Boca da Urna”, que ajuda o eleitor a entender melhor como funcionam as eleições no país e quais assuntos estão em alta na disputa deste ano. A série, produzida pelo Metrópoles, tem um vídeo novo a cada semana.
Desta vez, o Metrópoles conta como o fenômeno das rejeições pode impactar as campanhas dos dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto.
Fenômeno histórico
Há vários pleitos, políticos com mais chance de vencer aparecem entre os mais rejeitados pelo eleitorado brasileiro. E é assim desde o início das campanhas eleitorais.
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do Metrópoles SP
Em 2014, Dilma Rousseff (PT) começou a disputa liderando as intenções de voto, mas com 35% de rejeição. Em agosto de 2018, Jair Bolsonaro (PL) era o mais rejeitado, com 39% contra seu nome. E em 2022, a rejeição à Lula, em 37%, só não era maior que a do próprio Bolsonaro, rejeitado por 51% dos eleitores. Os dados são da primeira pesquisa Datafolha depois do início oficial das três campanhas.
Desta vez, a disputa começou no mesmo ritmo. A primeira pesquisa Datafolha desta campanha mostrou que 46% dos eleitores disseram que não votariam em Flávio de jeito nenhum e 45% falaram o mesmo de Lula.
O que explica isso?
Fatores como o nível alto de conhecimento sobre os principais candidatos, as polêmicas envolvendo os políticos, e até a sensação de que um candidato não compartilha os mesmos valores que os seus, podem levar uma pessoa a dizer que não votaria “de jeito nenhum” em alguém.
No caso de Flávio e Lula, os dois são ainda alvo dos chamados antibolsonarismo e antipetismo, como explica o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo.
“Hoje os dois grandes blocos políticos mais fortes do Brasil são o antibolsonarismo e o antipetismo. Mas qual é o mais forte? Depende de uma série de fatores, do contexto, da conjuntura”, diz o professor.
Vencer a rejeição, no entanto, é fundamental para vencer a eleição. Um candidato rejeitado por mais de 50% dos eleitores não tem condições de seguir adiante no pleito. Por isso, os postulantes à Presidência usam algumas armas para reverter o cenário.
Cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Leonardo Avritzer diz que Lula e Flávio começaram o ano colocando suas estratégias em ação.
“Teve a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil reais, o Desenrola… Isso coloca mais dinheiro no bolso dos indivíduos. Em geral o indivíduo mais satisfeito, também fica mais satisfeito com o governo. A estratégia eleitoral do presidente Lula está muito centrada em melhorar isso”, diz Avritzer.
O professor diz que Flávio, por outro lado, tem buscado reverter a rejeição entre as mulheres, onde é mais criticado.
Em ambos os casos, as estratégias têm chances de dar certo porque, apesar da polarização, nem todo eleitor que rejeita um candidato é completamente a favor do que faz o outro.
Enquanto os candidatos tentam reduzir sua rejeição, Melo lembra que a população deve olhar para além da polarização na hora de decidir seus votos, tanto na eleição federal, quanto nas estaduais.
“Você tem aqueles blocos ideológicos e culturais, a favor e contra. E isso é um grande problema porque não se discute nem no governo estadual, nem no governo federal, os problemas. Você não discute educação, saúde”, afirma ele.
Para te ajudar a fugir da polarização, fica a dica: procure os planos de governo dos candidatos no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lá você consegue analisar as propostas de cada um deles para o estado e o país.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Jessica Bernardo.

