@hugobarretophoto
Um ministro do Supremo Tribunal Federal definiu a sessão desta terça-feira como “o pior dia da história do Supremo”. Estudioso da trajetória da Corte, ele costuma rever julgamentos e pesquisar episódios marcantes do tribunal, inclusive do século passado. Para o magistrado, a sessão de ontem já entrou para os anais do STF da pior maneira possível.
No rescaldo do julgamento, ministros ligados a Alexandre de Moraes avaliam que saíram vitoriosos. A questão envolvendo o ministro não chegou a ser analisada, e o pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a votação da questão de ordem que discutia se os casos de Moraes e André Mendonça deveriam tramitar juntos. O grupo também conseguiu demonstrar coesão em plenário.
Mas, na avaliação de um profundo conhecedor do Supremo ouvido pela coluna, trata-se de uma vitória de Pirro. A Corte não respondeu às dúvidas que pesam sobre Moraes e terminou a sessão ainda mais exposta às críticas da sociedade.
O pedido de vista abriu ainda um novo problema. Dino pode ficar com o processo por até 90 dias, mas o caso de André Mendonça está pautado para 23 de setembro. Não faria sentido, segundo essa fonte, examinar primeiro a conduta de Mendonça e deixar para depois as suspeitas que envolvem Moraes.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Foi justamente a alegação de Moraes de que as conclusões contra ele teriam surgido de uma investigação viciada, conduzida por Mendonça, que ligou os dois casos. O Supremo poderia decidir se deve julgá-los juntos ou separadamente. O que não pode fazer é inverter a ordem dos acontecimentos e analisar Mendonça antes de enfrentar as dúvidas sobre Moraes.
A sessão terminou sem resposta para o país e deixou uma pergunta urgente para a próxima semana: Dino devolverá a questão de ordem antes do dia 23 ou o STF retirará da pauta o caso de Mendonça?
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Matheus Leitão.

