A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta sexta-feira (4/9) a adoção de um novo mapa-múndi que mostra a real dimensão da África.
Os países não são obrigados a adotar o mapa. A mudança, liderada pelo Togo e apoiada por países da União Africana, foi aprovada com 164 votos. O único país a se opor foi os Estados Unidos, e tiveram seis abstenções: Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia.
AGORA: Assembleia Geral aprovou por 164 votos resolução “Corrija o mapa”, que busca alterar a representação cartográfica global e mostrar de forma mais justa o tamanho da África, América Latina e Sul da Ásia. Modelos atuais tornam essas regiões proporcionalmente menores. pic.twitter.com/roi4zArFEY
— ONU News Português (@ONUNews) September 4, 2026
O mapa-múndi adotado até então era a projeção de Mercator, datada no século 16 para fins de navegação. Uma das principais críticas ao mapa era a grande distorção que amplia as áreas que estão ao norte e ao sul da linha do Equador e diminui a África, a América Latina e o sul da Ásia.
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do Metrópoles
Dessa forma, a África era representada com um tamanho semelhante ao da Groenlândia, embora seja cerca de 14 vezes maior.
Segundo o texto aprovado, a mudança é importante para uma “justiça cognitiva e reparação memorial”. Robert Dussey, ministro das Relações Exteriores do Togo, destacou que “mapas moldam nossa compreensão do mundo”.
A resolução incentiva governos, escolas, organizações internacionais e empresas de tecnologia a utilizarem a projeção da Terra Igual. Apesar disso, ela reconhece que nenhuma projeção consegue reproduzir perfeitamente a superfície curva da Terra em um plano.
Discussão no Brasil
No ano passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou um mapa-múndi invertido, com o Brasil no centro do mundo e o Sul no topo da imagem. A imagem ressalta que o apontamento dos pontos cardeais é uma convenção cartográfica.
“Alguns estudiosos apontam essa questão da convenção norte-sul com tendo alguns vieses. Por exemplo, temos um viés sutil em que algumas pessoas, ao verem um mapa, com o Norte apontado para cima, atribuem questões boas e valores mais ricos a coisas que estão localizadas na parte superior do mapa. E, ao mesmo tempo atribuem coisas ruins, valores mais baixos de imóveis, e pobreza, a coisas relacionadas no mapa na porção inferior, ou seja, na porção sul do mapa”, explicou a diretora de Geociências do instituto, Maria do Carmo Dias Bueno, em um vídeo publicado no site do IBGE.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Thays Martins.

