A Operação Ptolomeu IV e Umbra da PF no Acre em 2026 mobilizou agentes nesta terça-feira (22) para cumprir mandados relacionados a suspeitas de crimes envolvendo contratos públicos e uma suposta estrutura destinada a obter informações sobre operações policiais. Segundo a Polícia Federal, as ações também resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 1 milhão em dinheiro e em três prisões em flagrante por posse ilegal de armas.
As operações foram deflagradas simultaneamente e têm como alvos pessoas e empresas relacionadas às investigações da Operação Ptolomeu.
PF investiga contratos da nova sede do Imac
Uma das frentes da Operação Ptolomeu IV envolve contratos relacionados à construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).
De acordo com a Polícia Federal, a investigação começou a partir de elementos relacionados à execução da obra e de análises realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU).
A PF informou que a apuração identificou suspeitas de irregularidades na execução contratual e possível prejuízo decorrente de serviços que teriam sido pagos, mas não executados integralmente.
A investigação também analisa a movimentação financeira relacionada às empresas envolvidas e a possibilidade de recursos provenientes dos contratos públicos terem sido utilizados para finalidades particulares ou para o pagamento de vantagens indevidas.
As suspeitas ainda estão em investigação e não representam, por si só, condenação dos envolvidos.
Segunda empresa também é investigada
A Polícia Federal também apura a atuação de uma segunda empresa que teria sido contratada posteriormente para concluir a obra da nova sede do Imac.
Segundo a investigação, foram identificados possíveis vínculos entre pessoas relacionadas à segunda empresa e outras empresas que já haviam aparecido em fases anteriores da Operação Ptolomeu.
A PF investiga se houve uma possível sucessão empresarial e se práticas eventualmente identificadas na primeira contratação teriam continuidade.
Operação Umbra investiga suposta rede para monitorar a PF
Paralelamente à apuração sobre os contratos públicos, a Operação Umbra investiga uma suposta estrutura que teria sido utilizada para obter informações sobre ações da própria Polícia Federal.
Segundo a PF, elementos reunidos durante fases anteriores da Operação Ptolomeu indicaram a existência de um possível núcleo voltado à obtenção de informações sobre operações policiais, deslocamento de equipes e movimentação de viaturas.
A hipótese investigada é que essas informações poderiam ser utilizadas para antecipar diligências e permitir que pessoas investigadas adotassem medidas para dificultar o cumprimento de mandados e outras decisões judiciais.
A investigação também apura a possível participação de pessoas com acesso a informações relacionadas às atividades policiais.
Mandados foram cumpridos em três estados
As diligências ocorreram em municípios do Acre e de outros estados, dentro das medidas autorizadas judicialmente.
Entre os locais mencionados estão Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre; Maringá, no Paraná; e Navegantes, em Santa Catarina.
A operação também envolve medidas de sequestro de bens e valores que poderão ser utilizados para eventual ressarcimento dos cofres públicos, além de outras medidas cautelares determinadas judicialmente.
Investigados podem responder por vários crimes
Conforme a Polícia Federal, as investigações podem resultar em responsabilização por crimes que incluem organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de organização criminosa, de acordo com a participação individual eventualmente comprovada.
A PF ressalta que as apurações continuam e que a identificação de suspeitas durante uma investigação não equivale a uma condenação.
Operação ocorre durante novas fases da investigação
A Operação Ptolomeu é uma investigação de grande extensão conduzida com participação da Polícia Federal e outras instituições. Documentos do STJ registram que fases anteriores envolveram centenas de diligências, análises financeiras e medidas cautelares relacionadas a suspeitas de crimes contra a administração pública.
Em decisão divulgada em maio de 2026, o STJ também registrou que as investigações anteriores apuraram suspeitas de fraudes em licitações e contratos públicos e mencionou análises da CGU sobre possíveis prejuízos aos cofres públicos. A defesa de Gladson Cameli contestou as acusações e alegou nulidades relacionadas às provas.
A nova etapa, segundo a Polícia Federal, amplia a apuração para contratos relacionados à nova sede do Imac e para a suspeita de uma estrutura destinada a dificultar ou antecipar ações de investigação.
