Opinião: Carol Lekker compra briga com Eliana e Sonia Abrão e dá tiro no pé no SBT
Recém-chegada ao “Fofocalizando”, ex-“Fazenda” enfrenta duas figuras de enorme prestígio e história com a emissora
*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
Sonia Abrão e Carol Lekker (Créditos: Reprodução Instagram @soniaabrao e @carollekker_)
Carol Lekker parece não ter entendido ainda onde está pisando. Contratada há poucos meses pelo SBT para integrar o “Fofocalizando”, a ex-participante de “A Fazenda 17” conseguiu, em pouquíssimo tempo, entrar em rota de colisão com dois nomes que têm uma relação afetiva e histórica muito maior com a emissora do que ela: Eliana e Sonia Abrão.
E é justamente aí que Carol pode estar dando um enorme tiro no pé. Primeiro veio a crítica a Eliana. Ao analisar o trabalho da apresentadora na Globo, Carol afirmou que ela estaria “engessada”. Opinião todo mundo pode ter — ainda mais dentro de um programa chamado “Fofocalizando”. O problema é que televisão também é contexto, história e leitura de ambiente.
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Eliana não é simplesmente uma apresentadora que hoje trabalha na concorrência. Foram quase 15 anos comandando os domingos do SBT e construindo uma relação muito próxima com a emissora e com a família Abravanel. Sua saída para a Globo não apagou essa história. Pelo contrário: ela continua sendo tratada como alguém que faz parte de um capítulo importante do canal.
Depois, Carol resolveu responder a Sonia Abrão, que criticou sua postura. Talvez esse seja um terreno ainda mais perigoso porque Sonia pode trabalhar na RedeTV!, mas sua relação com o SBT atravessa décadas. Ela tem proximidade com a família Abravanel, é presença recorrente no Troféu Imprensa e ocupa um lugar de enorme prestígio dentro da emissora. Não por acaso, quando participa da tradicional premiação criada por Silvio Santos, Sonia é tratada como um dos principais nomes do júri.
Mais do que isso: há anos Sonia é um nome que volta e meia aparece no radar do SBT. Não está atualmente na emissora muito mais por uma decisão dela do que por falta de portas abertas. É uma posição bastante diferente daquela ocupada por Carol, que chegou ontem.
Ela foi contratada pelo SBT em fevereiro deste ano, depois de uma participação extremamente controversa em “A Fazenda 17”, da Record. Sua passagem pelo reality foi marcada muito mais pelos conflitos e excessos do que por qualquer habilidade como comunicadora — e terminou, inclusive, em expulsão.
Ainda assim, ganhou uma oportunidade enorme no “Fofocalizando”, o que causou estranhamento. Carol ainda não demonstrou ter repertório, experiência ou jogo de cintura suficientes para ocupar diariamente uma bancada de televisão. Muito menos para comprar todas as brigas que parecem surgir pelo caminho. O estilo explosivo que pode render VT em reality show não necessariamente funciona numa emissora de televisão.
Existe uma diferença enorme entre causar dentro de “A Fazenda” e construir uma carreira no SBT.
O “Fofocalizando” sempre teve personagens fortes, gente que provocava, opinava e eventualmente passava do ponto. Faz parte da natureza do programa. Mas nomes como Mara Maravilha, Lívia Andrade, Leão Lobo, Leo Dias e até Cariúcha tinham, cada um à sua maneira, alguma compreensão do jogo televisivo que estavam jogando.
Carol ainda parece agir como se estivesse confinada e agora resolveu medir forças justamente com pessoas que possuem muito mais história e prestígio dentro da casa onde ela acaba de chegar.
É curioso porque, quando foi contratada, Carol se emocionou, agradeceu pela oportunidade e chegou a dizer que pretendia “vestir a camisa” do SBT. Poucos meses depois, parece não perceber que vestir a camisa de uma emissora também significa conhecer a história do lugar em que se trabalha.
Não se trata de dizer que Eliana ou Sonia Abrão sejam intocáveis. Não são. Podem ser criticadas como qualquer outra figura pública. A questão é outra: é preciso saber comprar brigas. E, principalmente, ter tamanho para sustentá-las.
Neste momento, Carol Lekker está comprando duas de uma vez: com uma apresentadora que ajudou a sustentar os domingos do SBT durante quase 15 anos e com uma jornalista que mantém há décadas uma relação próxima e respeitosa com a família Abravanel.
Para alguém que recebeu o crachá da emissora há poucos meses, parece uma estratégia profissional bastante difícil de entender. A pergunta que fica é simples: afinal, o que Carol Lekker está querendo? Se a intenção é construir uma carreira de longo prazo na televisão, talvez seja hora de perceber que nem toda repercussão é prestígio — e que televisão não é reality show.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Carla Bittencourt.

