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Opinião: “Emergência 53” prova que ainda há muito a explorar nas séries médicas brasileiras

Opinião: “Emergência 53” prova que ainda há muito a explorar nas séries médicas brasileiras

Opinião: “Emergência 53” prova que ainda há muito a explorar nas séries médicas brasileiras

Série do Globoplay encontra identidade própria ao levar a emergência para as ruas e mostra a força de um gênero ainda pouco explorado no país

*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.

Elenco de “Emergência 53”, nova série do Globoplay (Globoplay / Laura Campenella)

É praticamente impossível assistir a “Emergência 53” sem lembrar de “Sob Pressão”. E isso não é um problema. Muito pelo contrário. A nova série do Globoplay carrega o DNA de uma das melhores produções já realizadas pela Globo nos últimos anos, mas encontra rapidamente sua própria identidade.

Claudio Torres, Andrucha Waddington e o médico Márcio Maranhão, nomes que estiveram por trás de “Sob Pressão”, voltam a mergulhar no universo da saúde pública. Só que, desta vez, saem dos corredores de um hospital e colocam a emergência dentro de uma ambulância — e, principalmente, nas ruas. É justamente aí que está um dos grandes acertos de “Emergência 53”.

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Se “Sob Pressão” transformava um hospital público em uma espécie de microcosmo do Brasil, “Emergência 53” tem a possibilidade de percorrer esse Brasil. A ambulância vai aonde a emergência estiver. E isso permite que a série atravesse classes sociais, territórios e realidades completamente diferentes sem que essa diversidade pareça artificialmente colocada no roteiro.

A cada chamado, uma porta se abre para uma história. Pode ser uma comunidade, uma casa luxuosa, uma rua tomada pelo caos ou um cenário em que os próprios socorristas correm perigo. O paciente deixa de ser apenas alguém que chega numa maca. Antes disso, existe um ambiente, uma família, uma circunstância e, muitas vezes, um problema social muito maior do que aquele que pode ser resolvido com medicamentos.

Essa escolha também dá a “Emergência 53” uma adrenalina impressionante. A câmera se movimenta, a cidade participa da ação e existe constantemente a sensação de que o relógio está correndo. Para quem trabalha numa unidade móvel de urgência, alguns minutos podem determinar se alguém vive ou morre. A série sabe explorar muito bem essa tensão sem transformar tudo em espetáculo.

Talvez esse seja o maior mérito de seus realizadores. Há ação, mas há humanidade. Assim como acontecia em “Sob Pressão”, os casos médicos não existem apenas para provocar suspense. Eles dizem alguma coisa sobre as pessoas e sobre o país em que essas pessoas vivem. A saúde pública novamente funciona como uma lente para observar desigualdade, violência, preconceitos, conflitos familiares e escolhas morais.

E existe algo muito brasileiro nisso. “Emergência 53” não tenta reproduzir o modelo americano das séries médicas. Não são corredores impecáveis, profissionais idealizados e casos mirabolantes embalados apenas por romances. Há improviso, falta de tempo, risco, exaustão e profissionais obrigados a tomar decisões em condições que estão muito longe das ideais.

Ao mesmo tempo, a série toma uma decisão importante: não transforma esses profissionais em santos. Irene (Yara de Novaes), Pedro (Emilio Dantas), Glória (Heloísa Jorge), Manuela (Valentina Herszage), Vanessa (Raquel Villar), Átila (William Nascimento), Vandam (Jaffar Bambirra), Duda (Ana Hikari) e Lucinéia (Thaissa Carvalho) chegam ao trabalho carregando suas próprias contradições. Alguns erram feio. Outros escondem segredos. Há ambição, culpa, problemas familiares, questões de saúde mental, dinheiro, fé, sexo e relações amorosas.

Eles salvam vidas, mas não necessariamente sabem organizar as próprias. É uma ótima escolha porque impede que “Emergência 53” vire apenas uma sucessão de resgates. Aos poucos, o espectador passa a querer saber não apenas quem sobreviverá ao chamado daquela vez, mas o que acontecerá com quem está dentro da ambulância.

“Emergência 53” consegue ainda algo que “Sob Pressão” fazia maravilhosamente bem: criar tensão sem perder a emoção. O espectador pode estar acompanhando uma ocorrência de enorme gravidade e, pouco depois, ser levado para um drama íntimo de um dos personagens sem sentir que entrou em outra série.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Carla Bittencourt.

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