Opinião: Nicolas Prattes cresce com lado sombrio de Mirinho em “A Nobreza do Amor”
Ator transforma o cafajeste divertido do início da novela em um vilão cada vez mais sombrio sem perder a essência do personagem
*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
Mirinho (Nicolas Prattes) em “A Nobreza do Amor” (Reprodução/Globo)
Nicolas Prattes começou “A Nobreza do Amor” fazendo rir, mas nesta segunda-feira (7), o ator mostrou que Mirinho também poderia fazê-lo crescer no drama. Expulso de casa pelo próprio pai, Casemiro (Cássio Gabus Mendes), depois de ultrapassar todos os limites em sua perseguição a Tonho (Ronald Sotto), o personagem proporcionou ao ator uma das melhores sequências de sua trajetória na novela das seis.
E talvez esteja justamente aí o maior acerto do trabalho de Nicolas. Mirinho mudou muito ao longo dos últimos meses, mas nunca pareceu outro personagem.
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Quando “A Nobreza do Amor” estreou, Mirinho era essencialmente um cafajeste. Mimado, mulherengo, irresponsável e sustentado pelo dinheiro do pai, funcionava muitas vezes como alívio cômico. Nicolas entendeu rapidamente o tom. Deu ao personagem um jeito debochado, uma arrogância quase infantil e um charme que tornavam divertido assistir até às suas piores atitudes.
Era uma composição perigosa. Um pouco mais de exagero poderia transformar Mirinho numa caricatura; um pouco menos poderia fazer dele apenas um sujeito desagradável. Nicolas encontrou um meio-termo e fez com que o público pudesse detestar Mirinho e, ainda assim, querer vê-lo em cena.
Só que os autores Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr. foram aumentando a temperatura do personagem. A rivalidade com Tonho deixou de ser apenas uma disputa amorosa por Alika (Duda Santos). O ciúme virou obsessão, a inconsequência virou crueldade e Mirinho passou a atravessar limites cada vez mais graves, até chegar ao ponto de contratar um capanga para matar o rival.
Foi aí que Nicolas precisou fazer uma transição importante. O Mirinho engraçado do começo não poderia simplesmente desaparecer para dar lugar a um vilão convencional. E não desapareceu.
Ainda estão lá o orgulho, a petulância, a incapacidade de admitir uma derrota e, sobretudo, aquela certeza quase infantil de que Mirinho sempre encontrará uma maneira de escapar das consequências de seus atos. O humor diminuiu, a sombra aumentou, mas a essência permaneceu. Isso é construção de personagem.
A expulsão do engenho por Casemiro sintetizou muito bem esse amadurecimento do trabalho de Nicolas. Diante da decepção do pai, Mirinho poderia finalmente desmoronar, pedir perdão ou assumir o que fez. Não é quem ele é. Mesmo perdendo casa, dinheiro e a proteção paterna, continua agarrado ao orgulho.
E Nicolas trabalha essa arrogância sem impedir que apareça algo por baixo dela. Pela primeira vez, aquele rapaz que sempre viveu protegido pelo sobrenome, pelo dinheiro e, principalmente, pelo amor incondicional da mãe começa a perceber que seus atos têm consequências que nem Graça (Fabiana Karla) consegue apagar.
O ator já havia antecipado que a novela entraria numa fase em que apareceria um Mirinho “mais sombrio”, frio e disposto a colocar em prática aquilo que antes estava mais no campo da ameaça. É exatamente essa passagem que torna seu trabalho mais interessante agora.
Há ainda outro mérito. Nicolas Prattes chegou a “A Nobreza do Amor” carregando uma imagem fortemente associada ao galã e ao protagonista romântico. Mirinho é seu primeiro antagonista em novelas e lhe permitiu trabalhar ferramentas que nem sempre seus personagens anteriores exigiram: cinismo, comicidade, dissimulação, arrogância e, agora, uma agressividade mais evidente.
Não é pouca coisa conseguir fazer um personagem atravessar tantos registros sem perder a unidade.
E a queda de Mirinho ainda promete render. Fora da casa do pai, ele não baixará a cabeça. Vai mentir para Marta e Virgínia (Theresa Fonseca), dizendo que decidiu sair do engenho por vontade própria, e continuará provocando Tonho. Casemiro, por sua vez, deixará claro que não pretende perdoá-lo.
É coerente que seja assim. Mirinho não seria Mirinho se aprendesse a lição na primeira consequência. Seis meses depois da estreia de “A Nobreza do Amor”, Nicolas Prattes confirma algo que já começava a aparecer nos primeiros capítulos: o melhor presente que a novela lhe deu não foi simplesmente interpretar um vilão. Foi permitir que ele construísse um personagem que começou quase como um cafajeste cômico e, aos poucos, revelou algo muito mais sombrio.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Carla Bittencourt.

