Aos 78 anos, Padre Guilherme já se considera mais manciolimense do que alemão. Há 37 anos em Mâncio Lima, construiu no município uma vida entre a igreja, o sítio e a produção rural. Hoje, também acompanha de perto o trabalho do Deracre nos ramais da região.
A governadora Mailza Assis destaca a importância desses caminhos para quem vive e produz no campo.
“Os ramais são muito importantes para o produtor. É por eles que a produção sai, que as pessoas chegam e que a vida das comunidades continua. Quando conseguimos melhorar esses acessos, estamos ajudando diretamente quem vive e trabalha na zona rural”, afirmou Mailza.
Padre Guilherme chegou a Mâncio Lima depois de transferências determinadas pelo bispo. O tempo fez com que criasse uma relação forte com o município. Foi também ali que levou a vida para o campo, criando peixes, gado e outras atividades de produção.
A piscicultura acompanhou parte dessa trajetória. Quando a atividade ainda começava a ganhar espaço entre os produtores da região, Padre Guilherme chegou a construir mais de 20 tanques no sítio. Hoje, mantém cerca de 9 mil pés de café e pretende ampliar o plantio.
“Estou há mais de 50 anos no Brasil e, quando vim para Mâncio Lima, fui conhecendo essa realidade. Aqui temos um município de muita produção: café, piscicultura, gado, hortaliças. Então, os ramais são como as veias por onde essa produção circula.”
É a partir dessa experiência que ele acompanha os serviços realizados pelo Deracre. O ramal faz parte da rotina de quem precisa chegar à propriedade, levar insumos e tirar o que produz.
“Quando o acesso melhora, melhora também para quem produz e para as pessoas chegarem.”
O caminho até a Fazenda da Esperança
O ramal que passa pela propriedade de Padre Guilherme também dá acesso à Fazenda da Esperança, onde cerca de 30 pessoas são acolhidas durante o processo de recuperação da dependência química. O local atende moradores de Mâncio Lima e de outros municípios do Vale do Juruá.
Familiares, visitantes e equipes utilizam o mesmo acesso para chegar à Fazenda. Moradores e produtores da região também dependem desse caminho. A recuperação desses acessos faz parte do trabalho realizado pelo Deracre nos ramais de Mâncio Lima.
Para Mailza, manter essas estradas em condições de tráfego ajuda a aproximar as comunidades rurais da cidade e das atividades que sustentam essas famílias. Padre Guilherme já acompanhou serviços realizados pelo Deracre na região, incluindo intervenções em pontos do ramal e a construção de uma pequena ponte. Ele conhece o efeito dessas melhorias para quem passa pelo caminho.
“Quando o Deracre chega, recupera um ponto crítico, ajeita uma ponte, melhora o acesso, isso não beneficia só uma pessoa. Beneficia a comunidade inteira, o produtor que precisa tirar sua produção, a família que precisa chegar em casa, quem precisa vir à Fazenda da Esperança e tantas outras pessoas.”
Na Fazenda, a produção rural também faz parte da rotina dos acolhidos. Plantar, cuidar das criações e participar das atividades da propriedade são formas de ocupar os dias e aprender um trabalho. Padre Guilherme vê nessa rotina uma possibilidade de preparar os jovens para uma nova etapa da vida. A intenção é ampliar as atividades e criar oportunidades para que eles também possam aprender e produzir.
“Nossa motivação é criar trabalho e possibilidades para esses jovens. Quando eles têm uma atividade, aprendem um trabalho e participam da produção, isso ajuda muito. É uma oportunidade para eles investirem em alguma coisa e construírem uma nova vida.”
Quando um trecho para, o ramal para
Padre Guilherme também conhece os trechos que mais exigem atenção quando chega o inverno. Por isso, vê no trabalho realizado pelo Deracre durante o verão uma oportunidade de preparar esses caminhos para o período de chuvas.
Em um ramal de 30 quilômetros, segundo ele, um único trecho pode comprometer a passagem. Por isso, considera importante que as equipes consigam chegar aos pontos que mais precisam de serviço antes das chuvas.
“Esses pontos críticos têm que ser vistos com muito carinho. No verão, quando as equipes conseguem trabalhar melhor, é importante chegar nesses locais que podem trazer dificuldade no inverno. Às vezes, em um ramal de 30 quilômetros, tem um ponto que, se cortar, acaba com todo o acesso.”
Padre Guilherme diz que procura o Deracre quando precisa de atendimento no acesso utilizado pela comunidade e reconhece a resposta das equipes.
“Quando chamamos, dentro do possível somos atendidos.”
Para ele, a recuperação de um ponto crítico, a melhoria de uma ponte ou a passagem liberada beneficia quem utiliza aquela estrada todos os dias.
Quem está na máquina
Padre Guilherme também presta atenção nos operadores que passam horas trabalhando nos ramais. Ele fala do esforço de quem está dentro das máquinas e acompanha os serviços sob o sol e em jornadas que podem se estender até a noite.
O trabalho dessas equipes está nas frentes que o Deracre mantém nos ramais de Mâncio Lima. A governadora Mailza Assis também destaca a importância de manter os trabalhadores em campo para que os serviços cheguem às comunidades.
Padre Guilherme resume sua percepção em uma palavra que faz parte da sua maneira de falar sobre a vida: gratidão.
“Eu vejo muito trabalho bem feito e, por isso, sempre digo que existe uma palavra mágica para mim: gratidão. Eu fico brincando que tudo que você agradece cresce, e tudo que você esquece desaparece.”
A chegada das máquinas também tem um significado particular para ele. Padre Guilherme interpreta esses momentos pela fé que acompanha sua vida religiosa.
“Eu penso muito que muitas coisas que acontecem por acaso, para quem tem fé, podem ser providenciais. Tudo Deus aproveita para provar a sua misericórdia. Então, a sensação que a gente tem quando vê um maquinário chegando aqui é de que Deus está olhando para nós, que não estamos abandonados.”
Padre Guilherme agradece às equipes que trabalham nos ramais e diz que a recuperação dos acessos traz mais tranquilidade para quem vive e produz na região.
“Em nome de todos os moradores desses ramais, fica a nossa gratidão. Vocês já têm ajudado bastante para que a gente possa ter mais tranquilidade e continuar trabalhando, produzindo e vivendo por aqui. E, se Deus quiser, que esse trabalho continue por muitos anos.”

