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Pais acorrentam filho em Rio Branco para protegê-lo das drogas e pedem ajuda

Pais acorrentam filho em Rio Branco durante crise relacionada ao uso de drogas e pedem ajuda.

Foto: Reprodução/TV 5.

Os pais chegaram ao extremo de manter o próprio filho acorrentado dentro de casa, em Rio Branco, durante crises provocadas pelo uso de drogas. Moradores do Ramal da Garapeira, no Segundo Distrito da capital, Zeneide Soares e Raimundo Nonato afirmam estar esgotados após anos tentando conseguir tratamento adequado para R. Z., de 32 anos.

Segundo os pais, o filho enfrenta problemas relacionados ao consumo de cocaína, maconha e crack há cerca de 12 anos. Antes de o vício se agravar, ele trabalhava como roçador, mas acabou deixando o emprego e passou a apresentar alterações severas de comportamento durante períodos de crise e abstinência.

A família relata que, nesses momentos, R. fica extremamente agressivo, quebra objetos dentro de casa e obriga os pais a esconderem objetos que possam ser usados para ferir alguém. Diante da situação, os familiares chegaram a utilizar uma corrente de ferro de aproximadamente cinco metros, presa a uma parede da residência, para impedir que ele saísse durante os períodos de maior descontrole.

O casal afirma que também teme pela vida do próprio filho. R. tem três passagens pela polícia e já passou por uma ala psiquiátrica de presídio. Em 2016, segundo os familiares, ele foi atingido por seis tiros durante uma emboscada. Em julho deste ano, teria sido espancado novamente na rua por causa de dívidas relacionadas à compra de drogas.

Raimundo conta que a família recebeu ameaças e que, segundo o relato apresentado pelos pais, integrantes de uma facção criminosa teriam pedido que R. permanecesse dentro de casa por causa das dívidas. Diante do risco, os pais dizem ter entendido que mantê-lo em casa seria uma forma de evitar que algo ainda mais grave acontecesse.

A situação, no entanto, chegou ao limite depois da última crise. R. permaneceu cinco dias internado na UPA do Segundo Distrito após apresentar um quadro de psicose associado ao consumo excessivo de drogas. Depois da alta, os pais tentaram mantê-lo acorrentado por três dias, mas afirmam que ele ficou ainda mais revoltado e transtornado.

Sem condições de continuar com a medida, o casal decidiu soltá-lo. Desde então, segundo Zeneide, a família vive novamente sob tensão. A mãe afirma que o filho chegou a sair de casa e teria sido agredido novamente.

A família também reclama da dificuldade para conseguir um diagnóstico psiquiátrico definitivo e um tratamento contínuo. Ao longo dos anos, os pais relatam diversas passagens por unidades de saúde e pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps), mas afirmam que ainda não conseguiram uma avaliação especializada que indique o tratamento necessário.

Segundo a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), o atendimento para obtenção de diagnóstico e definição de medicação deve começar em uma unidade básica de saúde. A partir da avaliação inicial, o paciente pode ser encaminhado para a Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), onde poderá passar por avaliação psiquiátrica.

Aos 56 e 48 anos, Raimundo e Zeneide vivem de trabalhos informais e dizem não ter mais forças para enfrentar sozinhos a situação. Eles pedem apoio das autoridades para conseguir uma vaga em um serviço especializado e encontrar uma alternativa segura para o tratamento do filho.

“Queria que a Secretaria de Saúde, o Ministério Público e a Defensoria fizessem alguma coisa por mim”, desabafou Zeneide, ao relatar o sofrimento vivido pela família.

O caso expõe uma realidade marcada pela dependência química, crises de saúde mental, violência e falta de alternativas percebidas pela família para garantir a segurança do filho. Enquanto busca ajuda, o casal afirma que continua vivendo com medo de que uma nova crise termine em uma tragédia.

Com informações do G1 Acre.

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