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Para parte da elite, não basta que o rico ganhe: o pobre tem de perder

Para parte da elite, não basta que o rico ganhe: o pobre tem de perder
Para parte da elite, não basta que o rico ganhe: o pobre tem de perder

Ai, ai… Lula chamou o Secretário de Estado do EUA, Marco Rubio, para o pau. Fez muito bem. Quando “uzamericânu” bateram o martelo em favor das tarifas contra o nosso país, aquele sociopata que se quer o “Imperador da Venezuela, Cuba e Mares e Terras Adjacentes” resolveu atacar o presidente brasileiro, culpando-o pela decisão de Washington. Obviamente mentia o homem que deu o “green card” a Eduardo Bolsonaro. Parece que a superdotação intelectual do Zero Três está na raiz da decisão…

Tudo o que a “famiglia” fez em defesa dos interesses do “Imperador do Norte” já começa a ter uma paga. Caso Flávio vença, imaginem quanto valerão as relações de troca envolvendo terras raras, Pix e hostilidade à China.

Pode ser o começo de uma nova, digamos, espécie no Brasil: o “Bolsonarianus reptans” — o “Bolsonariano rastejante”. Que promete colonizar o país do Oiapoque ao Chuí. Passaria a ser tão frequente no país como a “Periplaneta americana” — conhecida como barata de esgoto ou barata voadora.

Queriam o quê? Um mínimo de honestidade intelectual obriga a reconhecer que Trump impôs ao Canadá tarifas ainda mais severas do aquelas que atingem o Brasil. Ao mesmo tempo, Jamieson Greer anuncia, numa interpretação livre: “Nosso negócio é taxar mesmo; danem-se; estamos aqui para destruir o capitalismo; não adianta Lula lutar para tentar salvar esse modelo…’

Que gente bizarra!

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do Metrópoles

Parte do empresariado brasileiro começa a perceber quem pode, no fim das contas, atender a seus interesses. E olhem que os bacanas, com seus ternos ruins, nem precisam ler “História e Consciência de Classe”, do marxista Lukács, como já cheguei a recomendar aqui.

Alguém tem alguma boa explicação para que continuem, ainda que pelo distanciamento silencioso, a ser reverentes à Família Bolsonaro e a seu incrível histórico de iniquidades? Será que o hábito faz o monge? Os tais terninhos ruins…? Ah, acho que terei de apelar a Millôr:

“O aumento da canalhice é o resultado da má distribuição de renda”.

É genial na sua desconstrução do que a alguns pareceria óbvio, não é mesmo?

Só agora esses bravos perceberam que os Bolsonaros já ofereceram a Trump as terras raras, o Pix, a soberania e tudo o que respira?

Não obstante, parte desses valentes, com seus paletós cafonas, continuará a aplaudir um Romeu Zema  — e, no sábado, na convenção do PL, a Javier Milei —, quando o sacripanta atacar o Bolsa Família, o fim da jornada 6 X 1 e qualquer coisa que cheire a benefício aos que têm menos.

Conseguimos criar a única elite endinheirada do mundo, com apartamento ou casa em Miami, que tem inveja dos pobres. Não basta que ela ganhe. Também é preciso, para a sua satisfação, que os miseráveis percam. Na eleição de outubro, com o perdão do clichê, também se escolhe entre civilização e barbárie.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Reinaldo Azevedo.

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