Um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), preso no Centro de Detenção Provisória IV de Pinheiros, na zona oeste da capital, é apontado como o suposto responsável por determinar o ataque contra o oficial da Polícia Militar (PM), ocorrido em 27 de junho na região do ABC.
A informação consta de uma denúncia recebida pelo Disque Denúncia (181) e encaminhada às forças de segurança. Segundo documentos obtidos pelo Metrópoles, a Polícia Civil de São Paulo passou a apurar o relato e outras informações relacionadas ao planejamento do crime.
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Policiais no pátio do Batalhão Tobias de Aguiar
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PMs da Rota
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Batalhão de choque já matou 8 supostamente envolvidos em ataque a tenente
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PMs da Rota durante ronda
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Arte/Alfredo Henrique/Metrópoles
Por ainda haver incerteza sobre a autoria intelectual do atentado, o nome do suposto mandante será preservado nesta reportagem.
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do Metrópoles SP
O registro afirma que o integrante da facção teria transmitido as ordens por intermédio de pessoas que estavam fora da prisão. Ele também teria ligação com membros da alta cúpula da facção. O relato ainda menciona que comparsas teriam providenciado apoio financeiro e operacional para a emboscada contra o tenente.
A denúncia foi classificada como de alta prioridade e relacionada diretamente ao atentado sofrido por Pimentel. Ao analisar o registro, a Polícia Militar confirmou que o homem indicado estava preso preventivamente no CDP IV de Pinheiros desde setembro de 2025.
Ordem da facção
O denunciante afirmou que a motivação do ataque seria uma “ordem da facção” e que o comando teria sido enviado “de dentro da cadeia”.
Outros relatos recebidos pelo canal 181 indicaram que pessoas ligadas à “sintonia final de rua” do PCC, além de lideranças criminosas da zona leste e da favela de Heliópolis, na zona sul, teriam participado das articulações relacionadas ao atentado.
A Polícia Civil descreve o caso como uma “empreitada criminosa complexa”, com vários participantes e divisão de funções. Segundo o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), dois homens foram encarregados de executar os disparos, enquanto outros suspeitos atuaram no apoio e na logística da fuga.
Pimentel foi atacado em 27 de junho, enquanto aguardava a abertura de um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul (assista abaixo). Dois homens chegaram em uma motocicleta e um deles atirou contra a cabeça do oficial, que estava fora de serviço e sem farda. O tenente foi internado em estado grave.
Peça-chave foi morta pela Rota
A motivação do atentado ainda não foi esclarecida. Um dos homens que poderiam ajudar nisso era Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, apontado como piloto da motocicleta usada pelos atiradores.
Nego Zum foi morto em uma suposta troca de tiros com policiais da Rota, a mesma tropa de Pimentel. A Polícia Civil só foi comunicada horas depois.
Como revelou o Metrópoles, a ação “silenciou” uma peça-chave para que os investigadores descobrissem quem ordenou o ataque e por quê. Ele é um dos sete mortos pela Rota desde o início das apurações do caso.
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Golias segue foragido
O principal suspeito de efetuar os disparos, Hércules da Costa Siqueira, o Golias, continuava foragido até a publicação desta reportagem.
Ele fugiu acompanhado da esposa, Cláudia Ferreira Ramos, e das filhas. Registros em vídeo mostraram a família durante a fuga em uma estrada de terra em Peruíbe, no litoral paulista.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo oferece recompensa de R$ 50 mil por informações que levem ao paradeiro dele. Golias também teve o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
Mais de R$ 30 milhões
O integrante do PCC citado como possível mandante do atentado também responde a um processo em Pernambuco por organização criminosa armada, tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.
De acordo com denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ele atuava como principal fornecedor de pasta-base de cocaína, enviando-a de São Paulo para uma organização que distribuía drogas em Pernambuco e no Ceará.
A acusação afirma que o preso movimentou mais de R$ 30 milhões entre 2021 e 2024. Durante buscas, a Polícia Federal (PF) encontrou na residência dele aproximadamente R$ 135 mil em espécie, munições, balanças de precisão e uma máquina de contar dinheiro.
As suspeitas de que ele tenha ordenado o atentado contra Pimentel ainda são investigadas pela polícia.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alfredo Henrique.

