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Pela 1ª vez, lula translúcida com ovos é filmada no Atlântico Norte

Pela 1ª vez, lula translúcida com ovos é filmada no Atlântico Norte
Polar BLAST/Paige Maroni/Tim Macdonald

Uma missão exploratória no Atlântico Norte conseguiu, de forma inédita, filmar uma lula-de-cauda-curta-ártica (Rossia moelleri) acompanhada de seus ovos. O registro foi realizado perto do Parque Nacional do Nordeste da Groenlândia e ocorreu por meio de um veículo subaquático operado remotamente, visto que o animal costuma estar presente em grandes profundidades.

Pertencente ao grupo dos cefalópodes, o animal em questão tem corpo quase transparente e seus tons puxam para o roxo, azul e laranja. Com cerca de 10 cm de comprimento, acredita-se que a transparência é usada na natureza para camuflagem contra predadores. Quanto aos ovos, eles foram encontrados agrupados em três conjuntos diferentes. Estima-se que, ao todo, havia pouco mais de 100.

O achado faz parte da missão polar BLAST, uma iniciativa científica internacional que visa explorar e estudar a biodiversidade marinha em ambientes extremos e remotos de águas geladas. Os resultados foram publicados na revista Polar Biology no início de julho.

“A lula e os ovos foram registrados a uma profundidade de 50 metros em água com temperatura em torno de −1,6 °C, o que destaca a resiliência da vida marinha em um dos ambientes mais extremos da Terra”, aponta uma das autoras do estudo, Paige Maroni, em entrevista ao portal da revista de divulgação científica Discover Magazine.

De acordo com os pesquisadores, achar um exemplar de lula-de-cauda-curta é importante para entender como funcionam os hábitos de vida da espécie. Apesar de 68 espécies já terem sido descritas, ainda há lacunas sobre vários aspectos, visto que se trata de um exemplar que vive em ambientes remotos e de difícil acesso.

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Além disso, como respondem rápido às mudanças no ecossistema, elas são consideradas bons indicadores de como está a saúde do ambiente. A importância cresce, especialmente, em um momento em que as águas geladas têm se aquecido cada vez mais devido ao aquecimento global.

A descoberta ganha mais relevância por ter encontrado uma espécie rara e ainda com ovos, o que pode revelar mais detalhes sobre como funciona o processo de reprodução do grupo em si. Novos estudos deverão ser realizados a fim de compreender mais particularidades em relação à lula-de-cauda-curta-ártica.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Jorge Agle.

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