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PF investiga origem da informação sobre falsa carga recorde de cocaína

PF investiga origem da informação sobre falsa carga recorde de cocaína
Reprodução

A Polícia Federal (PF) abriu uma nova frente de investigação para esclarecer quem deu origem à informação de que uma carga de madeira apreendida em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estaria impregnada com cocaína e quais interesses motivaram a divulgação da suspeita.

A apuração foi instaurada após perícias oficiais concluírem que as amostras analisadas não continham cocaína nem qualquer outra substância de interesse forense, mudando completamente o rumo do caso.

A Operação Timber Shield foi deflagrada em 21 de junho, quando aproximadamente 260 toneladas de madeira de aroeira foram retidas em Corumbá (MS) e Cáceres (MT) sob a suspeita de que estariam impregnadas com cocaína líquida destinada ao tráfico internacional. A ação contou com a participação da Receita Federal, do Exército Brasileiro e de autoridades da Bolívia e dos Estados Unidos.

Na ocasião, a carga chegou a ser anunciada publicamente como a maior apreensão de cocaína da história do Brasil. A conclusão dos exames periciais, porém, alterou completamente o objeto da investigação.

Os laudos elaborados pelo Instituto Nacional de Criminalística são categóricos. Em um deles, o perito afirma que “os exames realizados na amostra não identificaram qualquer substância de interesse forense”.

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da Coluna Mirelle Pinheiro

Nas conclusões das demais perícias, a Polícia Federal registra que “os exames realizados em todas as amostras analisadas (fragmentos dos pedaços de madeira) resultaram NEGATIVAS para COCAÍNA, bem como para qualquer outra substância de interesse forense com as técnicas e metodologias aplicadas”.

Para afastar qualquer dúvida sobre a confiabilidade dos resultados, os peritos realizaram experimentos adicionais utilizando cocaína-padrão nas próprias amostras de madeira. Os testes confirmaram que o método empregado era suficientemente sensível para detectar a droga caso ela estivesse presente, inclusive em baixas concentrações.

As análises identificaram apenas compostos naturalmente encontrados em materiais vegetais, entre eles nonanal, esqualeno, sitosterol e cicloeucalenol, sem qualquer indício de substâncias entorpecentes.

Nova linha de investigação

Com a inexistência de cocaína confirmada pelas perícias, a Polícia Federal passou a investigar as circunstâncias que deram origem à operação.

Entre os principais pontos da apuração estão a verificação da informação de que a madeira estaria impregnada com cocaína, a origem dos dados de inteligência que motivaram a investigação, quem forneceu ou divulgou essas informações e com qual interesse, diante da ausência de indícios materiais de droga nas amostras examinadas.

Os investigadores também apuram a eventual prática do crime de comunicação falsa de crime, além da possível existência de crimes ambientais relacionados à carga de madeira e de outros delitos que possam surgir no decorrer das diligências.

A abertura da nova investigação não significa que a PF tenha descartado completamente outras hipóteses criminais relacionadas ao caso. O objetivo, segundo os documentos da investigação, é esclarecer o que efetivamente ocorreu com a carga de madeira e quais fatos deram origem à operação que mobilizou autoridades brasileiras e estrangeiras.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Mirelle Pinheiro.

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