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PF suspeita que Roberta Luchsinger tinha autorização para agir em nome de Lulinha

PF suspeita que Roberta Luchsinger tinha autorização para agir em nome de Lulinha
Arte/Metrópoles sobre fotos de reprodução/Instagram

A Polícia Federal (PF) afirma que a lobista Roberta Luchsinger aparentava ter autorização para agir em nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A conclusão consta em relatório produzido no âmbito de um novo inquérito instaurado para investigar suspeitas de tráfico de influência envolvendo os dois.

Em uma conversa com Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (MDB-MA), Roberta teria afirmado ser representante de Lulinha ao tratar de negócios junto ao governo federal.

“Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio”, escreveu a lobista, segundo mensagens obtidas pelo Estadão e divulgadas nesta terça-feira (18/8). A partir do conteúdo, a PF registrou no relatório que “aparentemente Roberta tinha autorização para agir em nome dele”.

Os diálogos foram utilizados pela corporação para embasar a abertura de três inquéritos destinados a apurar suspeitas envolvendo a atuação de Roberta e Lulinha em negócios com o governo federal. O primeiro investiga possíveis relações com o Ministério da Saúde. O segundo apura suspeitas relacionadas à Dataprev, empresa de tecnologia do governo.

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O terceiro também trata de negócios da dupla em outra área da administração federal.

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Roberta Luchsinger, Fábio Lula (Lulinha) e Cleber Ribas

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Conversa entre Lulinha e Roberta Luchsinger revela que filho do presidente partipava de reuniões com núcleo-duro de Lula

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Lulinha

Reprodução

O Metrópoles procurou a defesa de Lulinha para comentar as informações, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

Mensagens citam negócios no governo

Gustavo Gaspar, interlocutor de Roberta na conversa mencionada pela PF, é ex-assessor do senador Weverton Rocha e também foi alvo das investigações relacionadas aos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A PF suspeita que Gaspar tenha se associado ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e participado da prospecção de negócios junto ao governo federal em conjunto com Roberta.

As investigações que envolvem Lulinha e Roberta tiveram origem em elementos recolhidos durante a apuração da chamada Operação Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

A relação entre Lulinha, Roberta e o Careca do INSS já havia sido objeto de reportagens do Metrópoles, na coluna Tácio Lorran.

A coluna revelou que Roberta e o Careca do INSS atuaram juntos na tentativa de fazer lobby no Ministério da Saúde em favor de uma empresa de tecnologia e de uma companhia de cannabis. Os dois estiveram na pasta em ocasiões distintas, inclusive no mesmo dia, para tratar de negócios.

Posteriormente, a coluna também revelou que o Careca do INSS e Lulinha estiveram em Madri e Lisboa nas mesmas datas em pelo menos três ocasiões. Roberta participou de duas dessas viagens, segundo documentos da PF obtidos pela reportagem.

R$ 1,5 milhão para Roberta

Outro elemento que aparece nas investigações é o repasse de aproximadamente R$ 1,5 milhão feito pelo Careca do INSS a Roberta Luchsinger.

Segundo documentos da PF divulgados pelo Metrópoles, em uma das transferências, de R$ 300 mil, Antunes teria dito que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”, expressão que a investigação considera como uma possível referência a Lulinha.

A defesa de Lulinha nega que ele tenha recebido valores do empresário e rejeita a hipótese de que os dois fossem sócios ocultos.

Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito para investigar suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Lulinha em negócios relacionados à cannabis medicinal no Ministério da Saúde. A investigação tramita sob sigilo.

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Joias para ex-chefe de gabinete de Lula

As novas informações também incluem diálogos entre Roberta e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete da Presidência da República.

Segundo o Estadão, as conversas tratavam de pagamentos de boletos e do custeio de despesas de Marcola. Ele afirmou anteriormente que os valores faziam parte de um empréstimo e que devolveu R$ 249 mil a Roberta para quitá-lo.

Conforme mensagens divulgadas, Roberta chegou a repassar a Marcola informações tratadas com a vendedora das peças. “Ela sugeriu um brilhante. Vai mandar”, escreveu, antes de enviar uma fotografia das joias.

Na mesma conversa, Roberta encaminhou uma minuta de contrato relacionada à venda de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde. Segundo a PF, o envio poderia representar uma tentativa de obter auxílio do assessor presidencial para viabilizar o negócio.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Manuela de Moura.

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