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PMs presos por vender escolta privada chamavam comerciantes de “padrinhos”

PM faz operação para desarticular plano do CV de invadir território rival
Fernando Frazão/Agência Brasil

Os três policiais militares do Rio de Janeiro (RJ) alvos de mandados de prisão cumpridos em operação do Ministério Público do Rio nesta quinta-feira (10/9) chamavam de “padrinhos” os comerciantes que pagavam por policiamento privilegiado. Eles foram denunciados pelo crime de corrupção passiva militar.

De acordo com o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), o trio recebeu e negociou, entre agosto e setembro de 2021, pagamentos para oferecer escolta privada à Clínica Fênix, localizada em Belford Roxo.

O MPRJ aponta que o estabelecimento fazia parte da rede de comerciantes que pagavam os militares para receber atendimento diferenciado.

Em troca do dinheiro, os policiais direcionavam o patrulhamento, priorizavam esses locais nas rotas e compareciam quando acionados, utilizando a estrutura da Polícia Militar para atender a interesses privados.

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da Coluna Mirelle Pinheiro

No caso da clínica, a investigação identificou o pagamento de R$ 50 e tratativas para que o valor chegasse a R$ 100. Mensagens extraídas do celular de um dos denunciados mostram os envolvidos discutindo a diferença entre o valor pago e o que teria sido combinado.

Em uma das conversas, um dos PMs afirma que “na vez dele foi galo”, expressão usada, segundo o Ministério Público, para se referir a R$ 50, e diz ter entendido que o acordo seria de R$ 100. O outro denunciado também relata ter recebido R$ 50.

Divisões de tarefas

As investigações apontaram que um dos policiais intermediava a relação com a clínica, negociava os valores e coordenava o atendimento pelas diferentes equipes. Outro acompanhava as tratativas e os pagamentos.

O terceiro teria realizado patrulhamento direcionado ao estabelecimento, enviado ao grupo de WhatsApp fotos da atuação no local e recebido pessoalmente R$ 50.

Os fatos ocorreram entre setembro e outubro de 2021, quando os três integravam o 39º Batalhão da PM (Belford Roxo). Um deles foi expulso da corporação após o oferecimento da denúncia. A denúncia foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.

A operação

Dois dos policiais denunciados já estavam presos em razão de outro processo decorrente da mesma investigação.

Os mandados contra eles foram cumpridos no Batalhão Especial Prisional (Bep) e no presídio Joaquim Ferreira de Souza. O terceiro policial foi preso em casa, no bairro Parque Rosário, em Nova Iguaçu.

Esta é a sexta fase da Operação Patrinus, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaesp/MPRJ) e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). A ação contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen).

A Patrinus teve início em maio de 2024, a partir de uma investigação envolvendo policiais militares do 39º BPM, em Belford Roxo.

A análise de celulares apreendidos revelou novos integrantes e outras práticas criminosas, dando origem a sucessivos desdobramentos.

Em agosto de 2025, 10 policiais militares foram presos acusados de achacar comerciantes.

Em maio deste ano, o Gaesp denunciou 11 policiais por receberem propina para prestar segurança a estabelecimentos durante o expediente.

No mês seguinte, quatro PMs foram denunciados por peculato e comércio ilegal de arma de fogo, acusados de vender uma pistola apreendida durante uma ocorrência e dividir o dinheiro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Letícia Guedes.

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