O relator, ministro André Mendonça, retirou o sigilo da ação que continha informações sobre o vínculo entre o também ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro na terça-feira (1º/9). Dentre as informações tornadas públicas, estão diálogos entre ambos, incluindo uma mensagem enviada antes de o empresário ser preso. “Acha que 2ª tenho que estar fora?”, questionou Vorcaro.
Essa e outras interações foram suficientes para inflamar os corredores cheios do Congresso Nacional e ofuscar discussões de pautas relevantes que estavam em votação. Ao menos três novos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes foram anunciados durante o período.
Apesar de ser uma reivindicação histórica do bolsonarismo à qual Alcolumbre nunca atendeu, a incidência do ano eleitoral deixou o ambiente mais propenso a rusgas públicas e críticas mais incisivas do que o habitual. Nas palavras de um líder partidário ouvido pelo Metrópoles sob reserva, “virou briga de bar”.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com Flávio Bolsonaro ao lado
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Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro
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Alcolumbre e Flávio Bolsonaro (PL)
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Alcolumbre e Flávio Bolsonaro (PL)
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Manifestação de Alcolumbre sobre o caso
Na última quarta-feira (2/9), em meio à sessão deliberativa do plenário, Alcolumbre fez uma rara manifestação mirando diretamente aliados e o próprio filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele defendeu Moraes ao citar o caso em que Flávio pediu mais de R$ 130 milhões a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.
“Vou voltar para a pauta aqui, porque, senão, vou ter que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Eu acho… Apenas um comentário, no momento adequado, vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e, agora, o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes. Mas vou fazer um relato de tudo o que quero falar”, declarou o senador.
Flávio não estava no plenário no momento da declaração, nem o líder da oposição e coordenador da campanha Rogério Marinho (PL-RN), que tem mantido uma relação relativamente próxima e cordial com o presidente da Casa. Ambos se reuniram em diversas ocasiões na presidência do Senado.
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Piora do clima no Senado
Nos dias seguintes, o clima não amenizou, pelo contrário. A situação piorou na quinta-feira (3/9), quando Alexandre de Moraes usou o Inquérito das Fake News para pedir ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que André Mendonça fosse investigado sob a alegação de “fortes indícios” de crimes que teriam sido cometidos por ele.
Na mesma decisão, Moraes disse que Mendonça mirou, além dele, o próprio Alcolumbre.
Dois dias depois de ter citado o caso Dark Horse, Flávio devolveu o ataque e disse que o presidente do Senado “está muito interessado” em proteger Alexandre de Moraes e a ele próprio, em detrimento da instituição, e defendeu a atuação de André Mendonça.
“Vejo que o Davi Alcolumbre está muito preocupado, assim como Alexandre de Moraes, com a sua autoproteção. Eu lamento que ele tenha feito uma reunião longa com Moraes na terça. Eu acho que ele se equivocou ao querer proteger um amigo, ao invés de proteger a instituição, está perdendo uma grande oportunidade de resgatar a credibilidade do Senado”, disse Flávio.
Já no ato realizado na Avenida Paulista nesse feriado de 7 de Setembro, Flávio poupou o presidente do Senado, mas aliados, não. O presidenciável voltou a pedir o impeachment de Moraes e disse que uma “laranja podre não pode contaminar uma Corte inteira”, enquanto nomes como Nikolas Ferreria (PL-MG) direcionaram críticas a Alcolumbre.
O deputado mineiro disse que irá fazer uma manifestação “na casa do Alcolumbre” em Macapá, no estado natal do senador, para pressionar pelo impeachment de Moraes.
Tramitação de pedidos de impeachment
- A Lei nº 1.079/50, conhecida como Lei do Impeachment, determina que qualquer pessoa pode apresentar uma denúncia contra ministros do Supremo ou contra o procurador-geral da República por crimes de responsabilidade.
- Cabe ao Senado o julgamento dessas autoridades se acusadas de crimes.
- Os pedidos devem ser despachados pelo presidente do Senado à advocacia da Casa, que deverá dar um parecer técnico.
- Depois vai para a Comissão Diretora, composta pelo presidente, vice-presidentes e secretários.
- O requerimento deverá, então, ser lido no plenário da Casa e passará a ser analisado por uma comissão especial.
- O grupo, composto por senadores indicados pelos líderes partidários seguindo a proporção, terá até 10 dias para decidir se admite a denúncia ou não.
- O acusado tem direito à ampla defesa durante as diligências e deverá responder às acusações também dentro do prazo desses 10 dias.
- O parecer deve ser apreciado em plenário em votação nominal por maioria simples. Se a acusação for aceita, o magistrado fica afastado das funções até a sentença final.
- Para o julgamento, os senadores deverão responder se o acusado cometeu o crime que lhe é imputado. Se a resposta “sim” tiver dois terços dos votos, o presidente ainda consultará o plenário se o acusado poderá ficar 5 anos afastado de qualquer função pública.
- Um pedido contra ministros do STF nunca foi aprovado na história.
Eleição, Messias e a reeleição
Alcolumbre é conhecido pelo trato fácil e habilidade política, que lhe permitiu ser eleito ao comando do Senado em 2025 com 73 dos 81 votos, com apoio do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do PL de Jair e Flávio Bolsonaro. Ao longo do mandato, ele tem oscilado entre um lado e outro
Nos primeiros meses de 2025, o senador manteve uma relação muito próxima ao governo Lula, mas isso sem antagonizar com a oposição. No início de 2026, porém, acudiu à oposição para emplacar a rejeição de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto à dosimetria que poderia beneficiar Jair Bolsonaro.
Nos últimos meses, Lula e Alcolumbre se reaproximaram, e o presidente do Senado decidiu destravar as pautas que estava segurando e que eram de interesse do governo Lula à frente da reeleição que o petista tenta conquistar no pleito de outubro contra Flávio Bolsonaro.
A reaproximação com Lula e as trocas de acusações pelo envolvimento de Moraes, Alcolumbre e Flávio com o Banco Master fez com que um eventual apoio do PL na disputa à presidência do Senado em 2027 fique remota, e o partido quer ter força suficiente para decidir o rumo da Casa.
Planos do PL no Senado
O Partido Liberal é a legenda que tem o maior número de candidatos ao Senado nas eleições de 2026. A legenda do candidato à Presidência pelo partido, Flávio Bolsonaro, tem 33 nomes registrados na Justiça Eleitoral, o que representa 10,4% do total de postulantes nesta disputa, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Líderes do partido no Congresso passaram a dizer que, enquanto Alcolumbre for presidente, o impeachment do ministro “nunca será despachado”. O partido estima ter entre 26 e 28 cadeiras a partir de 2027. Ou seja, espera eleger entre 10 e 12 senadores. Hoje o PL já tem a maior bancada da Casa, com 16 senadores.
Neste ano, o Senado renova dois terços da sua composição. O mandato de senador é de oito anos, com cada estado tendo direito a três cadeiras – duas delas renovadas em uma eleição e uma na seguinte. A ideia é que a casa represente previsibilidade e continuidade.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Luciana Saravia.

