Os candidatos à Presidência da República fizeram, neste sábado (29/8), a primeira aparição no horário eleitoral gratuito no rádio. A propaganda foi transmitida das 7h às 7h12 e contou com quatro presidenciáveis com tempo destinado à exibição de programas em rede. A estreia ficou marcada por ataques entre os candidatos, além da apresentação de seus perfis e ações de governo.
Lula teve o maior espaço, com 5 minutos e 31 segundos. Flávio Bolsonaro teve 4 minutos e 20 segundos, enquanto Caiado contou com 2 minutos e 2 segundos. Augusto Cury teve 35 segundos.
A ordem foi definida por sorteio realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A divisão do tempo considerou o tamanho das bancadas dos partidos no Congresso Nacional e os critérios estabelecidos pela cláusula de desempenho.
Candidatos como Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), além dos demais concorrentes cujas legendas não cumpriam os critérios da cláusula de desempenho, não tiveram tempo na propaganda eleitoral gratuita em rede.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Lula defende continuidade do governo e ataca Flávio Bolsonaro
Em 5 minutos e 31 segundos, Lula usou a propaganda eleitoral gratuita no rádio para defender a continuidade do governo, relembrar sua trajetória política e apresentar ações de sua gestão. Na parte final da peça, a campanha passou a atacar o candidato Flávio Bolsonaro (PL), com referência a Daniel Vorcaro e ao histórico político do senador.
A propaganda começa em formato de entrevista, com Lula falando sobre a importância das eleições. O presidente afirmou que o eleitor precisa pensar na própria qualidade de vida e na de sua família antes de decidir o voto. Segundo ele, o papel de um governo é “cuidar das pessoas”, principalmente das mais vulneráveis.
Na sequência, a peça resgata a trajetória pessoal de Lula, destacando a passagem de torneiro mecânico a presidente da República. A campanha também lista realizações e indicadores econômicos que atribui aos governos petistas, como a criação de universidades e institutos federais, investimentos em creches e escolas em tempo integral e a criação do Pé-de-Meia no atual mandato.
O programa menciona ainda a taxa de desemprego, a inflação acumulada e a saída do Brasil do Mapa da Fome. A mensagem é reforçada pela frase “foi Lula quem fez, Lula quem faz”, em referência às realizações apresentadas na propaganda.
Na segunda parte, a campanha muda o tom e passa a explorar Flávio Bolsonaro. A peça utiliza um áudio do senador relacionado a um pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro. O trecho é usado em uma inserção que também faz referência ao jingle que viralizou nas redes sociais, “Osmarzinho”. A campanha petista já havia utilizado uma adaptação da música para associar Flávio ao episódio envolvendo Vorcaro.
Depois do áudio, a propaganda apresenta o “currículo” político de Flávio.
“Conheça o currículo de Flávio Bolsonaro. Iniciou carreira como funcionário fantasma de um gabinete em Brasília. Denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da Rachadinha”, diz a propaganda.
“Homenageou o líder do maior grupo de matadores de aluguel do Rio de Janeiro. Foi flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões no escândalo do Banco Master. Não dá pra confiar nesse sujeito. Flávio, o pior dos Bolsonaros”, finaliza.
Flávio usa rádio para falar de custo de vida e segurança
Em 4 minutos e 20 segundos, Flávio Bolsonaro usou a propaganda eleitoral gratuita no rádio para apresentar sua trajetória política, falar sobre a família e defender suas propostas para a segurança pública e a economia. A peça foi veiculada em formato de bate-papo, na chamada “Rádio 22”, e não fez ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Você conhece meu pai, mas sabe de quem eu também sou filho? Do Brasil. Somos todos irmãos”, afirmou Flávio. O candidato do PL se apresentou pelo nome completo, sem explorar diretamente o sobrenome Bolsonaro como marca eleitoral.
Na propaganda, Flávio se descreveu como advogado e empresário, casado com Fernanda e pai de Luísa e Carol. Em um dos momentos, foi questionado sobre quem “manda em casa”, ele ou as mulheres da família. “Lá em casa quem manda são elas”, respondeu.
Em seguida, relacionou a força feminina ao desenvolvimento do país: “o Brasil só vai ser melhor, só vai vencer, se as mulheres forem mais fortes e vencerem cada vez mais”. A estratégia ocorre em um segmento do eleitorado no qual o candidato enfrenta maior resistência.
A segurança pública foi outro eixo da mensagem. Flávio afirmou que os brasileiros estão preocupados com a violência e defendeu o combate ao crime. Também mencionou as dificuldades financeiras enfrentadas pela população e disse que os brasileiros estão “endividados” e “no sufoco”.
“Você pode estar de um lado ou de outro, mas todo mundo concorda que o Brasil não está bom do jeito que está. A gente pode mudar essa história. E eu vou te mostrar como a gente vai fazer isso. Vencer o crime, vencer esse sufoco, que ninguém aguenta mais”, declarou.
No encerramento, o candidato reforçou a mensagem de campanha com a frase: “O Brasil vai vencer”.
Caiado destaca trajetória política e segurança pública
Em dois minutos e dois segundos, Ronaldo Caiado dedicou a estreia no horário eleitoral à apresentação de sua trajetória política e à atuação na área de segurança pública. A propaganda também resgatou a carreira do candidato como médico e a passagem pelo governo de Goiás.
A campanha associou a palavra “coragem” à trajetória de Caiado, tanto na medicina quanto na atuação política. O programa também lembrou o início da carreira do candidato como liderança ruralista ligada ao agronegócio. Caiado disputou a Presidência da República em 1989 e, posteriormente, foi deputado federal, senador e governador de Goiás.
A propaganda também citou o casamento de 35 anos de Caiado com Gracinha Caiado. Na sequência, apresentou ações realizadas durante os anos em que ele esteve à frente do governo de Goiás, com destaque para segurança pública, saúde, educação, transporte e uso de inteligência artificial.
A campanha atribuiu a Caiado o enfrentamento de facções criminosas no estado e citou avanços na estrutura de hospitais e escolas. Na segunda metade do programa, o tom mudou. A propaganda passou a fazer críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e relacionou o partido a conflitos no campo e à situação da segurança pública no país.
“Quando o PT começou a invadir a terra de quem plantava, Caiado fez o que ninguém tinha coragem de fazer. Foi o primeiro a enfrentar a esquerda. É guerreiro todo dia”, diz a propaganda.
Augusto Cury apresenta proposta em 35 segundos
Em 35 segundos, Augusto Cury usou a propaganda eleitoral no rádio para criticar a corrupção e se apresentar como uma alternativa ao cenário político atual. O candidato citou episódios de corrupção, como o mensalão, e questionou o eleitor sobre a possibilidade de manter o atual cenário por mais quatro anos.
“É isso que vocês querem? Mais quatro anos?”, afirma Cury na peça. Em seguida, o candidato defende a necessidade de “curar o Brasil”, em uma referência à sua atuação como escritor e especialista em saúde mental.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Giovanna Estrela.

