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Pressão sobre combustíveis pode afetar campanha eleitoral de Lula

Pressão sobre combustíveis pode afetar campanha eleitoral de Lula
Kebec Nogueira/Metrópoles @kebecfotografo

A alta dos combustíveis pode se transformar em um fator de desgaste político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas do ciclo eleitoral.

Com o petróleo pressionado por incertezas externas e o fim gradual de mecanismos de contenção de preços, a equipe econômica tenta evitar um novo choque nas bombas e, por consequência, no bolso do eleitor.

Nos últimos meses, o governo lançou subsídios e desonerações para conter a alta, sobretudo do diesel. A estratégia incluiu a prorrogação de incentivos com o objetivo de evitar repasses imediatos ao consumidor.

O diesel, peça-chave para o transporte de cargas, virou prioridade diante do seu efeito cascata sobre a inflação.

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O cenário internacional, no entanto, segue como uma variável de risco e as tensões geopolíticas recentes elevaram a cotação do petróleo, que fechou em aproximadamente US$ 81 por barril nessa quinta-feira (30/7), e ampliaram a volatilidade no mercado global, reduzindo a previsibilidade para países importadores.

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Preço dos combustíveis

Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP), o preço médio da gasolina na semana passada recuou 0,45% e do gás de cozinha diminuiu 0,12%. Apesar disso, o preço médio do diesel S-10 subiu 0,14%, após semanas em queda.

Mesmo com subsídios, o país continua sujeito às oscilações externas. Analistas apontam que as medidas adotadas funcionam como amortecedores temporários, mas não resolvem o problema estrutural.

Além disso, apesar da prorrogação da Medida Provisória (MP) que sustenta parte dos subsídios, o vencimento da medida está previsto para o início da campanha eleitoral, o que pode ampliar a pressão sobre os preços e o governo.

De acordo com o professor de economia da Strong Business School, Jarbas Thaunahy, embora subsídios e políticas de preços possam amortecer o repasse ao consumidor, eles não eliminam o custo econômico.

“Se o petróleo permanecer em alta e o câmbio continuar pressionado, os combustíveis podem seguir encarecendo, sobretudo caso as medidas de compensação fiscal sejam reduzidas ou encerradas. Se a medida provisória que subsidia os combustíveis perder vigência sem substituição, é provável que ocorra uma recomposição dos preços nas bombas, com impacto direto sobre a inflação e efeitos indiretos sobre transporte, logística e alimentos”, avalia.

Impacto direto na percepção popular

Historicamente, combustíveis têm impacto direto na percepção da população sobre a economia. O aumento no diesel, por exemplo, encarece o frete e tende a pressionar alimentos, ampliando o efeito inflacionário e o desgaste político.

Dentro do governo, a avaliação é de que qualquer movimento brusco pode reverberar rapidamente no humor do eleitor. Setores organizados, como caminhoneiros, costumam reagir com rapidez a aumentos, o que eleva o risco de ruído político.

Com isso, a política de combustíveis deve seguir no centro da estratégia econômica do governo. O tema é um dos principais termômetros da popularidade presidencial em um momento decisivo, como a campanha eleitoral.

Thaunahy aponta que em período eleitoral, uma inflação mais elevada costuma deteriorar a percepção da população sobre o custo de vida e reduzir a sensação de ganho de renda, o que pode pressionar a popularidade do governo.

“Em geral, governos que enfrentam aceleração inflacionária durante campanhas eleitorais tendem a encontrar um ambiente político menos favorável, especialmente quando a alta atinge bens de consumo frequente, como combustíveis e alimentos”, diz ele.

Medidas já anunciadas para conter o preço dos combustíveis

As medidas tem caráter extraordinário e são válidas por dois meses a partir da data de publicação da portaria que impôs a subvenção. Segundo o governo, o objetivo é não ferir a lei eleitoral, que proíbe repasses públicos desse tipo em ano eleitoral, além de manter a despesa controlada para não impactar o resultado primário do país.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Gabriela Pereira.

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