Ícone do site YacoNews

Prestes a vigorar, veto da UE à carne do Brasil deve elevar preço

Prestes a vigorar, veto da UE à carne do Brasil deve elevar preço
Vinícius Schmidt/Metrópoles

A poucos menos de um mês de entrar em vigor, o veto da União Europeia (UE) à carne brasileira aumenta a pressão sobre o mercado de proteína animal e pode contribuir para uma alta dos preços no Brasil.

A medida europeia retira o país da lista de exportadores autorizados a vender determinados produtos de origem animal ao bloco e foi justificada por autoridades europeias por supostas falhas no controle do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva. A restrição passa a valer em 3 de setembro.

A decisão reduz o número de mercados disponíveis para frigoríficos brasileiros e pode provocar uma reorganização da oferta.

A União Europeia é um destino relevante para produtos de maior valor agregado, especialmente cortes premium de carne bovina. Atualmente cerca de 3,7% das exportações do setor são destinadas a UE. No ano passado, foram 128,9 mil toneladas da carne bovina brasileira comprados pelos países europeus.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles

No entanto, com menos compradores internacionais, parte da produção que seria destinada ao exterior pode buscar espaço em outros mercados, enquanto empresas precisam ajustar estratégias comerciais diante da nova restrição.

O governo brasileiro questiona a decisão europeia e afirma que o sistema de controle sanitário nacional atende aos padrões internacionais. A medida também gerou reação no setor produtivo por ocorrer em um momento de aproximação comercial entre Mercosul e UE, após anos de negociação para um acordo entre os blocos.

“A carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo”, avaliou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todasVer todas as newsletters

Entenda a decisão da UE

Cota chinesa sobre a carne brasileira

Além do veto europeu, a cadeia da carne bovina brasileira enfrenta uma nova limitação no principal mercado consumidor externo, a China.

O país asiático estabeleceu uma cota anual para importações de carne bovina e determinou uma tarifa adicional de 55% sobre o volume que ultrapassar o limite definido para cada fornecedor. No caso brasileiro, a cota para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, com a sobretaxa incidindo apenas sobre o excedente.

A medida chinesa não representa uma tarifa exclusiva contra a carne brasileira, mas uma salvaguarda aplicada aos países exportadores que ultrapassarem suas respectivas cotas. Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil recebeu a maior parcela entre os fornecedores e, até a última atualização divulgada pela pasta, cerca de 80% do volume autorizado já havia sido utilizado.

Como a China responde por uma fatia relevante das compras externas de carne bovina brasileira, a limitação tende a reduzir o espaço para crescimento das exportações no curto prazo.

A combinação entre menos acesso ao mercado europeu e restrições adicionais no mercado chinês aumenta a preocupação do setor com uma possível redução da demanda externa.

Oferta e demanda

Com menos compradores disponíveis, frigoríficos podem reduzir o ritmo de produção para evitar excesso de oferta e queda das margens. A lógica é que, diante de uma demanda menor, produzir em volumes elevados pode deixar de ser vantajoso, já que os custos de criação, abate e processamento permanecem elevados enquanto a receita potencial diminui.

Uma menor oferta futura, no entanto, pode ter efeito contrário sobre os preços pagos pelo consumidor brasileiro. Especialistas avaliam que, caso haja redução dos investimentos e dos abates, o mercado pode passar por um ajuste de oferta que pressione as cotações da carne bovina no país.

De acordo com o presidente da Abiec, Roberto Perosa, os preços devem subir em dois meses, ou seja, às vésperas da eleição presidencial, o que pode impactar a campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele explicou que, em um primeiro momento é possível que exista uma diminuição nos preços, no entanto, com a redução na produção, é provável que o preço suba no médio e longo prazo.

O movimento ocorre em um momento de atenção do governo com a inflação dos alimentos, que marcou 1,33% em junho.

Uma eventual alta da carne bovina, que é um dos itens de maior peso simbólico na cesta de consumo das famílias, pode dificultar o cenário inflacionário e aumentar a pressão sobre a política econômica, especialmente em um ano eleitoral.

Apesar de fatores internos, como custos de produção, clima e ciclo pecuário, também influenciarem os preços, o setor acompanha com atenção os efeitos das barreiras comerciais internacionais. A expectativa é que frigoríficos e produtores ajustem a estratégia de produção e exportação conforme a evolução das negociações com a UE e o comportamento da demanda chinesa.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Gabriela Pereira.

Sair da versão mobile