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PSD traça estratégia para Caiado após oficialização de Kassab na vice

Caiado oficializa candidatura de olho em críticas a Flávio e Lula
Luis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova

O PSD passou a colocar em prática suas estratégias para a campanha presidencial de Ronaldo Caiado após a oficialização da chapa puro sangue da legenda com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, como candidato a vice. O sentimento no mundo político é que Caiado precisa crescer nas pesquisas até o início de setembro para não ser abandonado pelos aliados.

Segundo membros do partido, a presença de Kassab na chapa tem como objetivo dar musculatura política à candidatura em diferentes frentes. Uma delas tem relação com a ampla base de prefeitos do PSD, especialmente no interior de São Paulo. Segundo aliados do dirigente partidário, o fato de Kassab estar na chapa obriga os mandatários locais a apoiar e subir no palanque do ex-governador goiano.

O movimento é considerado importante internamente, já que parte considerável do interior paulista é alinhada ao bolsonarismo. Com isso, as lideranças locais ligadas a Kassab se sentiriam impelidas a apoiar Caiado em detrimento de Flávio Bolsonaro (PL).

Fator Tarcísio

Além disso, aliados do presidente do PSD têm trabalhado nos bastidores para aproximar Tarcísio de Caiado, como forma de tornar o movimento mais “confortável” para os prefeitos, que em sua maioria estão na base do governador paulista. A dobradinha foi apelidada pelos políticos de “Carcísio”, em referência ao “Bolsodoria” de 2018.

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A tarefa tem sido desempenhada por figuras que ajudaram na campanha de Tarcísio em 2022, quando Kassab abraçou a campanha do então novato em eleições e tido como “forasteiro” à época.

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Entre esses nomes estão Guilherme Afif Domingos, que é secretário de Projetos Estratégicos de Tarcísio, e Alfredo Cotait, vice-presidente do PSD e presidente Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB). Outro quadro que atua nesse sentido é Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo e próximo de Roberto Carneiro (Republicanos), coordenador da pré-campanha de Tarcísio e atual homem forte da articulação política do governador.

Como sinal de que São Paulo é um dos focos, o PSD instalou o “QG” de campanha de Caiado na sua sede no antigo edifício Joelma, na região central da capital paulista. Segundo um membro do partido, a legenda alugou três andares do prédio para acomodar a equipe.

Apesar disso, aliados de Tarcísio afirmam que ele deve evitar encontros e palanques com Caiado, com receio de não ser taxado de traidor por sua base bolsonarista, que cobra maior empenho do governador paulista na campanha de Flávio. O candidato à reeleição ao governo paulista cancelou sua ida à convenção do PSD no último fim de semana após desgaste com o PL devido à veiculação de um material de divulgação do evento com sua foto ao lado de Caiado.

Diálogo com setores

Outro ponto destacado pelo grupo de Kassab é que o ex-prefeito da capital tem grande entrada em setores econômicos com os quais Caiado não dialoga diretamente, como indústria, comércio e o marcado financeiro. O ex-governador construiu sua trajetória política por meio da defesa dos interesses do agronegócio.

Com isso, Kassab atuará como porta-voz do candidato junto a outros segmentos, especialmente nos grandes centros urbanos.

Estratégia partidária

A entrada de Kassab como vice na chapa presidencial do PSD também faz parte de uma estratégia partidária. Segundo políticos da legenda ouvidos pelo Metrópoles, a ideia é mostrar que a legenda é forte o suficiente para ter uma chapa puro-sangue.

Desde que foi criado, em 2011, o partido se notabilizou pelo fisiologismo e pela capacidade de Kassab em fazer parte de diferentes governos, além de abrigar em suas quadros políticos de diferentes ideologias. Outra característica é o caráter municipalista da legenda, que ano após ano vem aumentando sua base de prefeitos pelo país.

Neste momento, ainda de acordo com membros do PSD, a ideia é passar a mensagem de que o partido pode liderar um projeto de país, já de olho nas próximas eleições, quando a tendência é de um “vácuo político” com a saída de Lula e, possivelmente, a ausência de Bolsonaro na disputa.

Aliados de Kassab, no entanto, alertam que, caso Caiado seja um fracasso de votos, especialmente em São Paulo, se reforçará a ideia de que o dirigente partidário é “ruim de voto” e que sua força política se restringe aos bastidores.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Vinicius Passarelli.

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