Quem é Amora Mautner, a diretora tão elogiada pelo elenco de “Quem Ama Cuida”?
Diretora artística é exaltada pelo elenco por dar liberdade aos atores e abrir espaço para improvisos na novela das nove
*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
A diretora de “Quem Ama Cuida” Amora Mautner com Chay Suede e o autor Walcyr Carrasco (Manoella Mello/Globo)
O nome de Amora Mautner apareceu repetidas vezes durante um encontro do elenco de “Quem Ama Cuida” com jornalistas nesta quinta-feira (3), nos Estúdios Globo. E quase sempre acompanhado de elogios. Ao falarem sobre a construção de seus personagens e sobre a liberdade que encontram para experimentar durante as gravações, os atores acabaram jogando luz sobre uma das principais responsáveis pelo resultado que o público vê na tela.
Diretora artística da novela de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Amora é uma das figuras centrais dos bastidores de “Quem Ama Cuida”. Mais do que comandar a realização do texto, ela estimula o elenco a propor, experimentar e procurar novos caminhos para as cenas — uma característica que acompanha sua trajetória há muitos anos.
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Essa liberdade chegou, inclusive, à relação com o próprio texto. Segundo relatos feitos pelos atores no encontro, Amora conseguiu abrir espaço junto a Walcyr para que determinados cacos e improvisações surgidos durante as gravações fossem incorporados às cenas. É um movimento significativo numa parceria marcada por uma confiança construída ao longo de anos.
Walcyr e Amora já trabalharam juntos em outras produções, e o autor chegou a definir a relação entre eles como quase familiar. Ao falar sobre “Quem Ama Cuida”, ele afirmou que os dois construíram uma relação “como irmãos” e destacou a confiança mútua existente entre eles.
A maneira de trabalhar da diretora também ajuda a explicar por que tantos integrantes do elenco fazem questão de citá-la. A busca por uma interpretação menos engessada é antiga. Ainda nos tempos de “Joia Rara”, Amora explicava que recorria a exercícios de improvisação para tirar os atores da dinâmica tradicional das novelas, muito dependente de posições e movimentos previamente determinados. O objetivo era chegar a uma atuação mais orgânica.
Em “A Regra do Jogo”, de 2015, ela levou essa proposta ainda mais longe. Amora apostou numa estrutura chamada de “caixa cênica”, inspirada também na linguagem dos realities, que permitia maior liberdade de movimentação aos atores e ajudava a câmera a acompanhar a ação em vez de obrigar o intérprete a atuar para posições previamente estabelecidas.
Ou seja: o que acontece hoje em “Quem Ama Cuida” é também resultado de uma forma de dirigir construída ao longo de décadas.
Filha do músico, compositor e escritor Jorge Mautner, Amora começou curiosamente do outro lado da câmera. Ainda adolescente, aos 16 anos, atuou em “Vamp”, em 1991. A experiência como atriz acabou despertando nela o interesse pela direção. Depois de trabalhar como assistente, tornou-se, ainda muito jovem, diretora de “O Cravo e a Rosa”, em 2000.
A partir dali, construiu uma trajetória ligada a algumas das produções mais marcantes da Globo. Passou por novelas como “Celebridade” e “Cordel Encantado” e ganhou cada vez mais espaço dentro da dramaturgia da emissora. Em 2014, chegou ao posto de diretora de núcleo.
Ao longo desse percurso, Amora também desenvolveu uma assinatura facilmente identificável: intensidade, preparação extensa do elenco, preocupação estética e, principalmente, uma relação muito próxima com os atores.
Em “Quem Ama Cuida”, esse método encontrou terreno especialmente fértil. A novela reúne o melodrama característico de Walcyr, o olhar de Claudia Souto e uma direção que não parece interessada apenas em reproduzir o que está escrito no papel. A própria Amora já explicou que enxerga a parceria como uma soma: de um lado, a força do novelão e das grandes emoções trazida por Walcyr; de outro, a contemporaneidade e o olhar feminino acrescentados por Claudia.
Visualmente, sua interferência também atravessa toda a produção. Figurino, caracterização e cenografia foram pensados como parte da narrativa, dentro de uma estética menos naturalista e mais desenhada para a São Paulo retratada pela novela.
Mas talvez seja na relação com os atores que sua presença fique mais evidente.
O que os depoimentos do elenco revelam é uma diretora que não quer simplesmente intérpretes obedecendo a uma marca ou repetindo exatamente aquilo que foi planejado. Amora parece procurar o inesperado que pode surgir durante uma cena — e, quando encontra algo melhor do que estava previsto, luta para que aquilo permaneça.
Talvez esteja justamente aí uma das explicações para a quantidade de elogios que recebeu do elenco nesta quinta-feira. Em uma produção gigantesca e submetida ao ritmo industrial de uma novela das nove, Amora Mautner conseguiu criar a sensação de que ainda existe espaço para experimentar. E, em “Quem Ama Cuida”, os atores parecem não querer abrir mão disso.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Carla Bittencourt.

