O empresário Renan Santos foi oficializado neste sábado (1º) como candidato à Presidência da República pelo partido Missão, durante congresso realizado na Zona Leste de São Paulo. No evento, o candidato apresentou propostas para um eventual governo, fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à família Bolsonaro, além de anunciar candidatos da legenda para governos estaduais.
Em seu discurso, Renan afirmou que pretende construir uma alternativa política independente das duas principais forças que polarizaram as últimas eleições nacionais.
“Quando você se define pelo seu inimigo, você nunca o supera”, afirmou o candidato durante o congresso partidário.
Cinco metas para um eventual governo
Durante o lançamento da candidatura, Renan Santos apresentou cinco objetivos considerados prioritários em seu plano de governo:
- Reduzir o número de homicídios para menos de 10 mil por ano;
- Garantir juros de até 6% ao ano e alcançar superávit nominal nas contas públicas;
- Fazer com que nenhum estado brasileiro tenha mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com emprego formal ao final do mandato;
- Reduzir em 6 mil o número de favelas no país, com a retirada de aproximadamente 8 milhões de pessoas dessas comunidades;
- Garantir que nove em cada dez crianças estejam alfabetizadas.
Segundo o partido, essas metas fazem parte de um conjunto de propostas voltadas para segurança pública, economia, educação e desenvolvimento social.
Campanha aposta em redes sociais
O partido Missão informou que a campanha presidencial será realizada sem coligações e com estrutura reduzida.
A legenda não contará com tempo de propaganda gratuita em rádio e televisão, pois não atingiu a cláusula de desempenho exigida pela legislação eleitoral.
Além disso, o partido terá direito à parcela mínima do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundo Eleitoral), estimada em R$ 3,3 milhões, equivalente a cerca de 0,07% do total destinado às legendas.
Diante desse cenário, a estratégia da campanha será concentrar esforços em:
- participação em debates eleitorais;
- produção de conteúdo para redes sociais;
- viagens por municípios de diferentes regiões do país;
- fortalecimento do engajamento digital.
Convenção foi antecipada
Embora o ato político tenha ocorrido neste sábado, o partido informou que os procedimentos formais da convenção partidária foram realizados em 20 de julho, primeiro dia permitido pelo calendário eleitoral.
Segundo Renan Santos, a antecipação ocorreu para garantir o direito à escolta da Polícia Federal durante a campanha.
O candidato declarou ter recebido ameaças atribuídas ao crime organizado em algumas localidades onde pretende realizar agendas públicas.
Partido lança candidatos aos governos estaduais
Durante o congresso nacional, o Missão também confirmou candidaturas aos governos estaduais.
Foram anunciados nomes para disputar os Executivos de:
- Santa Catarina;
- Paraná;
- Minas Gerais;
- Espírito Santo;
- Rio de Janeiro;
- Mato Grosso;
- Ceará;
- Pernambuco;
- Maranhão.
A legenda afirmou que pretende manter presença política em todos os estados brasileiros durante a campanha eleitoral.
Livro Amarelo e novo instituto
Outro anúncio realizado durante o evento foi o lançamento de uma nova edição do chamado Livro Amarelo, documento que reúne análises políticas e propostas defendidas pelo partido.
Também foi criado o Instituto Livro Amarelo, centro de estudos voltado à elaboração de pesquisas e formulação de políticas públicas.
Segundo a legenda, o objetivo é aprofundar debates sobre temas econômicos, sociais e institucionais.
Ajuste fiscal faz parte do plano de governo
Entre as propostas econômicas apresentadas está a intenção de encaminhar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) voltada à reorganização das contas públicas.
De acordo com o programa de governo, a chamada PEC da Transição prevê um ajuste fiscal estimado em R$ 1,1 trilhão até 2031, incluindo medidas relacionadas à revisão de despesas obrigatórias e alterações em regras de vinculação orçamentária.
As propostas ainda dependeriam de aprovação do Congresso Nacional caso o candidato fosse eleito.
Quem é Renan Santos
Nascido em 1984, em São Paulo, Renan Santos iniciou sua atuação política enquanto cursava Direito na Universidade de São Paulo (USP), graduação que não concluiu.
Posteriormente, passou a atuar no setor empresarial ao lado da família.
Renan é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), organização que ganhou projeção nacional durante as manifestações que antecederam o impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
Em 2018, o movimento apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência. Posteriormente, o grupo rompeu politicamente com o ex-presidente, alegando divergências relacionadas à condução do governo, especialmente nas áreas econômica e de combate à corrupção.
Disputa presidencial segue em formação
A oficialização de Renan Santos amplia o quadro de candidaturas à Presidência da República nas eleições de 2026.
Com o período de convenções partidárias em andamento, outras legendas também definem seus candidatos e alianças para a disputa nacional.
Após as convenções, os pedidos de registro das candidaturas serão analisados pela Justiça Eleitoral antes do início oficial da campanha.

