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Rioprevidência pede, e Justiça bloqueia R$ 123 milhões da Trustee

Rioprevidência pede, e Justiça bloqueia R$ 123 milhões da Trustee
Vinícius Schmidt/Metrópoles

A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de até R$ 135 milhões em bens e ativos de uma série de réus, entre eles a Trustee Distribuidora de Títulos e Valores, de Maurício Quadrado, para preservar um investimento feito pela Rioprevidência no fundo de investimentos Texas I FIA, praticamente totalmente exposto a papeis da Ambipar.

A decisão também exige que Trustee e B3 forneçam detalhes de transações envolvendo o fundo e ações da Ambipar, o que pode ajudar a demonstrar a atuação coordenada em benefício de Nelson Tanure. Trata-se de mais uma conexão entre o escândalo Master e o megainvestidor.

Entre junho e agosto de 2025, o instituto de previdência do funcionalismo do estado do Rio de Janeiro investiu R$ 150 milhões no fundo Texas I, o que na prática significava a compra de ações da Ambipar, que passavam por forte alta. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga uma atuação coordenada entre o Banco Master, o investidor Nelson Tanure e o controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior, para inflar artificialmente esses valores.

Depois de um ano, os papeis sofreram vertiginosa desvalorização. Hoje, valem menos de R$ 15 milhões, o que acabou por causar um rombo na Rioprevidência. A transação é uma das razões de o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, ter se tornado alvo de uma das fases da Operação Carbono Oculto, em maio.

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do Metrópoles

O fundo Texas, que era gerido pela corrretora do Master, teria sido um dos mecanismos usados para aumentar artificialmente o preço da Ambipar, com uma compra em série das ações da empresa, entre 16 de julho e 9 de agosto de 2024. Junto aos fundos Esna e Kyra, o Texas adquiriu participações que concentraram as ações anteriormente em circulação no mercado, reduzindo a quantidade de papéis disponíveis para negociação e, assim, elevando seu preço de forma extraordinária.

A Ambipar, com ações infladas, foi usada por Tanure para comprar a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). Tércio Borlenghi Júnior havia oferecido R$ 10 milhões de ações da Ambipar para a garantia da transação – que chegou aos R$ 760 milhões exigidos pela XP Investimentos como garantia para a estruturação e distribuição de debêntures utilizadas no negócio.

Para a PGE do Rio, a abrupta desvalorização das ações da Ambipar, prejudicando a Rioprevidência, não é fruto de mera volatilidade ordinária, própria do mercado de capitais, mas um “forte indício da gestão temerária”, uma vez ter sido utilizada para elevar artificialmente a partir de captura de recursos do instituto.

Um primeiro pedido do Rio foi negado pela 5ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital, que nesta quinta-feira (23) deferiu um agravo de instrumento da PGE, alegando que o Rio conseguiu demonstrar o perigo na demora por uma decisão, já que o próprio Tribunal de Contas do Estado declarou a entidade inidônea.

A decisão bloqueia R$ 135 milhões da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA., da Axor Asset LTDA (que ofertou os papéis à Rioprevidência), de Alexandre Marchesani Canata (diretor de gestão do fundo) e de Felipe Mota Separovic Rodrigues (diretor de compliance). Também determina que o liquidante da Master Corretora apresente parecer de auditoria externa independente em relação ao fundo Texas I em até 15 dias.

A Justiça ainda terminou que a Trustee apresente relatório que especifique, no período 31 de maio de 2024 a novembro de 2025, cada aquisição, alienação ou resgate de cotas por quaisquer dos cotistas do Texas I, seja por aporte de recursos com emissão de cotas, por aquisição de cota de outro cotista, venda de cota para outro cotista ou resgate de cotas, devendo constar do documento o nome dos cotistas envolvidos na operação e os beneficiários finais, bem como a indicação das datas, dos valores pagos e dos volumes negociados.

Já a B3 deve informar informe todas as transações (compras e vendas) realizadas com ações Ambipar de maio de 2024 a outubro de 2025, indicando a parte compradora, a parte vendedora, o preço de cada negociação e o volume negociado, bem como os beneficiários finais de cada comitente.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Demétrio Vecchioli.

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