Ícone do site YacoNews

Rubio volta aos EUA com acordos e "riquezas" de aliados da América do Sul

Rubio volta aos EUA com acordos e "riquezas" de aliados da América do Sul
Carla Sena/Arte Metrópoles

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, encerrou na quinta-feira (10/9) um giro de três dias pela América do Sul com uma série de acordos e compromissos firmados com Colômbia, Equador e Peru, países governados por líderes alinhados à agenda de segurança e política externa do presidente Donald Trump.

A viagem combinou combate ao narcotráfico, cooperação militar, acesso a minerais críticos, energia, comércio e contenção da influência chinesa na região. Ao longo das três paradas, Rubio anunciou ou acompanhou iniciativas que aproximam os governos sul-americanos da estratégia defendida por Washington para o Hemisfério Ocidental.

Antes de embarcar para a região, o chefe da diplomacia norte-americana resumiu a agenda da viagem ao afirmar que visitaria três países “fortemente alinhados” aos Estados Unidos.

1 de 1Arte Metrópoles

Colômbia amplia parceria com Washington

A primeira parada de Rubio foi a Colômbia, onde se reuniu com o recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella, em Barranquilla. A segurança foi um dos principais temas, com a formalização da entrada de Bogotá no Escudo das Américas, iniciativa liderada por Washington contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles

Os governos também discutiram o reforço da cooperação militar, com compartilhamento de inteligência e equipamentos como radares e drones. Rubio afirmou que Washington tem interesse em ampliar a presença militar no país, inclusive com uma possível instalação americana ou conjunta, decisão que dependeria do governo colombiano.

Na área econômica, os dois países avançaram em acordos sobre minerais críticos e energia nuclear para fins civis, aproximando a Colômbia das cadeias de fornecimento dos EUA de terras raras, lítio e níquel, em uma estratégia para reduzir a dependência de fornecedores chineses.

Rubio também disse que Washington negocia com Bogotá uma revisão das tarifas sobre produtos colombianos. Segundo ele, as tratativas apresentam “bom progresso” e avançaram após o pedido colombiano de suspensão temporária das cobranças, inclusive em meio aos impactos de um terremoto. Atualmente, há uma tarifa adicional de 12,5% sobre determinados produtos, como flores.

Equador vira peça-chave na segurança

No Equador, Rubio se reuniu com o presidente Daniel Noboa, em Quito. A segurança e o combate ao narcotráfico dominaram a agenda.

Durante a visita, os Estados Unidos anunciaram a designação da organização criminosa equatoriana Los Tiguerones como Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) e Terrorista Global Especialmente Designado (SDGT).

A classificação permite ao governo norte-americano ampliar sanções financeiras e bloquear ativos relacionados à organização, além de restringir transações e relações com integrantes do grupo.

Durante o encontro, Noboa também condecorou Rubio com a Ordem Nacional do Mérito, no grau de Grã-Cruz. O secretário elogiou a política de segurança adotada pelo presidente equatoriano e o classificou como um “líder em segurança regional”.

“A função primordial de qualquer governo é a segurança de seu povo. E, quando há ameaças a essa segurança, elas devem ser enfrentadas. Seu presidente está fazendo um trabalho incrível”, afirmou Rubio.

3 imagens1 de 3

Keiko Fujimori e Marco Rubio

Presidência do Peru2 de 3

Marco Rubio e Daniel Noboa

Reprodução/Redes Sociais3 de 3

Abelardo De La Espriella e Marco Rubio

Reprodução/Redes Sociais

Peru adere ao Escudo das Américas

A última etapa da viagem foi o Peru. Em Lima, Rubio se reuniu com a presidente Keiko Fujimori e acompanhou o anúncio da entrada do país no Escudo das Américas.

“Na qualidade de presidente da República do Peru, tenho o prazer de informar à nossa nação que o Peru passará a fazer parte do Escudo das Américas”, declarou Fujimori.

Segundo a presidente, a participação permitirá acelerar o intercâmbio de informações de inteligência e melhorar a coordenação entre os países no combate a organizações criminosas que atuam além das fronteiras.

A iniciativa é apresentada por Washington como uma estrutura de cooperação contra cartéis, narcotráfico e ameaças transnacionais. Na prática, amplia os canais de intercâmbio de inteligência e cooperação militar entre os governos participantes.

O Peru também é estratégico para os Estados Unidos por sua posição no Pacífico e por seus recursos minerais. A região concentra importantes reservas utilizadas por setores tecnológicos e industriais.

China no centro da disputa

Segurança e recursos estratégicos

Os Estados Unidos procuram fortalecer uma rede de parceiros que permita ampliar a cooperação militar, compartilhar inteligência e, simultaneamente, aproximar setores estratégicos das economias locais das cadeias produtivas norte-americanas.

Na Colômbia, o foco inclui minerais críticos e energia. No Equador, a prioridade é a segurança e o combate às organizações criminosas. No Peru, segurança, minerais e infraestrutura se encontram em uma relação direta com a disputa de influência com a China.

O próprio Rubio resumiu a lógica da política externa de Trump ao defender que os Estados Unidos atuem em conjunto com governos que compartilhem da mesma visão sobre segurança.

“Podemos enfrentar essa ameaça em parceria com outros presidentes e outros líderes desta região que pensam da mesma forma”, afirmou.

A aproximação também ocorre em um momento de mudança no mapa político sul-americano. Colômbia, Equador e Peru são hoje governados por administrações de direita e politicamente alinhadas a Trump, o que facilita a construção de uma agenda comum com Washington em áreas como segurança, combate ao narcotráfico, comércio e energia.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Manuela de Moura.

Sair da versão mobile