A decisão do deputado estadual Luiz Gonzaga de deixar o MDB, filiar-se ao Republicanos e apoiar Alan Rick para o Governo do Acre abre uma questão que vai além da disputa majoritária: como fica o MDB sem uma de suas principais lideranças na corrida pela Assembleia Legislativa?
Gonzaga não é um nome qualquer dentro da política acreana. São seis mandatos consecutivos como deputado estadual, além de dois mandatos de vereador em Cruzeiro do Sul e passagem pela presidência da Aleac.
E mesmo tendo decidido não buscar a reeleição em 2026, sua saída tem peso.
MDB perde liderança e potencial puxador de votos
O primeiro impacto é político. O MDB perde uma liderança histórica com forte identificação com o Vale do Juruá, região onde Gonzaga construiu grande parte de sua trajetória.
Mas existe também uma questão eleitoral.
Na eleição para deputado estadual, não basta observar individualmente quem são os candidatos mais votados. As cadeiras são distribuídas pelo sistema proporcional, no qual a votação total obtida pelo partido ou federação tem papel fundamental.
Isso significa que candidatos com grande capacidade eleitoral ajudam a legenda a alcançar o quociente necessário para conquistar cadeiras.
No caso de Gonzaga, porém, há uma particularidade: ele já havia decidido não disputar a reeleição. Portanto, não se pode simplesmente afirmar que o MDB perdeu agora os votos que ele receberia como candidato em 2026.
O problema para o partido é outro.
Quem conseguirá herdar sua estrutura política, seus apoiadores e sua influência, principalmente no Juruá?
A matemática eleitoral aumenta a preocupação
Pelas regras do sistema proporcional, o quociente eleitoral é calculado dividindo os votos válidos pelo número de vagas disponíveis. Depois, a votação recebida pelo partido ou federação entra no cálculo para determinar quantas cadeiras poderá conquistar.
Por isso, uma chapa competitiva depende tanto de candidatos fortes quanto da capacidade de somar votos coletivamente.
A saída de Gonzaga pode se tornar ainda mais relevante se parte de seu grupo político acompanhar o deputado na aproximação com o Republicanos.
Nesse cenário, o MDB não perderia apenas uma liderança. Poderia perder também capilaridade eleitoral e capacidade de mobilização em uma região estratégica do estado.
Republicanos ganha mais que um apoio
Do outro lado, Alan Rick e o Republicanos recebem um reforço com experiência, estrutura política e trânsito no interior.
A mudança também carrega simbolismo: Gonzaga deixa o grupo que apoia a governadora Mailza Assis e passa a integrar justamente o partido do principal adversário governista.
Agora, o desafio do MDB será mostrar se possui nomes capazes de preencher o espaço político deixado por Gonzaga e manter a competitividade da legenda na disputa pela Aleac.
A pergunta que fica não é apenas quem substituirá Luiz Gonzaga na chapa. É para onde irão os votos, as lideranças e a estrutura política construída por ele ao longo de décadas.

