Principais candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) fizeram os primeiros atos de campanha de olho no eleitorado feminino. No último domingo (16/8), Tarcísio participou de um encontro com mulheres no Clube de Sargentos, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, enquanto Haddad fez, na segunda-feira (17/8), uma caminhada pela região central da capital paulista ao lado de apoiadoras.
O grupo corresponde a pouco mais de 18,1 milhões eleitores aptos para votar nas eleições de 2026 — o equivalente a 53,25% de todo eleitorado paulista, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A última pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho deste ano aponta que Tarcísio e Haddad estão empatados dentro da margem de erro entre as mulheres. O atual governador de São Paulo aparece com 40% dos votos do público feminino, enquanto Haddad tem 36%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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Tarcísio de Freitas (Republicanos), em agenda de campanha em Osasco
Jessica Bernando/ Metrópoles2 de 4Divulgação/Campanha Tarcísio de Freitas3 de 4
A “Caminhada com as Mulheres” reuniu apoiadoras na Praça da República
Diogo Zacarias/Campanha Fernando Haddad4 de 4
Fernando Haddad (PT) ao lado da esposta dele, Ana Estela, participa de primeiro ato de campanha em São Paulo
Diogo Zacarias/Campanha Fernando Haddad
Durante primeiro ato de campanha, Haddad estava acompanhado da esposa, a pesquisadora Ana Estela Haddad, e das candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que são as únicas mulheres encabeçando chapas competitivas para os cargos majoritários São Paulo. As duas foram colocadas pelo petista como mulheres que precisam “nos representar no Senado Federal”.
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Uma das estratégias do ex-ministro da Fazenda é de tentar desgastar o governador de São Paulo com o eleitorado feminino, destacando o número de casos de feminicídio em todo estado. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), 142 feminicídios foram registrados nos primeiros 6 meses deste ano — um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado, com 129 casos.
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“Vamos criar um serviço público preparado pra identificar precocemente uma ameaça e evitar o pior, que é uma lesão corporal, que é um feminicídio, que é um estupro de vulnerável, como tem acontecido no estado de São Paulo, sem uma palavra do Tarcísio a respeito”, disse Haddad. “A única coisa que ele [Tarcisio] fala é que ele se arrependeu disso, se arrependeu daquilo, lamenta aquilo, mas plano, que é uma obrigação de um gestor público apresentar uma plataforma, um plano executivo de como resolver, ele não faz”.
Entre as propostas apresentadas por Haddad, estão o funcionamento 24h das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) em regiões de maior demanda e garantia de proteção efetiva a quem tem medida protetiva, com adesão imediata ao programa federal Alerta Mulher Segura. Tanto Marina como Simone também reforçaram no discurso delas o combate à violência de gênero. Marina, inclusive, foi alvo de uma hostilidade por um homem desconhecido durante a caminhada.
Ana Estela Haddad fez um breve discurso após as duas candidatas ao Senado. “A partir de hoje, estamos em estado permanente de campanha, é pouco tempo que nós temos e temos que estar unidos, fortes, aguerridos”, disse a pesquisadora.
O papel de Ana Estela não será limitado à campanha de Haddad. Nesta segunda-feira, ela deixou oficialmente Ministério da Saúde para integrar a coordenação de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, onde deve atuar junto a universidades, gestores públicos e setores formadores de opinião. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).
Para se aproximar do eleitorado feminino, Tarcísio iniciou sua campanha participando de uma roda de conversa com mulheres de Osasco, na região metropolitana de São Paulo. No encontro, ele citou a mãe e a esposa para ganhar atenção das eleitoras.
“Minha mãe era uma empregada doméstica, deu muito duro para me dar o que ela nunca teve”, disse ele, segundos antes de citar investimentos feitos por sua gestão na saúde das mulheres. Trechos do discurso seriam usados depois nos grupos de WhatsApp da campanha do candidato.
A primeira-dama Cristiane Freitas também discursou em Osasco, tecendo elogios ao marido. Presença frequente em agendas do governador, ela já é figura certa na campanha pelos votos femininos.
“A melhor coisa que a gente pode ter na vida é alguém que te respeite, te admire, te apoie. E eu recebi tudo isso dele”, disse a primeira-dama.
Tarcísio tem apostado em pautas específicas para ganhar o eleitorado, como a criação de unidades da Casa da Mãe Atípica, espaço voltado para atender as mães de crianças com transtornos, como autismo.
Entre outras promessas, também estão pautas voltadas ao atendimento de mulheres na menopausa e investimentos na polícia para frear a alta de feminicídios.
“A pauta da mulher está muito em voga, vai dominar os debates. E a gente tem propostas claras para esse segmento. Para a segurança da mulher, a gente vai usar toda a tecnologia, [vamos fazer] o tornozelamento dos agressores, temos o Espaço Lilás, o aplicativo Mulher Segura…”, afirmou o governador, no domingo (16/8).
Na segunda-feira (17/8), Tarcísio voltou a se encontrar com este eleitorado, em visita a unidade da Assembleia de Deus no Brás, zona leste de São Paulo. Na ocasião, um grupo de evangélicas rezou pelo candidato. Também estavam com ele, a vereadora Rute Costa — suplente na chapa de André do Prado (PL) ao Senado, o próprio André e Guilherme Derrite (PP).
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alessandra Ferreira.

