Alvo de críticas pelas concessões feitas em sua primeira gestão à frente do estado, o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), planeja novas parcerias com a iniciativa privada caso vença a disputa para o Palácio dos Bandeirantes mais uma vez.
As privatizações não têm um capítulo específico no plano de governo do candidato, mas o recurso é considerado para viabilizar entregas em um possível novo mandato. É o caso, por exemplo, de uma Parceria Público-Privada (PPP) para auxiliar na revitalização dos rios Tietê e Pinheiros, uma das promessas de Tarcísio.
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O governador Tarcísio de Freitas com seu vice Felício Ramuth, em Juquehy
Foto: Chris Cunha/Governo de SP2 de 6
Os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT)
Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda3 de 6
Osvaldo Nico, Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite em evento da Rota em SP
Pablo Jacob/Governo do Estado de SP4 de 6
Flávio Bolsonaro durante a convenção que formalizou candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição
Heitor Souza/Metrópoles5 de 6
Apoiador de Trump, Tarcísio usou boné com slogan do americano
Instagram/Reprodução6 de 6
Marcha para Jesus: após atrito com Tarcísio, Nunes agradece a Flávio
Divulgação/Assessoria
Como seria o projeto?
- A PPP estudada prevê que uma concessionária seja responsável, ao longo de 15 anos, por todos os serviços de desassoreamento – retirada de sedimentos do fundo do rio – e pela remoção do lixo no Tietê e no Pinheiros.
- A empresa também teria que recuperar as margens de ambos os rios e promover ações de educação ambiental.
- O projeto, estimado em R$ 12,5 bilhões, foi debatido na gestão atual, mas deve ser colocado em prática em um eventual próximo mandato.
Coordenadora do plano de governo de Tarcísio e atual secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende defende que a concessão daria mais eficiência aos trabalhos de desassoreamento, hoje feitos em lotes e por empresas contratadas.
“A PPP nos dá a segurança de que, independentemente de governo, o desassoreamento estará sendo feito na calha do Tietê e do Pinheiros, onde você tem mais preocupação de enchente”, afirma, alegando que os rios sofrem atualmente com o acúmulo de sedimentos entre o encerramento de um contrato de desassoreamento e o início do próximo.
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PPP na educação
A parceria com a iniciativa privada também deve aparecer novamente na educação, caso Tarcísio seja reeleito. Em 2025, o governador leiloou a construção de 33 escolas para empresas, que passaram a ser responsáveis também pela gestão dos espaços após as obras. O leilão foi contestado pela oposição na Justiça e os contratos chegaram a ficar suspensos por um período.
Natália não descarta a ideia de uma nova PPP na rede estadual de ensino. A possibilidade é estudada como forma de melhorar a oferta de escolas com ensino integral e boa infraestrutura de laboratórios, por exemplo.
“A gente vai olhar em cada escola o que é necessário fazer. Se é necessário fazer uma reforma, se o mais eficiente é aumentar o número de PPPs. Isso é um estudo que a gente está fazendo escola a escola, região a região. A PPP nos dá essa possibilidade de tirar do diretor o ônus de ficar preocupado com uma questão de manutenção para ele focar 100% no aluno. Por isso que a gente está fazendo e acredita nesse modelo”, afirma a secretária.
A coordenadora do plano de governo diz que não há um capítulo sobre PPPs no plano de governo porque o objetivo foi mostrar aquilo que a gestão quer alcançar: “O importante é atingir os propósitos”. Ela defende que é preciso olhar para as parcerias com a iniciativa privada “de forma técnica”, entendendo o que funciona melhor para a população em cada caso.
O tema das privatizações é um tópico sensível na campanha de Tarcísio. Em eventos com empresários e sabatinas com jornalistas, o governador tem buscado defender as concessões das linhas de trem e a venda da Sabesp, mas uma pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que a maior parte dos paulistas é contra as duas medidas.
Principal adversário do governador, Fernando Haddad (PT) tem chamado atenção para os problemas na Sabesp e nas linhas concedidas em uma tentativa de reverter a desaprovação às medidas em votos. Até o momento, no entanto, o petista segue em segundo lugar nas pesquisas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Jessica Bernardo.

