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Tarifaço: sinal verde de negociação dá fôlego para governo buscar acordo

Como as tarifas chegam ao supermercado e encarecem a cesta básica
Otavio Augusto/ Arte Metrópoles

A retomada das negociações sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros pode dar fôlego ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas tratativas para alcançar um acordo com os norte-americanos. A reabertura do diálogo foi viabilizada após uma reunião entre autoridades brasileiras e dos Estados Unidos realizada nessa segunda-feira (31/8).

A conversa de 40 minutos entre o Representante do Escritório do Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, responsável pela política tarifária de Donald Trump; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa; e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, marcou a retomada das conversas sobre o tarifaço.

Após o primeiro contato de ontem, os dois países concordaram em manter as conversas. “As partes concordaram em voltar a reunir-se em nível ministerial, em data oportuna, a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas“, informou o Itamaraty após a ligação.

Embora uma nova conversa ainda não tenha sido efetivamente marcada e com avançado pouco até este ponto, membros do governo brasileiro veem com otimismo o resultado deste primeiro contato. Os dois países não discutiam sobre tarifas desde o dia 15 de julho, quando o EUA aplicou 25% de taxas a produtos brasileiros.

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do Metrópoles

Tarifaço contra o Brasil

Fôlego para acordo

Em nota, o governo brasileiro afirmou “estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas“. “O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional”, diz a nota.

A ausência de avanços concretos neste contato foi minimizado por interlocutores do governo brasileiro, que defenderam que o telefonema tinha caráter exploratório, com o objetivo de avaliar as possibilidades de diálogo sobre as relações comerciais bilaterais. Em entrevista coletiva, Márcio Elias afirmou ter havido uma “sinal verde” do governo norte-americano para retomar as negociações.

O ministro do comércio exterior brasileiro afirmou estar otimista e declarou ainda que, durante a conversa, Greer informou que partiu do presidente Donald Trump o pedido para que as tratativas fossem retomadas. O Márcio Elias Rosa também adiantou que, a partir dos próximos dias, os dois países devem aprofundar em negociações que tratem de temas mais específicos.

“Eu continuo mais otimista do que estava na semana passada, sobretudo agora, depois de telefonemas do presidente Lula com Trump. Parece haver, de fato, uma orientação clara do governo americano para que haja um acordo com o Brasil. Um acordo que reequilibre a relação, que equilibre a política tarifária”, destacou.

A decisão é vista com otimismo pelo governo brasileiro, que, ao longo do último ano, vinha se queixando da falta de disposição dos Estados Unidos para buscar uma solução negociada ou construir um acordo que pudesse ser vantajoso para os dois países.

Membros do Palácio do Planalto consultados sob reserva afirmam que as negociações para evitar o tarifaço foram marcados por sucessivas cobranças para que o Brasil fizesse concessões, sem que houvesse, em contrapartida, perspectivas concretas de ganhos para o país.

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Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump

Ricardo Stuckert / PR2 de 3

Lula e Trump em encontro na Casa Branca

Ricardo Stuckert/Presidência da República
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Reunião após conversa de Lula e Trump

A conversa da tarde de segunda aconteceu após uma ligação entre Lula e Donald Trump, que ocorreu no dia 21 de agosto. O brasileiro fez um telefonema para o líder norte-americano com o objetivo de tratar temas da agenda bilateral e da política internacional.

A política tarifária do republicano e adoção das alíquotas contra o Brasil, também foi discutida. Durante a conversa, o presidente dos Estados Unidos concordou com a retomada do diálogo entre os dois países sobre as taxas. Horas após o telefonema, conforme mostrou o Metrópoles, Greer ligou para Márcio Elias, que combinaram uma videoconferência para discutir as alíquotas.

O contato direto com Donald Trump foi uma estratégia adotada pelo Palácio do Planalto para burlar uma eventual contaminação do departamento de estado nos contato com o Brasil. Comandada por Marco Rubio, a pasta é vista como uma ala mais ideológica da Casa Branca e que tem especial proximidade com a família Bolsonaro no Brasil.

A avaliação de interlocutores do presidente Lula é que Donald Trump nutre uma afinidade pelo petista, enquanto Marco Rubio já fez críticas ao mandatário brasileiro e chegou a responsabilizar Lula pela imposição de tarifas contra o Brasil. O governo brasileiro, por outro lado, nega as acusações e aponta vieses políticos na decisão.

Tarifas contra o Brasil

Os Estados Unidos implementaram duas taxas contra o Brasil nos últimos meses, uma de 25% baseada em uma investigação realizada pelo USTR direcionada a uma série de produtos brasileiros; e uma outra de 12,5%, que alcança mais de 60 países e a União Europeia. Somadas, as taxas podem afetar setores da indústria brasileira em até 37,5%.

Para justificar a aplicação da maior taxa, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) alegou que o Brasil adota práticas comerciais desleais que oneram importadores norte-americanos. Entre as tais práticas, a pasta citou o aumento do desmatamento ilegal no Brasil, acordos internacionais preferenciais e fez críticas ainda ao Pìx.

Na avaliação de interlocutores do governo brasileiro, as tarifas de 25% possuem margem para serem negociadas ou até mesmo revertidas. É com foco nesta alíquota que o governo Lula aposta em um novo diálogo com a Casa Branca.

O Brasil entrou no radar do USTR em julho de 2025, depois que o órgão abriu uma investigação para apurar supostas práticas comerciais desleais que oneram as empresas e os exportadores norte-americano.  Desde o anúncio, o Brasil deu início a uma intensa negociação com os Estados Unidos com o objetivo de reverter as tarifas.

As conversas, contudo, não avançaram para um consenso. Embora a investigação dos EUA seja baseada em critérios técnicos da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, o governo brasileiro acredita que houve viés político na decisão, sobretudo pelo engajamento da Casa Branca com políticos da oposição no Brasil.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carinne Souza.

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