Ícone do site YacoNews

"Taxa das blusinhas" pode voltar em um mês se Congresso não aprovar MP

"Taxa das blusinhas" pode voltar em um mês se Congresso não aprovar MP
Boonchai Wedmakawand/ Getty Images

A chamada “taxa das blusinhas”, imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, poderá voltar a ser cobrada no Brasil a partir de 9 de setembro caso o Congresso Nacional não aprove a medida provisória (MP) que autorizou o governo a zerar a alíquota.

Publicada em 12 de maio, a MP deu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, autorização para alterar as alíquotas do Imposto de Importação sobre remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a cobrança para compras de até US$ 50.

A medida foi prorrogada em julho pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e perde validade em 8 de setembro. Caso não seja aprovada pelo Congresso ou substituída por outra norma, a alíquota de 20% poderá voltar a vigorar no dia seguinte.

A MP ainda não começou a ser analisada. A comissão mista responsável por emitir parecer sobre o texto sequer foi instalada. Depois, a proposta precisará passar pela Câmara e pelo Senado.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles

O calendário reduz as chances de votação. O Senado terá apenas duas semanas de esforço concentrado em agosto e setembro, entre os dias 10 e 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reconheceu que o tempo está curto.

Indústria defende retorno do imposto

A retomada da cobrança é defendida pelas principais entidades da indústria brasileira. Fiemg, Fiesp e CNI afirmam que a isenção amplia a vantagem competitiva dos produtos importados e cria condições desfavoráveis para empresas instaladas no país.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avalia que a desoneração favorece principalmente produtos chineses. Para o economista-chefe da entidade, João Gabriel Pio, a indústria busca isonomia nas condições de competição, e não protecionismo.

Segundo a Fiemg, as importações de produtos de baixo valor somaram R$ 2,6 bilhões em junho, primeiro mês completo sem a cobrança do imposto federal, alta superior a 100% em relação ao mesmo período de 2025.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também criticou a medida. A entidade afirmou que a manutenção da isenção gera “concorrência desleal” e pode provocar perda de empregos no Brasil.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera que a desoneração representa uma vantagem para indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional. Em estudo divulgado antes da edição da MP, a entidade estimou que a tributação havia evitado a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados e contribuído para preservar mais de 135 mil empregos.

As três entidades defendem a chamada isonomia tributária e argumentam que produtos nacionais e importados devem enfrentar condições semelhantes de tributação.

Governo monitora importações

O governo, por sua vez, afirma que acompanha o comportamento das importações e admite rever a desoneração caso o aumento das compras internacionais prejudique a produção nacional.

No fim de julho, Dario Durigan afirmou que a equipe econômica poderá recomendar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudanças na política caso os dados indiquem perda de isonomia para a indústria brasileira.

Enquanto isso, representantes de empresas de tecnologia e importadores defendem a manutenção da isenção. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas como Alibaba, Amazon e Shein, afirma que o fim do imposto estimula a competitividade e amplia o acesso dos consumidores a produtos importados.

ICMS continua

O fim do imposto federal não eliminou a tributação sobre as compras internacionais. Os estados continuam cobrando ICMS, com alíquotas que variam entre 17% e 20%.

Além disso, independentemente do destino da MP, as compras internacionais de pequeno valor voltarão a ter tributação federal em 2027 por meio do novo tributo criado pela reforma tributária sobre o consumo. A alíquota ainda não foi definida.

Impasse político

A votação da MP também depende do ambiente político no Congresso. A relação entre Lula e Alcolumbre ficou desgastada após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Embora os dois tenham retomado o diálogo recentemente, a MP ainda não avançou. O calendário eleitoral também dificulta a articulação para a votação.

Se o Congresso não aprovar a medida até 8 de setembro e nenhuma outra norma mantiver a desoneração, o imposto de importação de 20% sobre compras de até US$ 50 poderá voltar a ser cobrado a partir de 9 de setembro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniel Galera.

Sair da versão mobile