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TCE pede devolução de R$ 482 mil de contrato de obras em estradas paulistas

TCE pede devolução de R$ 482 mil de contrato de obras em estradas paulistas
Divulgação/Governo de SP

O conselheiro Dimas Ramalho, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), emitiu um despacho notificando servidores responsáveis pela fiscalização de obras em estradas rurais no interior paulista para que apresentam justificativas em relação a irregularidades apontadas pela Corte de Contas em contratos do programa Melhor Caminho, da Secretaria da Agricultura do Governo de São Paulo.

Caso as explicações não sejam enviadas, o TCE requer que sejam devolvidos aos cofres públicos R$ 481,6 mil, valor do prejuízo aos cofres públicos que teriam sido causados pelos acordos.

Os problemas identificados pelo órgão se concentram em dois contratos específicos do programa, voltado a reformas de melhorias de estradas rurais, ambos firmados em 2022. O despacho leva em consideração pareceres emitidos pela Procuradoria da Fazenda do Estado e pelo Ministério Público de Contas.

O governo paulista argumenta, por outro lado, que documentos da Secretaria de Agricultura, como relatórios técnicos e registros fotográficos, “sustentam a execução dos serviços e os pagamentos realizados”.

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do Metrópoles

Em um dos contratos, relacionado a obras em estradas de Apiaí, no interior paulista, o TCE constatou problemas como a formação de erosões sobre o leito da estrada, devido o escoamento da água da chuva, além do “acúmulo de água nas laterais, excesso de buracos e desmoronamento do talude lateral. Segundo o documento, os custos com a adequação e limpeza dos taludes totalizaram R$ 28.532,51.

Ainda em Apiaí, foi constatada ausência de revestimento primário, sendo o custo para tal serviço totalizaram R$ 237.684,33 aos cofres públicos.

Já em Itaoca, também no interior do estado, a fiscalização observou que a largura da pista de rolamento das estradas da Capoava e Paiolada é de três metros, apenas metade dos seis metros previstos no projeto. Apesar disso, ainda de acordo com o TCE, houve pagamento de R$ 197.987.40, referente aos seis metros de largura descritos no contrato.

O órgão ainda afirma que não foi constatada existência de “nenhuma das 41  lombadas constantes no memorial descritivo da obra, embora tenha havido o pagamento de R$ 17,4 mil relativo à execução do serviço.

Diante disso, o TCE pede que os dois fiscais identificados como responsáveis pela obra seja notificados para fazer o ressarcimento dos valores ou apresentarem suas justificativas.

Em nota, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento afirmou que os contratos citados foram celebrados em 2022 e que os apontamentos do Tribunal de Contas ainda estão em análise, com prazo para apresentação de esclarecimentos. “Não há decisão definitiva que reconheça prejuízo ao erário ou responsabilize servidores ou empresas”, disse a pasta.

Em Apiaí, a secretaria argumenta que os registros demonstram a aplicação do revestimento e indicam que os danos ocorreram após a entrega da obra. Já em Itaóca, as diferenças apontadas teriam decorrido de “limitações da faixa disponível e de alteração técnica da solução de drenagem”.

“A largura menor em alguns trechos ocorreu porque proprietários vizinhos não liberaram as áreas necessárias, providência que cabia à prefeitura”, afirmou a pasta.

Além disso, o governo informou que a Procuradoria da Fazenda do Estado se manifestou no processo pela regularidade dos atos e pela ausência de demonstração de dano ao erário. “Por isso, até o momento, não houve fundamento para sanções ou procedimentos disciplinares específicos. Eventuais providências serão adotadas conforme a conclusão do processo”, concluiu.

Em relação aos fiscais notificados pelo TCE, a gestão estadual informou que um deles foi exonerado em 2023, enquanto outro está afastado e aguardando a conclusão de seu processo de aposentadoria. “As apurações internas sobre os aditivos do Melhor Caminho foram concluídas e encaminhadas aos órgãos competentes”, informou.

Entenda o caso


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Vinicius Passarelli.

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