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Término de Scooby e Cíntia reacende debate sobre a “crise dos 7 anos”; especialista explica

Término de Scooby e Cíntia reacende debate sobre a “crise dos 7 anos”; especialista explica

Término de Scooby e Cíntia reacende debate sobre a “crise dos 7 anos”; especialista explica

Para entender se os sete anos representam, de fato, uma fase mais delicada para os casais e o que pode levar uma relação a chegar ao fim após anos, o portal LeoDias conversou com a psicóloga e terapeuta de casais Claudia Melo

(Reprodução)

A separação de Pedro Scooby e Cíntia Dicker, após sete anos de relacionamento, reacendeu o debate em torno da chamada “crise dos 7 anos”. A notícia surpreendeu os seguidores do casal e chamou atenção para uma coincidência que também aparece na trajetória de outros famosos que colocaram um ponto final em relacionamentos de longa duração justamente nesse período. Para entender se os sete anos representam, de fato, uma fase mais delicada para os casais e o que pode levar uma relação a chegar ao fim após anos, o portal LeoDias conversou com a psicóloga e terapeuta de casais Claudia Melo.

Segundo a especialista, apesar de popularmente associada ao desgaste das relações, a chamada “crise dos 7 anos” não deve ser encarada como uma regra ou como um prazo de validade para os relacionamentos. Não existe um período determinado em que todos os casais necessariamente enfrentam uma crise.

“Não existe um relógio emocional dizendo que, quando o casal completa sete anos, vai entrar em crise. Isso ficou muito forte no imaginário popular, mas não é uma regra da psicologia. O que existe são ciclos dentro de uma relação.”

Veja as fotos

Cíntia Dicker e Pedro ScoobyPortal LeoDias O surfista Pedro Scooby com a esposa, a modelo Cintia DickerCrédito: Reprodução Instagram @pedroscooby Pedro Scooby e Cintia DickerFoto/Portal LeoDias Pedro Scooby se derrete por Cíntia DickerReprodução/Instagram @pedroscooby Reprodução/Instagram AgNews Reprodução Cíntia Dicker com a filha e Pedro Scooby

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Para a especialista, o que pode acontecer depois de alguns anos é uma transformação na dinâmica do casal. Com o passar do tempo, responsabilidades e mudanças pessoais acabam ocupando cada vez mais espaço na vida dos parceiros.

“Depois de alguns anos, aquele casal que começou cheio de novidades já viveu muita coisa. Vieram responsabilidades, trabalho, contas, filhos para alguns, mudanças profissionais, familiares e pessoais. E, muitas vezes, enquanto a vida foi crescendo, o espaço do casal foi diminuindo.”

Claudia explica que, nesse cenário, a questão não está necessariamente nos sete anos, mas na maneira como o casal passa a cuidar ou deixa de cuidar da própria relação.

“Então, eu não diria que existe uma crise dos sete anos. Eu diria que existe um momento em que alguns casais percebem que cuidaram de muitas coisas ao redor da relação, mas deixaram de cuidar da própria relação.”

Mudanças ao longo dos anos

A transformação individual de cada parceiro também pode interferir na dinâmica da relação. Pessoas que iniciam um namoro podem ter objetivos, desejos e prioridades diferentes anos depois, e nem sempre o casal consegue acompanhar essas mudanças conjuntamente.

“As pessoas mudam. Isso parece óbvio, mas dentro dos relacionamentos nós esquecemos disso com muita facilidade. Às vezes, esperamos que aquela pessoa que conhecemos anos atrás continue pensando, desejando e sentindo exatamente da mesma maneira.”

A chegada dos filhos é outro momento que pode modificar profundamente a rotina. O casal passa a dividir novas responsabilidades e pode acabar priorizando a função de pai e mãe em detrimento da relação amorosa.

“Na visão sistêmica, o casal vai se reorganizando a cada mudança importante da vida. A chegada de um filho é um exemplo muito claro. De repente, aquele homem e aquela mulher passam a ser também pai e mãe. E pode acontecer de eles ficarem excelentes na função de cuidar da família, mas se distanciar enquanto casal.”

Nesse processo, até mesmo as conversas cotidianas podem mudar. Questões práticas passam a dominar os diálogos e os parceiros podem deixar de demonstrar interesse pela vida emocional um do outro.

“A rotina também pesa quando tudo vira obrigação. O diálogo passa a ser sobre filho, boleto, trabalho, supermercado, escola, problema. E ninguém pergunta mais: ‘Como você está? O que está acontecendo com você?’. A rotina não acaba com uma relação. O que machuca é quando o outro deixa de ser alguém que eu encontro e passa a ser apenas alguém com quem eu divido tarefas.”

Quais são os sinais de uma crise?

Nem toda discussão significa que o relacionamento está em crise. Para Cláudia, o alerta aparece quando determinados comportamentos deixam de ser pontuais e passam a fazer parte da forma habitual como o casal se relaciona.

“Uma fase difícil acontece em qualquer relacionamento. O problema é quando aquilo que era pontual vira a maneira habitual de o casal se relacionar.”

Críticas constantes, ironias, afastamento e perda de intimidade estão entre os sinais que merecem atenção.

“Quando toda conversa termina em discussão, quando existe crítica o tempo inteiro, ironia, silêncio como punição, afastamento afetivo, perda de intimidade ou quando um já não demonstra interesse pelo que acontece com o outro, precisamos prestar atenção.”

A terapeuta também destaca a maneira como o casal lida com os conflitos. Para ela, mais importante do que nunca discordar é saber reparar os danos causados por uma discussão.

“Eu observo muito também o que acontece depois do conflito. O casal ainda consegue voltar? Consegue conversar? Alguém consegue dizer ‘eu errei’, ‘eu exagerei’, ‘vamos tentar de outra forma’?. Não é a ausência de conflitos que define uma relação saudável. Casais saudáveis também discordam e se frustram. A diferença está na capacidade de reparar aquilo que aconteceu.”

Entre todos os sinais de desgaste, porém, existe um que merece atenção especial: a indiferença.

“E existe algo que me preocupa mais do que algumas brigas: a indiferença. Quando já não importa conversar, explicar, compartilhar ou saber como o outro está, o afastamento emocional pode ser bem mais profundo.”

É possível superar a crise?

Embora a expressão “crise dos 7 anos” esteja frequentemente relacionada a separações, uma fase de desgaste não significa necessariamente que o relacionamento chegou ao fim. Segundo Claudia, a crise pode funcionar como um alerta para que o casal perceba que a maneira como vinha conduzindo a relação já não funciona.

“Não. Crise não é necessariamente ausência de amor e também não é uma sentença de separação. Às vezes, a crise está dizendo: ‘Do jeito que estamos vivendo, não está funcionando mais.’ Isso é diferente de dizer: ‘Não existe mais nada entre nós.’”

Na terapia sistêmica, a especialista explica que o casal é analisado a partir dos padrões que foram sendo construídos entre os dois. Muitas vezes, o conflito se transforma em um ciclo no qual cada comportamento de um parceiro provoca uma reação no outro.

“Na terapia sistêmica, tentamos compreender o que foi sendo construído entre aquelas duas pessoas. Porque dificilmente uma crise começa em uma única discussão. Existem ciclos que vão se repetindo. Um cobra porque sente falta, o outro se afasta porque se sente pressionado. Quanto mais um cobra, mas o outro se afasta. Quanto mais o outro se afasta, maior se torna a cobrança. Em determinado momento, os dois estão machucados e nenhum deles consegue perceber como participar desse movimento.”

Ainda assim, a reconstrução depende do interesse de ambos.

“É possível reconstruir uma relação, mas precisa existir disposição. Não adianta apenas uma pessoa lutar enquanto a outra já abandonou emocionalmente aquele vínculo.”

E superar uma crise não significa necessariamente recuperar exatamente a relação que existia no início.

“E reconstruir não significa voltar a ser o casal do começo. Talvez o grande desafio seja construir um novo relacionamento entre duas pessoas que também já não são as mesmas.”

O que fazer para evitar o desgaste?

Para quem deseja preservar a relação ao longo dos anos, Claudia defende que o primeiro passo é voltar a enxergar o parceiro para além das funções que ele exerce dentro da família.

“Eu começaria pelo mais simples e, talvez, pelo mais difícil: voltar a olhar para o outro com interesse. Não apenas como pai, mãe, marido, esposa ou alguém que precisa cumprir determinada função. Mas perguntar: quem é essa pessoa hoje? O que ela está vivendo? Do que sente falta? O que mudou?”

A terapeuta também recomenda criar momentos de conexão que não estejam relacionados apenas às obrigações do cotidiano.

“Também é preciso recuperar pequenos espaços de conexão. Conversar sem celular, sair juntos, demonstrar carinho, criar momentos que não sejam apenas para resolver problemas e falar sobre sentimentos antes que eles apareçam em forma de cobrança.”

Outro ponto importante é aprender a expressar as próprias necessidades sem transformar o diálogo em uma acusação.

“Outra coisa importante é parar de esperar que o outro adivinhe nossas necessidades. Dizer ‘eu estou sentindo sua falta’ é muito diferente de dizer ‘você nunca tem tempo para mim’. Uma frase convida para o encontro. A outra provavelmente fará o outro se defender.”

A busca por terapia também não precisa acontecer apenas quando o relacionamento já está próximo do fim.

“E não é preciso esperar a relação chegar ao limite para procurar terapia de casal. Quando as mesmas discussões se repetem, quando o casal percebe que sozinho já não consegue conversar sem entrar no mesmo ciclo, buscar ajuda pode ser uma forma de cuidado.”

Para Claudia, transformar a relação em uma disputa sobre quem está certo também pode aprofundar o afastamento.

“Um erro muito comum é entrar numa disputa para descobrir quem tem razão. Quando o relacionamento vira um tribunal, alguém até pode ganhar a discussão, mas o casal vai perdendo a conexão.”

Famosos que também terminaram após sete anos

A história de Pedro Scooby e Cíntia Dicker se soma a outros relacionamentos conhecidos que chegaram ao fim depois de aproximadamente sete anos.

Sabrina Sato e Duda Nagle anunciaram a separação em março de 2023, após sete anos juntos. O relacionamento começou em 2016 e os dois são pais de Zoe. O término fez com que o casal entrasse para a lista de famosos associados à chamada “crise dos sete anos”.

Cauã Reymond e Mariana Goldfarb também terminaram depois de aproximadamente sete anos de relacionamento. Os dois começaram a namorar em 2016, se casaram em 2019 e anunciaram o fim da união em abril de 2023.

Júlio Cocielo e Tata Estaniecki começaram a se relacionar em 2017 e anunciaram o fim do casamento em 2025, depois de sete anos de união. O caso ganhou um detalhe curioso porque, antes da separação, Cocielo chegou a comentar que o casal havia superado a chamada “crise dos 7 anos”.

Danielle Winits e André Gonçalves anunciaram a separação em agosto de 2023, após quase sete anos juntos. O casal também passou a ser lembrado em listas sobre relacionamentos que chegaram ao fim durante esse período. No caso deles a separação foi algo temporario, pois no final do mesmo ano eles reataram e permanecem juntos até o momento.

Débora Falabella e Murilo Benício começaram a se relacionar em 2012 e encerraram a relação em 2019, após sete anos juntos. O casal também aparece entre os exemplos de relacionamentos que terminaram após um longo período de convivência.

Sete anos não precisam ser o fim

Apesar da coincidência entre tantos términos, a psicóloga reforça que o tempo de relacionamento não determina o futuro de um casal. Mais do que tentar “sobreviver” ao sétimo ano, o desafio está em reconhecer que tanto a relação quanto as pessoas que fazem parte dela mudam com o passar do tempo.

“Depois de muitos anos juntos, eu gosto de pensar que a pergunta não é: ‘Como fazemos para voltar a ser como éramos no início?’. Talvez a pergunta mais importante seja: ‘Quem somos hoje e que relação queremos construir a partir daqui?’. Porque um relacionamento duradouro não é aquele que permanece igual. É aquele que consegue encontrar novas formas de continuar existindo enquanto a vida e as pessoas mudam.”

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Karol Gomes.

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